quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Shorts

O pessoal que fala Inglês desde criancinha não sabe o que é "gênero" nas palavras. Se você não sabe, é o "sexo" das palavras - ônibus é masculino, cadeira é feminino, e poraí vai. Como o Inglês deve ser uma das poucas línguas do mundo que não tem gênero nas palavras, dá-lhe dificuldade na hora de aprender a falar Francês, Espanhol, Português ou qualquer outra língua. Estava eu analfabeto de pai e mãe tentando explicar que, quando a palavra termina em "a" ela é feminina e, normalmente, se terminar com "e", "i", "o" ou "u" é masculina. Ledo engano - funciona com "leite", "foguete", "tapete", mas aí eu lembrei que tem "cidade", "parede", entre outras. Com "i", "o" e "u" acho que a grande maioria das palavras acaba sendo mesmo masculina.

Para eles é claro que é estranho esta história das palavras terem sexo. Onde já se viu? Assim como também deve ser estranho os quinze tempos verbais que o Português tem, mas paciência. Mas eu acho estranho quando vou contar uma história e falo "friend" - e aí eu tenho que especificar se é "male" ou "female" friend, já que os malditos não tem "amigo" e "amiga". As mulheres costumam se referir às suas amigas mulheres como "girlfriends", mas eu não sei se seria estranho um homem se referir à uma mulher que é sua amiga como "girlfriend" (eu acho que ficaria), e não chamo ninguém de "boyfriend" nem que eu esteja narrando a história da minha vida para a Rainha da Inglaterra na hora da minha morte. Outra coisa que eu acho meio estranha é o fato de "you" não ter plural. O resultado é que quando eu quero dizer alguma coisa para mais de uma pessoa, eu sempre falo "you all".

O bom de estar aqui é falar "NO WAY" como expressão do dia-a-dia e ser entendido sempre, ou então aumentar e falar "NO FUCKING WAY", "NO FUCKING FREAKING FUCKED WAY" e poraí vai. "Flying by the seats of the pants" é algo como "consertar o avião em pleno vôo", e a tradução seria "voar com os assentos das suas calças" (voar sentado nas calças), o que é meio estranho para quem não conhece o "ditado popular". Não achei nenhuma palavra para falar depois que alguém espirra, e eu sempre digo "god bless you" - se eu falar "health" (saúde) vão me olhar com cara de doido, pois não faz sentido nenhum.

Eu até que estou entendendo Inglês super bem agora, mas quando eu não entendo eu parto para o código universal da conversação em código. Sorrio, e se a pessoa ficar olhando com uma cara estranha sorrio mais ainda. Se ainda assim ficar um clima estranho eu digo "yeah, in fact, you know, i think that's right" ou qualquer outra coisa sem sentido. Eu sempre digo "so" (então) antes de interromper algum assunto (eu faço isso bastante, até aqui no blog"), e até comentaram comigo isso (você fala bastante "so", né?). Eu digo que eu falava bastante em Português e que "herdei" isso para o Inglês. A Chinesaiada fala "in fact". É "in fact" pra isso, "in fact" pra aquilo outro, e dá-lhe "de fato".

So...

> O menino tá com dor de garganta hoje. Está com um pouco de febre, 37.5, acho que vai ficar de molho amanhã. Pode ser por causa do Chinook, pode ser por causa de friagem, mas ele estava reclamando bastante. Agora está lá dormindo;
> Sexta-feira, 1:20, saio de Calgary para Toronto. Chego lá pelas seis ou sete da noite e pego o vôo para São Paulo umas dez da noite. Vou chegar em São Paulo dez da manhã do dia seguinte;
> Já tenho mais ou menos uma idéia das coisas que eu tenho para fazer por lá. Quero resolver pelo menos as coisas mais complicadas. O resto a gente deixa para mais tarde;
> Acho que depois quem vai é a Soraya, mais para o meio ou fim do ano. Eu só devo voltar em 2009 depois desta viagem, já gastei a minha "quota" (mas o dia de amanhã ninguém sabe);
> Estou fazendo o site da empresa que a Soraya está começando com duas amigas. Ou uma das amigas começando com a Soraya e outra amiga. Ou a ordem dos tratores não altera o viaduto (a ordem dos fatores não altera o produto, o que não faz um professor para a gente decorar alguma coisa). Vamos ver se eu consigo fazer alguma coisa bem biita;
> E é isso. O povo correndo no trabalho, eu sofrendo com uma dor de cabeça hoje (soma de falta de sono + chinook), o Arthur com dor de garganta, a Soraya com dor nas costas, pelo menos a casa anda em ordem.

Fui!!!

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Bobagens...

Coisas que a gente tem no Brasil que não existem aqui:

. Encanação com o número 24. Estava eu explicando que faz um tempo a Volkswagen (aqui tem um outro VW) lançou uma série especial de um carro (o Gol), numerada de 1 à 100, mas que não colocou à venda os números 13 (azar), 69 (...) e 24. No que eu falei "24", me perguntaram "porquê não o 24?". Aí eu expliquei que era o "número do veado" - e dá-lhe aula de cultura popular depois disso - "então, tem um jogo que é o jogo do bicho - o número 24 é o deer, o Bambi, que é meio afetado, e por isso virou o número do veado, que ninguém gosta";
. Cachorro e gato na rua - os coitados iam virar picolé de pelo se ficam do lado de fora no meio do inverno;
. Aliás, comércio de rua aqui quase não existe (deve ter umas três barraquinhas de cachorro-quente na cidade), e no inverno o pouco que tem fica entocado;
. Criança de rua - tem muito adulto de rua, mas criança de rua a gente não vê. Na Espanha, eu vi uma mulher pedindo dinheiro com o bebê no colo, igualzinho ao Brasil, mas aqui, nunca vi. Tanto é que o pessoal do Canadá ficou super espantado e chocado com aquilo, aí tive eu, cidadão do Terceiro Mundo, explicar que ela só faz aquilo para ganhar mais dinheiro, e que ela não fica chorando o tempo inteiro, só quando passa alguém por perto;
. Carros da Fiat, Renault, Peugeot, Citroen - já escrevi sobre isso antes e não mudou nada até hoje - quando alguém vai trazer o UNINHO para cá?;
. Não tem churros. Nem mandioca. Mas para quem quer, tem pepino;
. Tem massa de pastel para vender, mas não tem pastel pronto na feira;
. Aliás, não tem feira;
. Mas tem um zilhão de mercados;
. Tem doce-de-leite na Superstore; Tem até castanha-do-Pará;
. Dizem que tem fanta-laranja, mas eu nunca vi. Não tem fanta-uva, mas em compensação tem uma infinidade de outros sabores que eu nunca vou ter coragem de provar;
. Tem McDonalds, mas não tem Cheddar McMelt - para que serve, então?
. Não tem Dipirona Sódica;
. As farmácias aqui são mais controladas do que no Brasil e a venda dos remédios é fracionada, só vem o que o médico mandar;
. Tem muito campo de futebol mas jornal no jornal, só de vez em quando;
. Futebol do Brasil, vi uma vez só no jornal - na TV, nunca.

Mas aqui também tem chefe bravo. Vou voltar para o trabalho. Fui!!!

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Divagações

Nem sempre a gente consegue realizar tudo que quer na vida. Nem sempre as pequenas batalhas são vencidas aos pares, e é comum que para conseguir uma coisa seja necessário sacrificar outras. Acho que é assim para todo mundo. Agora, Sexta-feira, estou indo para o Brasil tentar matar uns três leões, colocar uns macacos de volta aos seus galhos e debulhar uma plantação de abobrinhas. Infelizmente a verba não dava para todo mundo e eu estou indo sozinho, com um aperto no coração de deixar a Soraya e o Arthur sozinhos em casa de novo. Pelo menos desta vez, quando eu voltar, vou trazer uma boa parte das coisas que foram deixadas para trás na promessa de que esta viagem seria apenas temporária. Livros, filmes, roupas, brinquedos e algumas outros objetos materiais que são parte da nossa identidade.

Estou também bastante ansioso para rever os amigos e família, embora não pareça tanto tempo assim quando a gente pára para pensar. Algumas coisas que eu sei que eu vou fazer incluem uma visita à casa da Regina para conhecer o futuro baby e também um churrasco com a molecada - e visitar o Kb.Lo para ver a sua casa mobiliada. Minha mãe deve ir para Santos me visitar porque não vou ter tempo para ir até Caraguá, o que é uma pena, e com certeza vou dar um pulo na casa do meu pai conhecer a sua cozinha nova :-). E vou ter que aportar na casa nova do sogrão, já que o apartamento que eu conhecia já é passado. É, a vida continua :-).

Voltando ao passado, eu saí do Brasil há oito meses, mais ou menos. Naquele dia eu dirigi até o aeroporto (já antecipando o fato de que eu ficaria sem dirigir por um bom tempo), e me lembro bem de olhar para a estrada com calma (estava um dia muito bonito), e meio que "me despedir" da Rodovia dos Imigrantes, estrada por onde eu sempre dirigia - e eu nunca cansava de admirar a paisagem em alguns pontos da viagem. É, eu sou estranho, eu sei. Se eu um dia for morar na Espanha e pegar um trem que passa ao lado do mar, como o do vídeo que eu publiquei faz uns dias, vou ficar admirado com o "big blue" todos os dias. Bom, voltando ao dia da viagem, eu também lembro do menino não se tocando que ia ficar sem me ver por um tempo e me dando um tchau meio desencanado :-). Depois, na volta para Santos, ele chorou um pouco e dormiu. Um mês longe da família é muito tempo, e é por isso que eu também vou ficar no Brasil o menor tempo possível (dez dias apenas).

Em uma das viagens que eu fiz pela empresa eu conheci uma garota Brasileira que havia se mudado para Seattle fazia um ano, eu acho. Ela era casada com um Americano e já tinha um belo de um sotaque para falar Português. Em um ano, acho que ela tinha ido visitar o Brasil cinco vezes. Essa aí tem um número alto de milhas aéreas (e um salário idem). Acho que a única coisa com o que eu realmente me preocupava antes de deixar o Brasil era "sumir" de lá, sem perspectiva para voltar e visitar. Eu estou indo agora em Fevereiro, a Soraya deve ir lá para o meio do ano (Agosto, Setembro, Outubro), já que o menino andava com saudades nestes dias. Mas nada que uma brincadeira com outras crianças (Brasileiras, especialmente) não resolva.

Bom, isso aí. Sábado estou chegando nas terras verde-amarelas. Só contar uma...

...Historinha peculiar

... faz um tempo, eu escrevi sobre os povos estranhos daqui do Canadá. Uma das peculariedades era o fato como o povo Indiano se veste (cores berrantes em profusão) - é como se eles fossem imunes à combinação verde-perereca com rosa-choque. Pois bem, estes dias fui na mesa de um colega da Índia, que havia pedido a minha ajuda para resolver um problema, e notei que os comentários no seu código estavam verde-perereca. Para quem não é da área, um comentário no código é como se fosse uma nota no meio de um texto importante. A nota em si adiciona algo para o texto, mas não é algo que deva ter a mesma importância do mesmo. Por isso, as pessoas normalmente adotam cores mais neutras para os comentários. Eu uso um cinza claro.

Pois bem:

eu sou o código fonte, e devo estar bem legível...
comentário verde-perereca
... mais código...
comentário cinza-claro
... mais código...

Agora olhem o texto acima. Parece que passaram aquela caneta marca-texto na linha verde-perereca, como se fosse para dar destaque, certo? É como se o verde-perereca pulasse aos seus olhos e o cinza ficasse com menos destaque. Pelo menos é assim que EU vejo. Mas não é assim que ELE vê. Na hora em que eu abri os comentários eu até me ofusquei com o brilho da tela, e perguntei "why are you using LIME as comment color?" e ele me disse que para ele é como se fosse uma cor mais neutra, mais clara, que não se destacava tanto quanto o resto do texto.

Verde-perereca é cor neutra? Ok, minha teoria de que eles enxergam as cores de forma diferente está provada :-).

domingo, 24 de fevereiro de 2008

The man says "SMILE"

Canadian party

No Sábado a gente foi na festa de noivado do Curtis e da (agora) noiva dela, a Krista. Chegamos lá um pouco antes da festa começar. O sapato fica na porta, como em toda casa no Canadá - e os casacos ficam no armário, que já estava quase lotado na hora em que eu cheguei. No começo a gente se sentiu um pouco estranho - algumas coisas são tão diferentes do Brasil que você acha que eles só estão fingindo que é daquele jeito. Que estranho, todo mundo falando Inglês :-). Mas no fim a gente adorou. O pai da noiva fez um discurso que fez a noiva chorar, teve gente que gostou do nosso sotaque, tinha cerveja gelada, e eles tinham uma maneira bem interessante de ganhar dinheiro - um CASSINO! É isso mesmo. Eles tinham vários jogos pela casa, Pôquer, 21, dardos no andar de baixo e provavelmente uma ou outra coisa que a gente nem viu. Eu nem ia jogar os dardos com medo de furar a parede, mas quando eu vi que ela já estava (bem) furada, nem encanei - e olha que no fim eu só acertei mesmo foi o tabuleiro (é esta a palavra?) do dardo.

Eu joguei duas rodadas de Pôquer. Na primeira, saí no meio zerado. Na segunda, zerei todo mundo. Como a festa era de noivado, e não uma noite em um cassino de verdade, não fiquei com os duzentos dólares que sobraram no fim do jogo :-). Mas a intenção essa era mesmo, a gente foi com alguns dólares para deixar na casa como nosso presente de casamento. As principais diferenças mesmo no fim de tudo foram:

. O fato de que tinha um XBOX no basement onde o pessoal ficava jogando Guitar Hero;
. A informalidade das pessoas (o povo aqui é MUITO informal, mais do que no Brasil);
. A comida ficar na cosinha e você ir lá buscar;
. Levar a própria cerveja na festa de noivado (no fim até que eles tinham BASTANTE cerveja por lá, mas sendo o bom beberrão que sou, achei que era melhor dar uma mão);
. Por mais estranho que pareça, o fato de todo mundo falar Inglês - parecia festa do CCAA - até que eu me acostumei com a idéia de que aquela realmente é a linguagem deles :-)...
. E acho que foi só. De resto, a festa foi ótima.

Falando em coisas que são estranhas, parece meio forçado para alguém que é do Brasil, acostumado com futebol 24 horas ao dia, ver como o povo aqui é fascinado por Hockey. Parece até forçado, mas é assim mesmo que eles são. Adoram Hockey. Aqui as Olimpiadas de inverno também são coisa séria. Se você só falar Jogos Olímpicos, alguém vai ter perguntar se é de verão ou de inverno. E quando você diz "é lógico que é de verão", dnado de ombros para os jogos de Inverno, eles fazem cara de surpresa - aí você explica que não tem inverno no Brasil e eles entendem porque isso não é tão importante por lá.

Foi bom ir para a Espanha e ver manchetes relacionadas ao futebol no jornal :-).

Vou voltar para o Oscar agora. Fui!!!

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

The man says "WRITE"

E a gente escreve...

(auto-flagelação)

. Até o pessoal do trabalho fala que eu sou cabeçudo. Ninguém merece. Não bastassem os anos de sofrimento no colegial com o clube cabecildes (eu, Kb.Lo, Akira), o clube da cabeça quadrada (cujo sócio exclusivo era o Fabrício) e por último o clube do careca ao contrário (Chuck, que nunca vai ser careca na vida), ainda tenho que ouvir do meu chefe que meu ponto de equilíbrio é alterado;
. No trabalho antigo tinha um Japonês que me chamava de Cabireca (cabeludo careca, porque eu sou meio careca mas estava cabeludo);
. O maior sofrimento no vôo de Barcelona para Nova Iorque foi perceber que eu ia peidar o vôo inteiro (nesta vida tudo tem um preço - comida barata ou velha se paga depois). O maior alívio foi perceber que eles eram do tipo inodoro;
. Depois de 20 horas de pé, suando, dormindo, babando, vendo filme, comendo na bandejinha e espalhando migalha por todos os cantos do avião, só se recupera a dignidade quando se chega em casa e se toma um banho;
. Eu devo ser o único ser que gosta de ficar vendo a asa balançar quando o avião encara uma turbulência;
. Neste tempo que eu fiquei fora o Arthur ficou meio chateadinho com a minha ausência. Estou tentando compensar brincando bastante com ele nesta semana, mas Sexta-feira já caio na estrada de novo, desta vez indo para o Brasil - depois disso eu quero ficar em casa por uns bons meses. Bendita hora em que vai vencer o meu visto de entrada no Canadá (é uma ÓTIMA desculpa para não poder sair do país);
. Fui para a Espanha e não comi Paella;
. Nem chamei ninguém de "CABRÓN";
. É legal a maneira como o "de nada" é falado em Espanhol. Parece o pessoal do sul falando;
. Sabe quando você vê uma palavra desconhecida em Inglês e não sabe como se pronuncia, e fala tudo errado? Vingança poética, o pessoal do trabalho não tem a menor idéia de como se pronuncia as palavras em Espanhol (que é quase igual ao Português). Era um tal de "R" enrolado e "A" com som de "EI" que foi uma beleza. Em algum canto escuro da minha cabeça podiam se ouvir risadinhas de vilão de filme infantil;
. Aliás aqui dá vergonha de ficar cantarolando a música que você está ouvindo no fone de ouvido? No Brasil você pode enganar e cantar errado em Inglês, aqui alguém vai te perguntar "WTF you're talking about?".

Amanhã vou no primeiro casamento no Canadá. Não considero casamento de verdade porque a festa é na casa de alguém e é para umas 30 pessoas - mas eles dizem que é - no convite está escrito "engagement party" e tem que ir vestido de preto e branco. Eu pensei em ir fantasiado de pinguim, mas eu acho que ia ser sacanagem.

A...

...acabou o que eu tinha para escrever. Até mais tarde, crianças.

Obrigado à todos pelos comentários no meu blog! Não são muitos, mas tem conteúdo!

The man says "MUSIC"...

... e a gente compra um CD de música Espanhola (mais especificamente, serenata Espanhola):

(isso foi no parque do Gaudi - parque Guell - depois disso o tiozinho tocou alguma música Brasileira cujo nome eu não me lembro mais)

The man says "JUMP"


(e a gente "JUMP")

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Immigrants

Quando eu estava na Espanha eu sentia que meu Espanhol não ia muito bem quando eu perguntava (ou respondia) alguma coisa em Espanhol, e a resposta era uma cara fechada (que diz "como você não fala a minha língua?") ou então era falada em Inglês, o que aconteceu inúmeras vezes devido à minha cara de gringo e ao fato de eu estar com meu bronzeado de inverno Canadense. Teve um taxista que pareceu particularmente irritado quando eu tentei ensinar o caminho para a casa onde a gente estava com o meu Portunhol meia boca. O seu grunhido significou "como assim você quer me ensinar o caminho na MINHA cidade, no MEU taxi (um belo de um Audi), falando este Espanhol FAJUTO?". Pois é.

Mas também teve um senhor e uma senhora no trem que foram super simpáticos comigo. Um cara do trabalho que estava comigo ficou boiando na conversa, mas fazer o que? Voltando à Espanholada, eles me disseram que o meu Espanhol era totalmente excelente, que o trem era de graça (a propósito, o trem era de graça) por conta de umas obras de melhoria que estavam causando transtornos para a população. Para o povo não ficar descontente, fizeram o trem grátis. A gente também conversou sobre mais uma dúzia de coisas, o senhor explicou para a senhora sobre como era frio no Canadá e como era uma terra bem despovoada, que existiam territórios imensos sem uma alma, e poraí vai. Perguntei se tinha muito Brasileiro na Espanha, e eles fizeram a mesma cara que alguém faria se eu perguntasse se tinha muita água em um Oceano. Pois é. Tem mesmo.

Os dois primeiros Brasileiros que eu encontrei estavam com maquiagem de zumbi em um supermercado no centro da cidade (Carrefour). Acostumado à escassez de compatriotas de Calgary, fui todo feliz falar "ehhh, eu também sou Brasileiro, que legal", e eles fizeram uma cara de "legal - mas e daí?". Depois de andar mais um pouco pela cidade e ver que a segunda ou terceira língua mais falada é o Português, percebi que eu devo é ter feito um belo de um papel de bobo comemorando ter encontrado outros Brasileiros. É o que mais tem por lá mesmo depois dos povos que falam Espanhol (porque tem muita gente da América do Sul em Barcelona).

Mas a impressão que eu tive mesmo é que o Canadá "adota" mais os imigrantes do que a Espanha. Pode ser uma impressão, pode ser verdadeira ou não, mas pelo menos em relação à língua o pessoal daqui parece ser muito mais relaxado do que o Espanhol. Até porque o Canadá é mesmo uma terra de imigrantes, um lugar novo formado e mantido por pessoas de todo o mundo, em ondas de imigração diferentes em épocas diferentes.

Ixe, estou divagando. Sinal de que é hora de ir dormir. A gente está vendo "Across the Universe" agora e tem um zilhão de músicas dos Beatles. Da hora. Agora eu vou para o meu canto. Ave Canadá, Ave Espanha, Ave Brasil.

Fui!!!

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Barcelona y otras cosas

Volver!

Voltei! Ainda estou meio zonzo por causa da diferença de fuso-horário entre Calgary e Barcelona (oito horas), fica tudo meio "invertido" no nosso relógio biológico. Ontem liguei para a minha mãe, para o meu pai e para o Kb.Lo, mas eu só consegui falar mesmo foi com a véia, já que o véio anda trabalhando até mais tarde e o mano devia estar na vida boêmia com sua digníssima namorida.

A viagem de Barcelona para Calgary foi tranquila, mas demorada. A cada parada (foram três vôos, duas paradas) o povo do meu trabalho tomava umas três cervejas - e quando chegava no avião ainda emendava mais alguma coisa. Eu fico só no meu suco de laranja e café (toda vez que a aeromoça passa e pergunta se eu quero alguma coisa eu respondo "orange juice and coffee - milk and sugar"). Bode no avião, tô fora. E eu também não preciso de nenhum artifício para me fazer dormir, é só me encostar em algum lugar que eu apago no instante seguinte.

Viagem

Barcelona é sensacional. Em alguns lugares a cidade parece um museu ao ar livre, já que todos os prédios tem uma característica peculiar em sua arquitetura. A semana de trabalho foi de trabalheira mesmo, mas nas folgas eu pude conhecer uma parte grande da cidade. No último dia eu e mais um cara do trabalho fizemos um tour rápido pela cidade usando o metrô, trens, ônibus e street cars. Alguns lugares interessantes:

Sagrada Família (não cheguei a entrar lá porque tinha MUITA gente lá dentro e tinha que pagar):


Parque do Gaudi - Parque Guell (eu sou o cidadão mal-vestido no meio da foto):

(tem um cowboy dourado à esquerda e uma múmia branca à direita na foto acima - assim como no Brasil, são estátuas vivas que se mexem quando a gente coloca dinheiro)

Mais uma (o cara que está comemorando lá em cima é o Jerry):


Banheiro do lugar:


Torre Agbar (o dildo gigante):


Um dia antes a gente tinha ido para uma cidade ao norte de Barcelona chamada Figueres, onde nasceu Salvador Dalí. A cidade fica na última cidade da Espanha antes da divisa com a França, a gente até cogitou de ir lá só para ganhar um carimbo no passaporte. Até imagino o diálogo:

. Motivo de viagem à França, senhor?
. Nada não, só quero ir e voltar para dizer que eu já fui na França. Só quero mais um carimbo no meu passaporte :-)

Infelizmente não fomos. Se eu for de novo para Barcelona um dia com certeza eu vou fazer um tour pela primeira ou segunda cidade no sul da França. Voltando para Figueres, lá tem o Teatre-Museu Dali, que a gente foi visitar. Algumas fotos:

Eggs:


Pessoas assistindo à descrição em Francês dada por um guia:


Retrato:


Teto do lugar:


Estátua (se eu fosse mais letrado eu colocaria outras informações além do óbvio):


Eu também fiz uns vídeos de alguns objetos em movimento:

(esse é o mais legal. Também tem este e este, que são legais, mas não são TÃÃÃO legais)

Falando em vídeos, este é um que eu fiz que eu achei BEM louco, é o trem de Sitges para Barcelona, na hora em que ele passa do lado do mar. Quando ele entra dentro do túnel fica um pouco chato, mas vale a pena ver mesmo assim (pelo menos é o que eu acho):


Fiz também dois vídeos em que aparece algúem tocando música, este aqui no parque Guell e este outro em uma estação de trem. Por último, tem este vídeo aqui no edifício Agbar, no museu da água.

Outros lugares que eu visitei no último dia que eu achei bem interessantes:

Arco do triunfo:


No parque onde fica este arco tinha uma pombinha bem fdp:


E haja foto. São quatro álbuns:

Barcelona


Barcelona from Facebook


Barcelona Part #2


Barcelona - Part #3


Isso aí. Viajar é bom, voltar é melhor. A expressão que o pessoal do meu trabalho usa para "saudades de casa" é "homesick", é meio como eu estava me sentindo nos últimos dias. Mas a viagem em si foi sensacional, vi os lugares que eu queria ver, trabalhei bastante, descansei pouco, pratiquei o Espanhol, voei bastante (eu meio que gosto de avião), em resumo valeu a pena.

Vou trabalhar agora. Tenho umas reflexões a fazer sobre o povo de lá, diferenças em relação ao Canadá, etc, mas agora estou muito sonolento para pensar.

Fui!!!

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Voltei

Estou vivo ainda, hoje a gente vai comprar uma TV nova e depois eu vou colocar o resto das fotos que eu tirei por lá. Viajar é bom, voltar é melhor. Foram quase 30 horas na estrada, 15 horas voando e 15 horas esperando em aeroportos. No último vôo eu estava meio morto meio vivo...

Vou nessa. Depois eu escrevo-lhes mais.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Ainda estou vivo!

Sumido, mas vivo. A partir de Domingo o trabalho começou para valer, então fica meio complicado arrumar meia hora para escrever aqui. Mas ontem a gente fez um "cooking show" e hoje todo mundo acordou mais tarde, e eu tive um tempinho livre. Bom, eu fiz mais 145 fotos, que estão no álbum abaixo:

Barcelona Part #2


Fatos e relatos:
> Ontem foi o dia da zica - bateram o carro (mas só quebrou uma lanterna), o vidro da porta corrediça da sala trincou e roubaram um membro da equipe no trem (furto seria o termo mais adequado). Levaram 100 dólares, mas foi só isso;
> O lugar onde o show está acontecendo é IMENSO (são oito pavilhões), e fica embaixo de um lugar que eu imagino que seja um castelo:

> outra (desta vez, do castelo):

> A Soraya sempre me falou para tirar fotos com a câmera inclinada mas eu nunca curti muito a idéia - mas até que o resultado é interessante:


Tem mais 142 fotos no álbum, eu infelizmente não tive tempo para colocar legendas nas mesmas :-(. Durante a viagem a saudade da família e dos amigos aperta mais e dá vontade de refletir sobre as vissicitudes da vida, distância, imigração, sobre a programação da TV de Domingo e de mais duas mil coisas, mas é meio chato ler sobre isso :-). A gente está bastante feliz já que o Kb.Lo vem nos visitar em Maio, e gostaríamos que os bundões dos nossos outros amigos também fizessem a mesma coisa. É mais fácil do que parece.

Hoje eu vou para o evento de novo, mas já vou começar a andar mais pela cidade. Quero tirar uma foto do big dildo à noite:


Of course, eu também quero ir na Sagrada Família e também em todas as outras coisas legais que tem poraqui.

Fui!

Depois lhes escrevo com mais calma.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Las nuevidades

Olá à todos. Reporto diretamente do campo de batalha. Hoje eu resolvi colocar as fotos que eu tirei na internet. Antes de começar, já aviso que eu tiro muitas fotos mas que dá para salvar uns 30%. E que também eu costumo tirar mais fotos dos outros do que de mim mesmo (eu não gosto muito de pedir para as pessoas tirarem fotos de mim). Felizmente, outras pessoas também tem o mesmo costume e estas outras pessoas usam o Facebook, onde dá para "marcar" quem aparece nas fotos, se este alguém é membro do mesmo. Como eu já faço parte do Facebook há um tempo (é o Orkut destas bandas), eu consigo ver todas as fotos onde eu apareço (o que é bem legal, diga-se de passagem). São dois álbuns, um grande, com as fotos que eu tirei, e outro pequeno, com as fotos que eu baixei do Facebook:

Barcelona


Barcelona from Facebook


Vou colocar as fotos mais legais aí embaixo:

Arthur vestido de trem (não é de Barcelona, mas eu gosto):


Placa de ponta-cabeça no trem (e o Tony embaixo da placa):

(a propósito, os trens aqui são um espetáculo - o moleque ia adorar - mas o mais estranho foi um trem passar a toda velocidade na estação à um metro do povo que estava esperando o próximo trem - foi qualquer coisa de assustador)

Me senti em Santos:


Barquinho no meio do mar:


E o marzão azul:

(a vista que se tem do trem entre Barcelona e Sitges é espetacular - especialmente na hora em que o trem fica bem próximo da costa e tudo que se vê da janela é mar - foi quando eu tirei esta foto)

O touro pensando e eu coçando o queixo (eu queria que parecesse que eu estava pensando também, mas fazer pose com touro sentado não é bem meu forte):


Tiozinho que servia café e que parecia saído de um desenho animado:


E o "mercado municipal" de Barcelona, onde esta foto foi tirada:


O tal do prédio do tal do artista que era daqui (acho que era Gaudi):


Prédio azul:


Prédio-árvore:


Uma foto da casa onde a gente está:


Vista da cidade a partir da casa:


Rua:


Paisagem vista a partir da casa:


E paisagem vista a partir da cama:

(bonito, mas no Brasil tem igual)

Eu fingindo que sou câmera:


E tem mais um monte de foto que vai ser tirada hoje.

Fui!

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Sobre a viagem

Primeiro, a viagem. Saímos de Calgary para Montreal às sete da manhã, chegamos um pouco atrasados no aeroporto, mas nada demais. O vôo foi bem tranquilo, em um avião da Embraer (eu me achei o tal, fiquei procurando "Made In Brazil" em tudo que é canto mas infelizmente não tinha nada em lugar algum). Chegamos em Montreal em tempo, estava um tempo bem feio por lá, bastante neve, frio, turbulência antes da aterrisagem, uma nhaca geral. Uma vez lá, chego no departamento de imigração americana (no Canadá dá para fazer a entrada nos Estados Unidos antes da viagem - ainda em território Canadense) com umas dez malas. O cara me pergunta o que é tudo aquilo, eu digo que são equipamentos de filmagem, ele me pergunta se vale alguma coisa, eu digo que não, e fica tudo por isto mesmo. Mais outra viagem, mais outro atraso, tivemos que sobrevoar NY por meia hora até dar a hora de pousar. Chegamos e literalmente voamos até a área de embarque da Continental, que é a companhia aérea escolhida para fazer a viagem até a Espanha. O aeroporto é tão grande que você tem que pegar um trem (AirTrain) para ir de um terminal ao outro.

Suados e cansados, chegamos a tempo para o vôo em direção à Espanha. Além de estar com três poltronas só para mim (o avião estava 60% lotado, eu acho), eu ainda pude ver toda Nova Iorque de cima. Sensacional. Eu vi a parte da Ilha de Manhattan onde ficava o World Trade Center, logo depois o avião sobrevoou o Times Square, que eu reconheci porque é super iluminado, parece que pegaram um lâmpada 110 e ligaram no 220. E aí depois, só para fechar com chave de ouro, passamos por cima do Central Park, que eu sempre quis ver - não deu para ver muito do parque em sim porque já era de noite, mas as luzes eram todas muito bonitas. Foi uma vista e tanto. O Central Park é enorme, e a cidade de NY é muito bonita, vista pelo alto. Sou até obrigado a dizer que eu fiquei torcendo para a gente perder um vôo e passar um dia em NY, mas não rolou.

Chegamos a Barcelona no dia seguinte. Descemos no meio da pista, já que nem todo aeroporto de primeiro mundo tem aquele "troço" que se acopla ao avião. Com certeza esta foi uma experiência interessante. Saímos de lá e pegamos o trem em direção à Sitges, a cidadezinha onde a casa foi alugada. O trem foi uma experiência à parte. São todos enormes, e aqui trem é coisa séria - dá para ir para todo lugar com ele. No trajeto, vi algumas coisas que eu não via já fazia algum tempo, como cachorro na rua e roupa pendurada na janela (do lado de fora, bem estilo periferia). Outra coisa que eu não via fazia um tempo foi o marzão azul sem fronteira, que apareceu para a gente depois de um túnel. Dá-lhe mar. Dá-lhe Mediterrâneo. Depois que a gente chegou o povo bebum do meu trabalho foi logo emendar umas cervejas em um bar em frente à praia. E eu finalmente coloquei meus pés em outro oceano, só por uns 15 segundos que depois disso os dedos começaram a doer de tão fria que a água estava. Muito bonito o mar e a cidade em que a gente está (Sitges), parece uma "Paraty turbinada", pois é tudo bem antigo e tem muita coisa feita de pedra, mas a cidade é maior e tem mais infra-estrutura. Chegamos na casa, que é uma beleza, tem vista para o mar e mais uma meia dúzia de agrados, eu esperei dar um horário decente em Calgary (são oito horas de fuso), e liguei para a Soraya. A gente conversou por uns 15 minutos e depois eu me segurei acordado até sete da noite, quando tive que ir dormir (não queria dormir antes para forçar meu corpo a se acostumar com o novo fuso, oito horas é dureza). E hoje, fomos para Barcelona.

É engraçado o sentimento que deu quando eu fui hoje, quando eu fui na cidade. Parece um Brasil que deu certo. As pessoas se vestem como as Brasileiras, as mulheres são bonitas como as Brasileiras (o povo em geral é mais ajeitado do que o povo de Calgary), as ruas são irregulares como as ruas das cidades do Brasil (muito diferente de Calgary), os carros são praticamente os mesmos, mas as ruas são mais limpas e com certeza há menos pobreza e violência. É uma cidade muito mais pessoal do que Calgary, que pelo fato de ser muito organizada fica meio impessoal às vezes. A cidade tem algumas vistas que são muito bonitas, uma rua aqui e ali onde a luz parece "inundar" os prédios de cima para baixo, mas não é muito diferente de algumas cidades Brasileiras. Se o Brasil não tivesse os problemas que tem, poderia ser uma Espanha da vida, em minha humilde opinião. Eu talvez vá ver os pontos turísticos amanhã. Do que eu vi até agora, gostei muito. Eu já falei para a Soraya que a gente pode até tentar o projeto Espanha 2009-2010, se eu descobrir que o povo aqui mora em casas, e não só em apartamentos (aqui tem MUITO prédio, como em qualquer cidade média Brasileira).

Meio louco pensar que estou na Espanha na beira do Mediterrâneo. A minha empresa de vez em quando não paga o salário mas dá estas viagens de vez em quando. Me sinto meio subornado, mas whatever, vou conhecendo um pouqinho um mundo e tirando umas férias aqui e acolá. Pena que a Soraya e o Arthur não estejam aqui, mas eles também estão se virando bem em casa. Aliás, Sô, se você ler este post, vou ligar aí em casa mais tarde.

Ok, fui! Vou comer! Abraços...

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Blog em marcha lenta pelos próximos doze dias...

... já que vou estar viajando. Embora o evento que a gente vá cobrir seja em Barcelona, a gente vai ficar em uma cidade chamada Sitges, que fica mais para o sul. Na hora em que eu falei para a Soraya o nome da cidade, ela disse "ah, tá, já ouvi falar". Como assim já ouviu falar? Acontece que a cidade é famosa pelo seu carnaval, cultura, e também por ser um dos principais destinos de turismo gay da Europa. Eu nem sabia que Barcelona era na Catalunia, vou conhecer uma cidade chamada Sitges? Parece nome Grego.

E lá vai o bonitão aqui, depois de ir para São Francisco, indo para Sitges. A casa que o pessoal do trabalho alugou não é fraca não, tem piscina e mais uma meia dúzia de frescuras. Dizem que dá para ver a praia de lá. É inverno lá também, mas eu pretendo pelo menos pisar em um outro Oceano (no caso, Mar, porque é o Mediterrâneo, até onde eu sei a gente chama de Mar e não de Oceano), já que quando eu fui para São Francisco só vi o Oceano, mas não pisei nele. Em compensação, pisei na Golden Gate, mas não vi a danada. Acho que agora eu consigo fazer alguma coisa por inteiro.

Legal mesmo seria se a Soraya e o Arthur fossem comigo, parece que estas viagens ficam meio "vazias" quando eles não estão juntos. Uma das viagens mais legais que a gente fez foi para Paraty, já faz mais de três anos, o meu carro (snif, snif) era novinho ainda. Foi só um final de semana, mas ficou bem registrado na memória. Quando eu faço este tipo de viagem é como se não tivesse alguém para compartilhar as lembranças, sei lá, é um pouco estranho. O que importa é que ela está feliz por eu ir (valeu, Sô), e que eu vou tentar tirar o maior número de fotos possível. E dia 17 eu volto. Se tiver internet por lá e também se algum notebook estiver disponível, aqui escrevinharei.

Fui!

Abraço à todos.

ps: É engraçado que eu não fico pensando "que puta viagem", acho que eu pensaria isso se fosse a turismo - eu fico pensando mais nas coisas que eu vou ter que resolver por lá, no trabalho, do que na viagem - a única coisa que eu fico pensando por lá é ficar na praia e sentir um pouco da brisa do mar, já que eu acho que vai ser como estar em Santos no inverno - a praia está lá, eu estou aqui, e estamos bem assim - está muito frio para poder tomar um banho de mar (se bem que não sei, do jeito que eu gosto de mar, vai saber). Já é o terceiro país a visitar, até oito meses atrás eu não tinha botado os pés fora do Brasil. Que coisa. Agora eu tenho que cumprir a minha promessa e levar a Soraya e o Arthur para visitar estes lugares também.

ps 2: Hoje recebo um E-Mail da Expedia me dizendo que tinha havido uma mudança no meu vôo para o Brasil e que eu precisava ligar com URGÊNCIA para lá para saber o que tinha acontecido. Puta merda, "o que será que aconteceu?", "não vou mais para o Brasil", "descobriram que a passagem estava muito barata", "meu nome entrou no SPC", "o dono da empresa é católico e descobriu que eu não sou batizado", o que aconteceu?!?! Meia hora pendurado no telefone depois, descubro que a viagem de Calgary para Toronto foi adiantada em uma hora - a menina do outro lado me pergunta se tinha algum problem e eu respondo "problema nenhum - quando eu li o E-Mail eu achei que tinham é cancelado tudo" (em Inglês foi "whatever - i thought that everything was cancelled - one hour, no problemo").

Fui!

Vídeo de Calgary no Fantástico

Saiu no Tapioca Congelada:

http://tapiocacongelada.blogspot.com/2006/01/vdeo-calgary-no-fantstico.html

O vídeo começa em Calgary e vai até a região de Banff, Jasper e a Icefields Parkway. Em determinado momento a Glória Maria fala Sinook mas ela quer dizer Chinook. Em outro momento ela bebe da fonte da juventude e de imediato descobrimos que a mesma, de fato, não funciona tão bem (vou pro inferno mas vou rindo).

Achei muito bom este vídeo.

Também gostei muito este post que saiu no Tapioca Congelada sobre o tempo em que o dono do blog passou aqui, é beeeem longo mas tem bastante informações sobre a cidade, a província de Alberta (onde também fica Calgary e imigração em geral).

Pois bem. Hoje está um pouco frio, -15 graus, mas já estou meio acostumado e nem ligo mais. Hoje estou "só" com 3 calças ao invés das 4 que estava usando nos dias de -35 graus. Também estou com uma camada a menos em cima e não passei frio. Ontem eu lavei TODAS as minhas roupas de frio, em parte porque vou viajar mas porque também já era hora. A minha luva virou do avesso e eu tive um trabalhão para colocar ela do lado certo. Sábado eu aparei a juba (cortei o cabelo para os leigos e para quem não me conhece e não sabe que é juba mesmo), junto com o moleque. A gente foi em um Japonês que tem perto de casa, apenas dez dólares o corte, sendo que ele até poderia cobrar mais da gente, cada um deu trabalho extra de um jeito diferente.

Amanhã sete horas da manhã embarco para Montreal, depois para NY, depois para Barcelona. Chego lá nove da manhã (de Quarta-feira), imagino que este seja o horário local de lá.

Fui!

Crime em Calgary e também alguns curtas

No Brasil eu assinava a Veja. Aqui, a gente passou a assinar o Calgary Herald, o jornal da cidade. Nestes últimos três dias, o jornal publicou uma matéria especial com uma análise de todos os assassinatos cometidos na cidades nos últimos 15 anos (270, no total). Dá mais ou menos 18 assassinatos por ano. Dois terços destes assassinatos foram cometidos com armas brancas (armas que não são de fogo), o que também é um reflexo do fato de que a maioria dos assassinatos foi cometida dentro de casa (crimes passionais). Há bem poucos casos em que o assassinato é cometido por um desconhecido (a situação que mais gera medo nas grandes cidades, em que o assassinato é fruto de um roubo mal-sucedido - latrocínio - ou de uma invasão à residência).

Nos últimos anos houve um aumento no número de assassinatos cometidos por gangues, e o reflexo disso é que também aumentou o número de casos não resolvidos (em que ninguém é condenado ou em que o perpretador do crime comete suicídio). A impressão que dá é que a polícia sabe quem faz parte das gangues, tem uma idéia de quem pode ter comedito determinado crime, mas pouco pode fazer a respeito (já que não consegue obter provas dos crimes cometidos).

Eles também fizeram um mapa que traz o número de assassinatos por bairro na cidade (nos últimos dezesseis anos). Meu bairro, Killarney, teve um assassinato nos últimos dezesseis anos:



O pior bairro foi o Beltline, que fica colado com o centro da cidade:



O mapa é bem interessante e vale uma visita.

Existem crimes, existem, mas é em uma escala bem menor do que no Brasil. Eu tenho um pouco de receio dos moradores de rua do centro da cidade, parece um bando de drogados pronto para te assaltar a qualquer momento, mas parece que isto também não acontece com frequência. Mas é só lá. Existem alguns bairros da cidade que são mais violentos (Forest Lawn, Beltine), mas onde eu moro os números de crimes contra a propriedade e contra a pessoa (assalto, agressão, etc...) são muito baixos.

Embora em São Paulo o número de homicídios tenha caído bastante nos últimos anos, a chance de ser assaltado em um semáforo é muito grande, assim como a probabilidade da sua casa ser invadida por assaltantes. Aqui, estes crimes são extremamente raros.

Viagem

Ontem arrumei a mala. Demorei meia hora para conseguir achar o passaporte, só conseguia pensar no mesmo no lixão da cidade, mas por fim o danado estava em um canto de um armário. Agora está tudo certo. Vou só imprimir alguns papéis sobre o evento em que eu vou porque, como sou Brasileiro, pode ser que a imigração Espanhola encrenque comigo. Vai saber.

E amanhã estou viajando. Vai ser um dia 23 horas. Pauleira.

Fui!!!

Se der eu escrevo mais antes de viajar. Abraços!

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Nem a pau, Juvenal

Hoje o pessoal do trabalho me chamou para jogar Hockey sobre o gelo em uma "quadra" pública, na zona "norte" da cidade (longe pra dedéu da minha casa na zona "sul"). Aqui em Calgary você paga para jogar em quadras indoor (a palavra certa seria "rinque", talvez?), mas para jogar à céu aberto é de graça, só tem que compartilhar a quadra (ou rinque?) com quem mais estiver por lá.

Pois bem. O primeiro revés é que eu teria que alugar um par de patins. O segundo revés são os próprios patins - eu já preciso de 120% da minha coordenação motora e afiado equilíbrio para poder ficar em pé em cima daquelas lâminas de metal. Fácil seria se o gelo não fosse liso e se os patins tivessem pregos ao invés de uma lâmina afiada feita para deslizar sobre o gelo. Pois bem. Some o gelo, os patins, eu (o que é um fator importante), toda aquela vestimenta para se proteger daquele disco de borracha assassino, o bastão (ou sejá lá que nome eles dão para aquele troço que eles usam para lançar o disco de borracha longe), junte tudo isso e ainda multiplique o frio, o vento e o fato de que Terça-feira eu estou indo viajar (e preciso passar um tempo com a família e arrumar a casa), e você terá uma vaga impressão da minha vontade de atender este evento.

O pessoal do trabalho é legal. Eu já prometi que um dia eu saio da bolha e vou fazer alguma coisa com eles (eles me chamam de bubble boy porque a gente sempre tem alguma coisa para fazer e não tem como ir nas coisas que eles fazem), mas jogar Hockey, com -15 graus, a céu aberto, em um Sábado, antes de uma viagem, nem a pau, Juvenal.

Aliás a minha rua está com uma camada de gelo tão lisa, mas tão lisa, que eu tenho certeza que, se eu soubesse patinar e tivesse um par de patins, eu poderia patinar do ponto de ônibus até em casa. Ia ser bonito. É que nem na casa da minha mãe em Caraguatatuba, que quando enchia de água por causa das chuvas, vinham os patos nadar em frente à nossa casa. Era surreal mesmo.

Fui!

Friday short shots

Software aberto:
Neste últimos dias o placar tem sido Dia 1 X Ravi 0. Eu estou tendo uma trabalheira para fazer algumas coisas funcionarem que é uma coisa de doido. Ao invés de pagar 32 mil dólares por um produto decente, a gente está tentando ver a alternativa com código aberto, e eu só posso dizer que o produto que custa 32 mil dólares provavelmente funciona 32 mil vezes melhor do que qualquer alternativa gratuita que a gente viu. Não existe almoço grátis.

Clima:
Hoje "esquentou", a temperatura agora é de -18 graus, mas amanhã de manhã voltamos a média de -32 graus que tivemos no começo da semana. Hoje o shopping-center onde a gente costuma comprar comida estava com metade do estacionamento fechado e tivemos que parar o carro meio longe da porta. Na volta, com a sacola de comida na mão e sem luvas, São Pedro resolveu aparecer e soprou uma brisinha tão gelada, mas tão gelada, que parecia que era o Super-Homem tentando apagar algum incêndio que estava atrás da gente (para quem não é nerd, o Super-Homem tem um sopro gelado de fazer inveja a qualquer corrente de ar polar, que é o que anda rolando aqui nestes últimos dias).

LOST:
Hoje volta o LOST! Aleluia. Os fios da **** nos fizeram esperar 260 dias para saber o que diacho aconteceu com o povo da ilha (não vou colocar mais detalhes aqui, afinal pode ser que tenha algum atrasado que ainda não viu o fim da terceira temporada). Eu sei que o fim da quarta temporada (esta que começa hoje) também vai ter um desfecho surpreendente, com um senhor gancho para a próxima temporada, mas esperar quase 300 dias para retomar a sua série favorita é DOSE!

Calgary Herald:
O Calgary Herald começou a chegar em casa. Semana passada passou um carinha dizendo que o jornal tinha um programa com a faculdade, e que eles iam ajudar a bancar seu estudo se ele entregasse o jornal para as pessoas que topassem participar do programa. O programa é simples - pagar 12.50 por mês e receber o jornal todo dia em casa - se depois de 3 meses você ainda quiser o jornal, é só ligar lá e cancelar tudo. Muito bom, exceto que o jornal fica a quatro passos da porta e eu tenho que pisar na neve para chegar lá. Para ser perfeito, só se ficasse na porta mesmo.

Tigre Siberiano:
No começo da semana nem os Tigres Siberianos (manja Sibéria?) ficaram do lado de fora do Zoológico (eles ficaram do lado de dentro, onde tem aquecimento). E pra querer mandar criança para a escola com este tempo? O trem não funciona direito, os ônibus demoram para ligar, a garrafinha de água congela em 15 minutos do lado de fora. Nem a pau, Juvenal. Só o papai picolé que saiu de casa nestes dias.

Brazilian Fountain:
Meu trabalho é uma babilônia. Tem o "team China", o "casal Rússia", um Ucraniano e eu, o Brasileiro. A gente costuma se referir um ao outro com a nacionalidade, como "give this to the Russian", ou então o Curtis diz "speak to miss Russia", que é a Karina, esposa do Eugene, ambos Russos. Bom, estava eu aqui na minha mesa tomando água na minha garrafinha Canadense quando engasgo, com a boca cheia de água. Tentando acabar com o sofrimento, virei o rosto para cima e, sem poder controlar meus instintos de sobrevivência, tossi novavemente, e desta vez a água voou toda sobre meu rosto. O Ruangvid, que é da Tailândia, virou e disse "Heya, it's a Brazilian Fountain" (ei, é um chafariz Brasileiro). Ninguém merece.

E eu ainda tenho que ouvir que eu sou Brasileiro falsificado, porque não sei surfar, sambar nem jogar bola.

Calota:
Hoje eu vi uma coisa inusitada. Uma calota se soltou de um carro e andou por uns 200 metros na rodovia até parar em um banco de neve. Esta é uma coisa que você não vê todo dia.

Porque tantos curtas?
Porque eu fico meio sem tempo de desenvolver uma história com início, meio e fim que soe coesa. Agora, por exemplo, eu estou esperando um negócio terminar de compilar no Linux. Já está compilando há dez minutos, e vai levar outro tanto, eu acho. Neste meio tempo, eu venho aqui e escrevo um "curta". Se eu contasse uma história e tivesse que parar várias vezes no meio, o meu humor mudaria demais e a história ficaria muito estranha. Seria como começar a história da Branca de Neve e acabar com Romeu e Julieta (todo mundo morre no final).

Blog
Vários comentários nestes últimos dias! Obrigado Octávio, bom saber que tem quem tenha paciência de ler tudo, espero que o seu processo termine bem e que você consiga vir para cá. Seus filhos estão em uma idade boa para vir para cá, falo por experiência própria. Com 4, 5, 6, 7 anos (ou menos), eles aprendem Inglês super rápido, não tem muitas "amizades" no Brasil e se relacionam super bem com outras crianças. Eu ficaria meio ressabiado de vir para cá com um filho adolescente, mas com o meu tendo 4 anos, nem tive dúvida (ele tinha 4 quando a gente veio para cá e fez 5 aqui). Obrigado também Marília (e também tia Marília, com quem já não falo à um tempo) e ao Anônimo que também lê o blog.