Me At Canada

Quarta-feira, 20 de Agosto de 2008

Alguns curtas que não tão curtos

Ontem chegou o meu MP3 Player. Um Creative Zen. Ganhei com as minhas milhagens da Air Canada. Mais precisamente, 11500 milhas. Demorou alguns meses, mas eles finalmente processaram a viagem que eu fiz para São Franciso ano passado e eu pude pedir o tal do aparelhinho.

Sensacional. Eu me sinto meio Zé com estas coisas, mas é sensacional poder ouvir músicas no transporte público a caminho do trabalho. Comecei com Chico Buarque:

. Construção e Deus lhe Pague (por este pão pra come, por este chão pra dormir);
. Cálice (pai, afasta de mim este cálice...);
. Pedaço de Mim (a saudade é como um barco ... que aos poucos descreve um arco ... e evita atracar no cais);
. Hino de Duran;
. Pivete (no sinal fechado ele vende chiclete).

Depois eu cansei de Chico e fui ouvir um pouco de serenata Espanhola (Astúrias e Recuerdos de lha Alhambra).

Depois eu cansei da serenata e fui ver os clipes que eu tinha colocado sem querer no MP3 (Amy Winehouse).

Aí depois eu cansei das minhas músicas e liguei a rádio (XL 103), e fiquei ouvindo "Why Can't We Be Friends".

Sensacional. Eu ouvi Deus lhe Pague (óbvio que o vídeo vai sair do ar em uns poucos dias) umas três vezes e fiquei pensando na empresa onde eu trabalho:

Por esse pão pra comer, por esse chão pra dormir
A certidão pra nascer, e a concessão pra sorrir
Por me deixar respirar, por me deixar existir
Deus lhe pague

Pelo prazer de chorar e pelo "estamos aí"
Pela piada no bar e o futebol pra aplaudir
Um crime pra comentar e um samba pra distrair
Deus lhe pague

Por essa praia, essa saia, pelas mulheres daqui
O amor malfeito depressa, fazer a barba e partir
Pelo domingo que é lindo, novela, missa e gibi
Deus lhe pague

Pela cachaça de graça que a gente tem que engolir
Pela fumaça, desgraça, que a gente tem que tossir
Pelos andaimes, pingentes, que a gente tem que cair
Deus lhe pague

Por mais um dia, agonia, pra suportar e assistir
Pelo rangido dos dentes, pela cidade a zunir
E pelo grito demente que nos ajuda a fugir
Deus lhe pague

Pela mulher carpideira pra nos louvar e cuspir
E pelas moscas-bicheiras a nos beijar e cobrir
E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir
Deus lhe pague


(o único aspecto da música que tem a ver com a minha vida é o trabalho - no resto a minha vida é mais interessante do que a do coitado que é o protagonista da música. A versão que toca depois da música Construção é um pouco mais curta)

Chico Buarque é o cara. A Cristina, esposa do meu pai, devia ficar louca da vida comigo quando eu ficava ouvindo um dos LP's que o meu pai tinha sem parar. Eu sou meio estranho - o primeiro LP que eu pedi foi o The Wall, do Pink Floyd.

Bom, começo no emprego novo Terça-feira, dia 26. Segunda-feira eu vou levar a Soraya no aeroporto já que ela e o Arthur estão indo para o Brasil il il. Vai ser meio estranho voltar para a casa vazia. Dá até letra de música. Vão ser cinco semanas dormindo com a persiana do quarto aberta. Vou tentar dar uma ajeitada "da boa" no quarto do moleque e arrumar nos papéis no armário da cozinha, que já está dando até medo de abrir.

Falando do emprego novo, eu pensei, pensei, pensei e pensei e achei melhor não mandar o vídeo do Freedom para o meu chefe. Buáááá. Mas eu vou mandar um E-Mail detalhando todos os motivos da minha saída, o que eu acho dos rumos que ele está dando para a empresa, mas infelizmente não vou pedir para ele fazer algo anatomicamente impossível (go f* yourself!). Mas Sexta-feira eu vou mudar o meu MSN para FREEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEDOM.

A raiva da empresa diminuiu já que, queira ou não queira, eles pagaram os salários atrasados. Eles ainda me devem muito dinheiro, mas deste eu nunca vou ver a cor. Não faz mal. Chorar leite derramado não faz bem à ninguém. O melhor nestas situações é cortar vínculos e dar tchau e benção. Um dos meus ex-colegas de trabalho me disse para ir e gritar "FREEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEDOM" na sala do chefe, mas eu disse que era um stress desnecessário (para mim). Acho que a minha saída já vai ser um baque grande para o hômi, já que ele com certeza não espera a minha demissão (já que eu estou aqui com uma Work Permit).

E, puta merda, a Soraya não vai precisar trazer uma garrafa de cachaça para a filha do chefe. Se bobear a gente aproveita a quota dela e tras uma para a Cecília e o Antônio, já que o Antônio sabe preparar uma caipirinha das boas.

...

Eu gosto dos jogos olímpicos. Dá gosto de ver alguém ganhando a medalha de ouro. E finalmente a ginasta favorita dos Estados Unidos ganhou o seu ouro. Pena que o Brasil saiu dos jogos Olímpicos no futebol. Eu gosto de torcer para o Brasil, eu vibrei quando eu vi na Internet que o Cielo tinha ganho o ouro. Sensacional.

...

É isso aí. Eu tinha pensado em mais coisas para escrever aqui mas elas foram para baixo com o meu café matinal. Se eu lembrar eu escrevo de novo.

Fui!

Terça-feira, 19 de Agosto de 2008

E uma nova era começa

Pois é.

Como a Soraya disse, as coisas boas vem em ondas. E hoje, 19 de Agosto, eu recebi o meu MP3 Player que eu ganhei com as milhas da Air Canada, a Soraya recebeu uma cópia da passagem para o Brasil pelo correio e...

... CHEGOU A MINHA NOVA PERMISSÃO DE TRABALHO

Pois é. Liberdade. Freeeeeeeeeeeeeeeeeeeeedom. A minha primeira idéia foi "foda-se, vou começar lá amanhã", mas depois eu parei para pensar e decidimos (eu e a Soraya) que seria melhor começar semana que vem e receber o pagamento aqui esta semana.

Segunda ou Terça-feira da semana que vem (já que Segunda-feira de manhã a Soraya vai viajar) uma nova era começa. E, se tudo der certo, vai ser melhor do que foi até agora aqui na padaria onde eu trabalho.

Mais do que felicidade, estou é com uma sensação de alívio.

Fui!

Associações de livre pensamento

Eu pensei em um Memê meu. Falar alguns lugares do mundo e a primeira coisa que te vem à cabeça:

Europa - queijo
Portugal - bacalhau
Itália - pizza e a torre de piza
Londres - névoa
Suíça - bancos
Suécia - sovacos femininos com pelos (sei lá porque cargas d'água)
Austrália - cangurú e água-viva
Canadá - frio e a mapple leaf
Estados Unidos - comida ruim e povo não muito acolhedor
Espanha - xingamentos em Espanhol
Alemanha - pessoas sérias, uma língua estranha que tem o melhor "não"do mundo, um Ná que dá até gosto de falar
Inglaterra - a rainha da Inglaterra e o Tony Blair
Brasil - sol, calor e catupiry
Normandia - eu só vejo uma imagem branca e penso "é, lá deve ser frio"
Miami - pessoas que gostam de se exibir, carrões e um ar artificial
São Francisco - pessoas mais tranquilas, carrões e um ar mais natural (e a Golden Gate Bridge)
Santos - pastel do Toninho
São Paulo - pizza
Leste Europeu - névoa e uma língua ininteligível
Oriente Médio - fanatismo religioso e guerras sem fim
Russia - o som do rrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr
Japão - casas pequenas, musiquinha para atravessar a rua e um povo meio estranho
China - Big Brother (o livro - que eu nunca li)
Vietnam - noodles
Monaco - fórmula 1
Tibet - o filme dez anos no Tibet e o chá de manteiga que eles tomam no filme e que deve ser horroroso
México - te chamas Miguelito? Te chamabas!
Venezuela - Hugo Chaves
Chile - nada em particular - que coisa
Argentina - churrasco
Bolívia - um certo pó branco
New York - a camiseta escrito "I love NY"
Vancouver - chuva
Calgary - pó (sei lá porque cargas d'água - eu gosto da cidade)
Caraguatatuba - chuva (até rima) - na verdade eu tenho várias lembranças de Caraguá porque afinal eu cresci lá - como a casa da minha mãe, as praias, o fato de que a cidade não tem um semaforozinho sequer, etc...
Belo Horizonte - Bérizonte (Mineiro que é Mineiro brevia as balavras)
Antárdida - pinguins
Pólo norte - esquimós
Gália (a terra do Asterix e do Obelix) - eu só consigo pensar que aquele Javali que eles sempre comem no fim das historinhas deve ser bom demais da conta
Irlanda - cerveja
Hong Kong - King Kong

Nossa, saiu bastante coisa. Eu gosto destas associações de livre pensamento.

Fui!

Preciso ver se a outra notícia já saiu no jornal

As notícias do jornal de hoje

Calgarians swelter in record heat

Calgary hit a record temperature yesterday, reaching 33.7 C, according temperature readings by Environment Canada late yesterday afternoon. The previous high was set in 1919 at 33.3 C.

With the high temps, Calgary EMS is warning Calgarians to take proper precautions to reduce the risk of heat related illness and injury. Applying sunscreen of 30 SPF or greater, keeping hydrated and avoiding midday sun are some of the top tips provided by city emergency medical services.

Children and the elderly are more susceptible to heat exhaustion and dehydration.
Pois é. 33.7 graus Celsius. Recorde absoluto (pelo menos é a impressão que a notícia acima me deu). Mas realmente estava quente - ainda bem que a gente deu uma saída à noite e nos livramos da casa no período em que ela fica mais quente, e ainda bem que aqui esfria à noite. A temperatura de manhã era de 17 graus e eu até cobri o Arthur ao sair de casa. Em Santos era impossível dormir em algumas noites.

Eu falei para o Jerry que estava quase como o lugar onde eu morava no Brasil. Mas existem algumas diferenças:

. Em Santos a temperatura chega fácil nos 38 graus Celsius e algumas vezes o termômetro encosta nos 40 graus Celsius;
. Com todos os prédios na orla da praia não venta muito nas ruas da cidade (tem dia que não venta absolutamente nada);
. Calgary tem um número absurdamente maior de árvores - e isto ajuda a refrescar a cidade;
. E em Santos não esfria à noite.

E a outra notícia, bem interessante também, eu vou colocar daqui a pouco quando eles liberarem a cópia da versão local na Internet, já que no site eles não publicaram nada (é uma que fala sobre como as pessoas que usam o transporte público são mais magras do que as que andam de carro).

Fui!

Segunda-feira, 18 de Agosto de 2008

Véia safada parte II, calor, Ikea

Hoje eu fui na Budget pagar os 315 dólares da franquia do seguro da Budget, graças à uma marcha a ré infeliz e uma véia safada que acelera ao invés de brecar para evitar acidentes. Fui na sede da Budget, perto do aeroporto - e com o mapa a tiracolo, embora agora eu já saiba como chegar do ponto A ao ponto B mais ou menos bem, como Calgary é uma cidade quadradinha a orientação é tranquila - e o espelho retrovisor do carro do vizinho ainda me diz se eu estou indo para norte, sul, leste, oeste e os demais pontos cardeais.

Bom, fui lá falar com uma tal de Miranda St Pierre, uma senhora que está mais para Pierre do que Miranda. Bom, eu fui até além do aeroporto à toa, já que eles não tinham maquininha de débito por lá. Perguntei se tinha alguma caixa eletrônico por perto e o mais próximo era no aeroporto - e o estacionamento por lá é pago. Muito prestativa, a sra. Pierre me deu o endereço de uma outra Budget, ela até fez um mapinha com quatro pontos de referências na estrada e todos os pontos estavam corretos - surpreendente. Fui na outra Budget feliz da vida com o meu cartão de débito, mas eles também não aceitavam - mas desta vez no posto de gasolina do outro lado da rua tinha um ATM (caixa eletrônico).

Paguei e peguei um recibo. Aliás, quando eu pedi o recibo o atendente ligou para um atendente nível 2 e no meio da conversa ele disse "é, eu disse para ele que não precisava, mas ele quer mesmo assim". E eu, tentando ser simpático, disse "you know, that's just in case", mas o coitado estava tão ocupado (eles precisavam de mais uns funcionários por lá) que nem um "yeah" ele falou.

E detalhe que esta outra Budget ficava a DUAS quadras do meu trabalho.

...

Hoje está um calor de lascar em Calgary. 36 graus. Celsius. Sério.

A gente foi na Ikea hoje comprar uns quadros, um espelho grande e uma capa para a cama (é como se fosse um colchão de "cima", mais macio), mas infelizmente a tal da capa estava esgotada. Ir na Ikea é um ritual. A primeira parte do ritual é ficar tentando fazer aquele carrinho maldito ir na direção que você quer. A segunda parte é montar tudo em casa. A terceira parte é apreciar a obra.

....

Nos meus últimos passeios de carro eu estou levando o mapa a tiracolo. Hoje na volta do trabalho de uma BELA de uma ajuda. E eu passei por uns dos bairros mais bonitos de Calgary, que fica na beira do Elbow Park. Quando o calor acabar e minhas pernas pararem de doer eu vou dar uma pesquisada e colocar o nome do bairro, história, localização e percentual de imigrantes aqui. Nem vou pesquisar o valor médio do aluguel que eu não quero ficar triste.

...

TRINTA E SEIS GRAUS. Imagina o Brasileiro que ao ouvir Canadá só pensa em pinguim (que aliás nem tem aqui, só no polo sul), e quando chega aqui se depara com um calor tropical. E como as casas aqui são projetadas para manter o calor fica um calor de lascar do lado de dentro. O bom é que a temperatura que agora é de 20 graus será de uns 17 no decorrer da noite, e de madrugada dá até para colocar o edredon.

Eu VOU ME ARREPENDER DE FALAR ISSO DEPOIS, mas eu até senti falta da neve, por uns poucos segundos...

...

Fui!

Domingo, 17 de Agosto de 2008

Um final de semana Brasileiro

Neste final de semana conhecemos duas famílias de Brasileiros que estão conhecendo Calgary pela primeira vez. Um dos casais foi a Eliane e o Paulo, que vieram com as duas filhas para morar - casal aplicado, já estão bem antenados na cidade e até GPS já tem. O churrasquinho foi muito bem, e a gente tem que aproveitar o lado de fora enquanto ainda dá. A Eliane lê o blog com frequência e também tirou sarro da véia safada! Aliás amanhã eu vou lá na Budget pagar os 315 dólares da franquia do seguro.

E no Domingo recebemos um outro casal, de Lorena (São Paulo), o Cláudio e a Adriana, que "nos conheciam" pelos blogs e me mandaram um E-Mail dizendo que chegaram à cidade (para um programa de intercâmbio) e que gostariam de dicas de lugares para passear, parques, etc... Eles vieram até em casa e a gente resolveu mostrar um pouco da cidade com o carro do vizinho (a gente também conheceu alguns lugares novos, como a área que deve ser perto do parque Bowness, já que o parque em si a gente não conseguiu achar).

Depois fomos levar eles em casa, em uma das comunidades novas da cidade, Taradale, onde 27.8% da população é formada por imigrantes (aqui em Killarney 16.3% da população é formada por imigrantes), e as casas são todas single family detached homes, mas bem menores que a da foto da Wikipedia. Foi bom para passear (e também para salvar uma hora de transporte público para os dois), e qualquer desculpa para usar o carro do vizinho, a gente está indo.

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Essas comunidades mais novas são engraçadas, as casas (e as ruas) são todas bem parecidas e fica tudo com uma cara um pouco mais "impessoal". Outra coisa estranha é que só tem calçada de um lado da rua. Eu estava até lendo em algum lugar que um dos problemas das comunidades novas é que não existem muitas opções de lazer a pé, normalmente o carro tem que ser usado para tudo (como se Calgary fosse o óasis dos caminhantes). Outra coisa engraçada é que lá a renda média mensal de cada família é de 58.309 dólares, enquanto aqui em Killarney, que teoricamente é um bairro mais caro, a renda média é de 46.548 dólares. Acho que deve ser porque em Killarney existem muitos estudantes e, como se sabe, estudante não ganha quase nada.

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Foi bom conhecer gente nova e rever os amigos antigos. A gente ainda tentou ligar para o Kb.Lo mas acho que ele não estava em casa. Devia ter ido para a balada.

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Eu recebi um outro E-Mail de uma leitora do blog de London, Ontário, a Cláudia Sasse, que resolveu compartilhar a história dela e mandou umas fotos da família (ela é casada com um Canadense e tem uma filha pequena, de nove anos, que já não fala mais a língua de Camões - mudou para Shakespeare). Eu e a Soraya achamos ótima a idéia dela se apresentar!

...

Nossa, que coisa. Eu falando de leitores do blog. É bom para encher um pouco o meu ego. O Kb.Lo quando ler isso vai escrever um comentário dizendo "deixa de ser bicha"! Poxa, Kb.Lo, você precisa criar um blog para eu poder te xingar também. Para que servem os amigos?

...

Acho que já compramos tudo que tínhamos para levar para o Brasil. Pai, avisa as meninas que elas finalmente vão ganhar os MP3's. Tenho que comprar mais uma lembrancinha para minha mãe, um bottom com a folha do Canadá, e uma camiseta para uma amiga da Soraya. Aí acabou. Segunda-feira, dia 25, eles vão pegar o avião. Demorou, mas chegou.

...

Três pontinhos

...

Acabou de cair uma chuva de verão em Calgary. Amanhã a temperatura será de 34 graus. Acho que vai ser o último dia de 34 graus deste verão. Este é o extremo máximo. O extremo mínimo é -35 graus. Digamos que o extremo mínimo dá um significado melhor para a palavra "extremo". A chuva de hoje foi precedida de raios, bem próximos de casa, daqueles que fazem parecer que alguém tirou uma foto com flash a dois metros de você. No comecinho da chuva veio o granizo, coisa comum por estas bandas. Foi bom para molhar a grama que mais estava parecendo um capim seco.

...

Estou escrevendo no fantástico ritmo de 10 palavras por minuto. Pouco. Estou com sono. Não sei bem, mas eu acho que consigo dar conta de umas 50 palavras por minuto escrevendo no ritmo de um esquilo eletrificado. Acho que é hora de ir tirar uma soneca.

...

Fui

.. (dois pontinhos só para ser diferente)

Fui!!!

Sexta-feira, 15 de Agosto de 2008

Canadá, curtas e pensamentos

Eu estava lendo alguns tópicos nos grupos de discussão e me lembrei de uma pergunta que sempre me fazem quando descobrem que eu sou do Brasil:

"Porque você veio para o Canadá?"

E eu respondo "não sei, aconteceu". E pior é que foi isto mesmo. Eu provavelmente já falei sobre isso várias vezes no blog, mas foi uma oportunidade de trabalho que surgiu e que a gente agarrou e segurou até conseguirmos vir. Foi meio difícil enquanto eu estava no Brasil (foi bem difícil) porque eu saí do meu emprego e fiquei trabalhando em casa sem receber. Seis meses depois nós estávamos em uma encruzilhada, com uma chance real das coisas aqui não darem certo, e tivemos que decidir de novo por vir já que tínhamos gasto tanta energia até então. Eu já estava com os dois pés fora do Canadá mas a Soraya fazia mesmo questão de vir e a gente decidiu que ia arriscar (já que a situação financeira da empresa aqui não era grande coisa) e eu peguei o avião umas semanas depois.

O meu primeiro mês aqui foi bom e ruim ao mesmo tempo. Depois de passar seis meses em casa com o moleque por perto o dia inteiro, a distância se faz sentir BASTANTE. E eu não tinha as comodidades que eu tenho hoje, como internet em casa, skype, telefone internacional e todos estes mimos. A minha primeira noite aqui foi horrível, eu estava cansado da viagem, liguei para o Brasil e o Arthur falou "papai, quando é que você vem para casa?" ou algo do tipo e eu chorei que nem criança. Eu estava me sentindo um lixo humano depois de 40 horas acordado. E nem conseguir ligar o chuveiro no banheiro do hotel eu consegui, tive que ligar para a recepção e pedir para eles mandarem alguém.

Mas depois de uma boa noite de sono meu humor melhorou bastante e eu pude conhecer a cidade com mais calma. Eu falava com a Soraya no Brasil quase todo dia e a gente se apoiou bastante nesta fase. Eles estavam loucos para vir logo também. De novo, ela que me manteve na linha e segurou a bronca. A espera foi um pouco maior do que a gente esperava...

... mas quatro semanas e alguns contratempos depois (depois da terceira semana a saudade aperta), eles chegaram. No começo a gente se sente meio deslocado, mas depois vai conhecendo mais a cidade e amadurecendo também. Mudar é uma coisa fantástica e complicada ao mesmo tempo - você perde quase todas as referências que você acumulou durante a sua vida, mas a descoberta e o contato com as coisas novas é algo estimulante, e que te faz querer continuar no "novo" até que o "novo" vire o seu dia-a-dia.

A viagem do Arthur e da Soraya para o Brasil é algo há muito tempo esperado e que finalmente saiu. Nós temos o costume de criar "metas" para poder continuar as coisas e a viagem para o Brasil era uma destas metas, e por várias vezes foi uma oportunidade que escorreu pelas mãos.

Mas agora vai! Eles merecem!

Só terminando de responder a pergunta lá de cima, eu acho que nunca pensei em vir para o Canadá. Parecia frio demais, vazio demais, longe demais e com gente de menos. E Calgary? Nunca tinha ouvido falar. Tive que pedir para soletrarem. Fiquei surpreso quando descobri que era a TERCEIRA maior cidade do Canadá e tinha mísero um milhão de habitantes. Come-on, um milhão?! Mas aqui estamos...

...

Falando em metas, eu também tenho minhas metas:

. Entrar no emprego novo para comprar uma bicicleta e perder minha amiga incoveniente, a barriga;
. Receber a restituição de imposto de renda (será que ela existe?) e comprar um violão;
. Receber a permissao de trabalho e mandar um E-Mail para o meu chefe com o videozínho FREEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEDOM do filme Coração Valente e explicar que na vida tudo é passageiro, menos o cobrador e o motorista.

...

. Junto com a incumbência de cuidar do gato do vizinho vem também a parte de limpar a merda da gata velha. Não contente com a caixa de areia ela resolveu cagar o porão inteiro. E é carpete. De repente, me senti menos culpado por estar usando o carro deles hora ou outra;
. Ontem cheguei em casa e fui com o Arthur no parquinho que é o "buraco". Não sei o que é aquilo nem como explicar, mas do lado do parquinho tem um campo do tamanho de uma quadra que é afundado em relação à rua, com várias mensagens de "não fique aqui se começar a chover". Deve ser tipo um piscinão daqueles que tem em São Paulo, mas mais humilde.

. Comecei a trabalhar com PHP no trabalho. É uma linguagem de programação para Internet. Aprender uma linguagem de programação nova é que nem aprender uma língua nova - a gente tem que consultar o dicionário para tudo e não dá para montar uma frase completa sem ajuda.

. Ontem eu fiquei vendo um esquilinho escalando a árvore de casa por uns 10 minutos. Na ponta de um galho tinha umas frutinhas pretas que eles devem adorar, porque o coitado quase caiu da árvore umas cinco vezes tentando alcançar o seu manjar dos deuses;
. Aliás, eu comi manjar uma vez. Não tinha gosto de nada;
. O pessoal do trabalho fica surpreso com o fato de que eu gosto de sal e que eu consigo comer sal sem tomar água depois (eu faço isso às vezes quando estou com um gosto ruim na boca, eu sei que não é bom, mas é só um pouquinho). Sal? Sal não é nada, eu não sei como é que eles conseguem comer tanta pimenta e ainda sentir algum outro gosto.

. Eu lembrei de alguma coisa positiva, esclarecedora e resolvedora dos problemas da humanidade enquanto eu estava no ônibus, mas ela foi esquecida em alguma pedrinha que eu chutei na meia quadra até o trabalho;
. Ontem eu cheguei atrasado porque o Arthur mudou a hora do alarme para nove horas;
. Hoje eu chegue atrasado porque eu não vi que o Arthur colocou o relógio para nove horas da NOITE, e ao atrasar o alarme duas horas eu botei ele para despertar sete da noite e não da manhã, como o esperado;
. E quando eu acordei e olhei que o dia estava mais claro do que deveria estar (e eu estava mais descansado do que de costume), pensei "nossa, mas eu arrumei o horário do alarme". Olho e vejo que o horário do alarme está "PM" e não "AM";
. Acordei e fui cobrir o menino. Pensei "boa Arthur, você deu uma hora a mais de sono para o papai";
. Aliás o Arthur só não se descobre quando está fazendo um frio glacial em casa. E eu sempre durmo de edredon;
. Palavra estranha. Edredon. Deve ser Francês.

Falando em Francês, liguei hoje para a receita federal daqui e me atendeu um Francês que não falava Inglês direito. Vou ter que esperar mais um pouco. Acho que até o Natal a restituição chega.

Nossa, quarenta minutos já se passaram desde que eu comecei a escrever. E, como eu cheguei atrasado, já é hora do almoço. Acho que eu vou comer para sumir com a culpa de não ter trabalhado ainda :-).

Fui!

Quinta-feira, 14 de Agosto de 2008

Respondendo a pergunta do Luciano (trabalho e TI no Canadá)

Sou leitor do Blog do Rio de Janeiro e da area de TI tb... faz tempo que eu não comento teu blog, mas lendo uns posts antigos onde vc fala aí do teu trab " eles fingem que pagam eu finjo que trabalho..." e tal... te pergunto (pq é uma dúvida minha):
Você profissionalmente se arrepende de ter imigrado ou acha que aí é mais fácil (agora q vc tem exp canadense) do cara de TI arrumar um emprego na área (programação C++, Java, enfim) ? Vc voltaria a morar no Brasil ? Desculpe o incômodo mas gostaria de saber sua opinião depois desse tempo que vc tá aí.... Obrigado, Luciano.


Poxa, boa pergunta.

Bom, Luciano, TI é uma área à parte. Como não existem diferenças nos termos técnicos e como um profissional de TI já está acostumado a lidar com o Inglês no dia-a-dia, a adaptação ao trabalho em uma empresa Canadense é relativamente simples. Dá mais trabalho se acostumar a falar Inglês o dia inteiro e se habituar a comida daqui do que "entrar" de cabeça no que você faz.

A empresa onde eu trabalho é dirigida por um senhor que se preocupa mais em como a empresa vai no mercado de ações do que se ela dá lucro propriamente ou não. As duas coisas (dar lucro e ir bem no mercado de ações) não precisam andar juntas e aqui, elas realmente não andam. Além disso, esta é uma empresa familiar (o velhinho e seus três filhos estão aqui), eles costumam bater cabeça dia sim, dia não, e para melhorar tudo a ética do velhinho acabou quando ele roubou o primeiro pirulito na escola.

Em resumo, é uma zona. Mas eu acho que é uma exceção. Eu digo "acho" porque eu não trabalhei em outras empresas aqui e não dá para ter uma opinião mais "científica" sobre isso. Mas eu estou mudando de emprego e a empresa para onde eu estou indo (Call Genie) parece ser bem mais organizada, ética e com um foco definido do que a empresa (que deveria ser de mídia) em que eu estou agora.

Sinceramente, eu acho que aqui não é muito diferente do que no Brasil. Existem empresas boas, empresas médias e empresas ruins. É meio óbvio, mas é o que eu acho. Existem péssimos programadores que acabam conseguindo uma vaga em alguma empresa de TI que tem um processo de contratação mais relaxado precário, existem outras empresas que são bem mais criteriosas e avaliam os aspectos técnicos e não se importam muito com as perguntas de RH (é o caso da Call Genie), e existem as outras que só querem bater um papo e tentar decidir se você é a "cara" que eles querem. Eu passei por uma destas.

Se eu me arrependo de ter vindo? Não, não me arrependo. Profissionalmente foi até um certo retrocesso vir trabalhar aqui, eu gostava bastante do lugar onde eu trabalhava no Brasil e vir para trabalhar com uma linguagem que não era a minha favorita em uma empresa com poucos funcionários. Mas a vida aqui é mais tranquila do que no Brasil e não existe a cultura de "ficar até mais" tarde como é bem comum em São Paulo. 5 da tarde vai todo mundo pra casa e pronto. Devem existir exceções (como um "burst" para fazer uma entrega"), mas esta é a exceção. A regra é ir embora para casa cedo.

Se é difícil arrumar emprego? Foi mais do que eu pensei que fosse ser. Mas eu não tenho nível superior (parei no colegial técnico, fica como "asssociate degree" no currículo), a minha experiência internacional era pequena (um ano apenas), e eu não tinha educação em nenhuma instituição Canadense. Além disso, eu estou aqui com uma Work Permit, o que atrasa qualquer constratação em uns dois meses. E para piorar eu fui procurar emprego na época das férias de verão, em que as empresas estão em marcha lenta já que tem muita gente de férias (como se fosse o Brasil entre o Ano Novo e o Carnaval).

Em resumo, foi um pouco mais difícil do que eu tinha achado a princípio. Mas cada caso é um caso e o meu caso tem vários poréns. Um junior que trabalhava comigo e com pouquíssima experiência de trabalho conseguiu arrumar emprego rápido porque era um residente permanente (ele é da Índia) e porque fez um curso aqui na Universidade de Calgary.

É importante você ter um Inglês pelo menos mediano na hora de fazer a entrevista (dependendo da filosofia de desenvolvimento da empresa, eles podem exigir mais neste ponto), e se a sua experiência for maior que a sua educação (meu caso) torcer para a entrevista ser técnica. Mas eu penso que mesmo se no começo você não conseguir achar o emprego ideal, depois de algum tempo aqui ele vai aparecer. A área de TI requer menos adaptação do que outras áreas, e com alguma experiência Canadense mais e mais portas devem se abrir.

Se arrumar emprego aqui é mais fácil do que no Brasil? Para mim, Ravi, que já trabalhei em cinco empresas (e prestei serviço em outras tantas), e conheço um sem número de pessoas no Brasil que podem me indicar para um trabalho (e que me dão uma contratação garantida em pouco tempo), não, não é. O "QI" (quem indica") é um fator importante na hora de contratar - e aqui eu não tive tempo de criar uma rede de "QI"'s. Aqui, eu dependo de outras redes para conseguir arrumar um emprego (recrutadores, sites de emprego, etc...), e eu sempre tive mais dificuldade com este tipo de contratação. Aqui foi o primeiro emprego que eu arrumei sem ninguém "de dentro" da empresa me indicar (tirando a COSIPA, que foi um programa de estágio), e mesmo assim a recrutadora foi indicação de outra pessoa.

Quem tem amigos, tem tudo.

Se eu voltaria a morar no Brasil? Claro! Sério, eu gosto do Brasil. Se eu volto a morar logo? Isso eu já não sei. Existem 300 coisas que fazem a balança pesar - mas agora eu não penso em voltar e com a perspectiva do trabalho novo em uma empresa sério o futuro aqui fica menos nebuloso. O que eu penso mesmo na hora de voltar para o Brasil não é o emprego em si (eu gostava do meu trabalho e eu posso voltar para lá se eu quiser), mas como eu ficava cansado do trânsito de São Paulo ou de viajar todo dia quando eu morava em Santos, no litoral. Mas se a balança pesar para o lado do Brasil, a gente pode voltar sim.

Se vale a pena? Com certeza. Eu não me arrependo de ter vindo.

Quarta-feira, 13 de Agosto de 2008

Ultimamente...

... eu tenho escrito na mesma velocidade com que eu penso (eu digito bem rápido e o pensamento, bem, ele é um pouquinho mais lento), e às vezes meus textos ficam meio confusos ou muito longos, e às vezes, os DOIS!

E com as minhas noites de pouco sono, graças à uma criança com energia infinita em casa (mas que a gente adora), eu tenho trocado mais as palavras nas frases do dia-a-dia:

. Fecha a luz e apaga a porta;
. Vou acender a carne e salgar a churrasqueira;
. Soraya, pega o banho que eu vou tomar um sabonete....

E poraí vai.

Ou então, que nem o Arthur, que disse estes dias:

"Mamãe, eu misso meus amiguinhos da escola"

Misso? Vem do verbo "To miss", em Inglês, que no sentido usado na frase acima quer dizer "sentir saudades". E tem outras, como "amarelo carro" e "gostosa melancia", já que no Inglês o adjetivo costuma vir antes do substantivo.

Fui!

Pensamentos diversos

Quando eu comecei a escrever no blog eu costumava escrever mais palavrões. Agora eu pelo menos não os escrevo literalmente, eu coloco asteriscos no meio (p****, c******, m****), e poraí vai. A gente vai vivendo e aprendendo.

...

Hoje em dia eu me arrependo um pouquinho de ter dado o nome "Me At Canada" para o blog. Sei lá, acho que alguma coisa menos original como "Meu blog" ou "Olha eu aqui, mamãe" seriam mais legais, mas já que eu sou eu, e eu estou no Canadá, vai continuar sendo "Me At Canada" mesmo.

...

(este não é pensamento)

A gente comprou um Wii. É aquele videogame que tem o controle que é sensível aos movimentos, em três dimensões (palavra da Wikipedia e plágio na cara dura). Ontem eu comprei um volante (baratinho, dez dólares, é só para colocar o controle no meio e ficar mais intuitivo) e a gente ficou jogando uns joguinhos de corrida. Uns amigos do trabalho me emprestaram uns jogos e o Arthur adorou foi o Excite Truck, uma corrida de picapes onde dá para pular, acionar o turbo e soltar fogo pelo escapamento, bater nos carros dos competidores, etc... Até agora a gente tem gostado, mas é claro que os jogos são meio basiquinhos quando você compara com um PS3 da vida. Mas ele custa um pouco mais da metade do preço do PS3 mais barato, então eu diria que vale a pena.

...

(este é um fato)

Na abertura das Olímpiadas na China eles usaram uma menina bonitinha que dublava a menininha feinha. Coisa feia.

Eles também tiveram uma tela azul do Windows no final da abertura, e mostraram fogos de artifício digitais em alguns momentos.

Por isso que a gente tem Pluma ao invés de Puma e é por isso que eles não funcionam direito!

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(dica culinária)

Ontem a gente foi no Swiss Chalet aqui em Calgary. Não é um Chalé, é um restaurante que serve um galeto igual ao Brasileiro, segundo a Soraya - foi dica da Cecília. A Soraya disse que o sonho do frango dela é ser igual ao frango que eles servem por por lá. Vale a dica, e não é muito caro, eu diria que é um "$$" na minha escala:

$ - shopis centis e fast-food
$$ - pagável uma vez por semana
$$$ - pagável uma vez por mês
$$$$ - pagável uma vez por ano
$$$$$ - impagável

Eu comi um bife bom, RARE (sangrento, a moça até falou que "so, you want it bloody, right?"), estava bom também. Mas como aqui eles não tem Picanha nunca vai ser igual ao Brasileiro.

...

(este é um ditado popular)

Quem espera sempre alcança.

Mas é sacanagem olhar o tempo de processamento das permissões de trabalho e ver que a cada semana eles aumentam o número de dias e o prazo nunca chega.

...

(eu sou um folgado)

Ontem eu vim trabalhar de carro (por isso que eu sou um folgado).

E a gente deu uma volta pela cidade, passamos pelo Mount Royal, passamos por um parque grande na beira do rio com pessoas correndo e andando de patins e nos sentimos na praia por um segundo, e depois fomos até Inglewood, um dos primeiros bairros de Calgary, que tem umas casinhas bem charmosas e bem velhas. É legal ver que a cidade é mais do que as quadras quadradinhas e as casas creme do nosso bairro - que até são bonitas - mas ver que existem ruas que não são simétricas e casas que não tem a arquitetura atual é como viajar para uma cidadezinha diferente.

Depois de rodar pela cidade eu fui alimentar o gato do vizinho e aí a gente foi no Swiss Chalet. Eu sei que é o bichano está com fome quando ele fica miando ao me aproximar da porta. Miaaaaaaaau, miaaaaaaaaaaaaaaaaaaau, e você que não tente fazer carinho na fera. Acho que quando o gato atinge os 13 anos de idade ele prefere passar as costas no concreto à receber carinho de um ser humano. Magoei.

Sniiif. Ele gosta menos ainda do Arthur, eu não sei porque mas eu acho que os filhos do meu vizinho devem ter judiado do gato. Em momentos extraordinários em que o gato está paz e amor eu até posso passar a mão nele, mas o Arthur chega perto e o bicho já fica em alerta máximo.

...

(queixas da cidade)

Poxa, o departamento de trânsito da cidade afastou o ponto de casa uma quadra. Tudo bem que ele era perto demais do outro ponto, mas agora ficou uma quadrinha mais longe de casa.

E em 2008 eles vão MUDAR a estação de trem que fica entre a 8a e a 9a ruas para o bloco entre a 7a e a 8a ruas. Agora eu vou ter que atravessar a rua DUAS vezes, uma para ir comprar o café no Macs e outra para ir até a estação. Assim não dá.

Deixando a ranzinzisse de lado (reclamar é viver, mesmo que seja para reclamar que o céu não está tão azul quanto deveria estar), estas estações novas são bem mais bonitas, limpas, claras e integradas à rua do que as estações antigas. Eu acho que é uma mudança bem vinda.

...

(relembrar é viver - mesmo que seja da morte do Tancredo)

Quero falar de uma coiiiiiisa
Adivinha onde ela aaaaanda
Deve estar dentro do peiiiiito
Ou caminha pelo maaaar

(se você nasceu no Brasil deve saber que esta música é Coração de Estudante)

Quantos anos faz que o Tancredo Neves morreu? Toda vez que eu lembro desta música eu lembro da gente vendo TV na sala e a notícia que o Tancredo Neves morreu. Eu nem sei que idade tinha na época, mas eu não sabia a diferença entre democracia e ditadura e achava que tinha que ser muito velho para poder ser presidente.

Mas da musiquinha tocando na TV, isso eu lembro.

E aquela musiquinha da Globo? Tã datã turarurã, ta darã turarú rurúúúúú... Aquela que toca quando tem um comunicado extraordinário. A gente sempre falava, pronto, alguém morreu. É que nem tocar telefone de madrugada - ou é alguém que não sabe do fuso horário ou é notícia ruim.

...

Está bom escrever, eu fico pensando em outros tópicos para colocar aqui, mas eu preciso colocar as coisas em dia aqui no trabalho e lavar o rosto.

Fui!

Terça-feira, 12 de Agosto de 2008

Toronto, 10 de Agosto



(pule para 1:50 para ver a explosão)

E a notícia você encontra aqui.

WHAT DA FUCK video:

Air Canada

Eu comprei a passagem aérea para a Soraya só de ida para o Brasil já que o dinheiro não dava para comprar ida e volta de uma vez. Calgary -> São Paulo. Se alguém já entrou no site da Air Canada, é mais ou menos isso que aparece quando você escolhe a data e tem que escolher a data do vôo:



A opção Leisure (lazer) está disponível, e é a mais baratinha. Pois bem. Foi esta que eu escolhi, eu paguei um pouco mais porque peguei um vôo em Agosto. Aí, eu fui dar uma pesquisada no vôo da volta, de São Paulo para Calgary:



Cadê a opção Leisure? Não tem! A opção Leisure é lazer, certo? Ela só está disponível no vôo Calgary -> São Paulo porque São Paulo é um destino de lazer, mas o caminho inverso não vale para esta tarifa. Sacanagem! No fim das contas, se eu conseguir mais dinheiro até o dia da viagem da Soraya, eu vou no balcão da Air Canada e mudo a passagem dela para round-trip, pego o desconto, e mesmo com a multa eu ainda vou economizar quase 800 dólares.

Pode?

Segunda-feira, 11 de Agosto de 2008

Hoje, como já é de praxe nas Segundas-feiras, acordei no horário em que eu devia estar chegando no trabalho e mandei um E-Mail dizendo "vou chegar atrasado", mas desta vez a secretária bipolar não estava na recepção (aliás, foi um espetáculo, só vi o primeiro ser humano ao entrar na minha sala), e mesmo depois quando eu a encontrei no corredor ela só perguntou como foi o meu final de semana, e eu disse "GOOD", trocamos mais uma meia dúzia de palavras como "COOL", "AWESOME", "CIRCUS", "HOT", "COLD", "RAIN", "PARTY" e fui eu cuidar das minhas coisas particulares no banheiro.

No trem tinha um família composta de uma mãe, duas crianças (chutaria uns seis e quatro anos), e uma avó que sentou do meu lado. Eles estavam dando uma volta de trem pela cidade que as crianças estavam curiosas para ver como é que é. Não é só o Arthur!!! E eu ainda dei a dica do Heritage Park, que tem o trem a vapor que o Arthur adora (e a gente também, o trajeto é curto mas é gostoso).

Hoje no ônibus da casa para o centro da cidade tinha um morador de rua fedorento - daqueles que fazem o nariz coçar. Um cara sentou do lado dele e saiu 10 segundos depois. Coitado. Tudo bem que deve ser a última coisa na lista de prioridades de um morador de rua tomar um banho e lavar a roupa, mas eu fico pensando se eles não tem umas máquinas de lavar roupa nos drop-in centers que tem pela cidade - e se tem, quanto custa para usar, se tem fila, se ninguém vai roubar a roupa alheia, este tipo de coisa. Eu tenho que ocupar a cabeça na uma hora que leva para eu chegar no meu trabalho e filosofar sobre a vida alheia é uma coisa muito boa para passar o tempo.

Pois é. Para mim existem duas classificações de moradores de sem teto:

. Os que acabaram de chegar, já arrumaram emprego mas ainda não tem onde dormir - porque é caro demais ou porque não conseguiram simplesmente encontrar um lugar - eu acho que para estes a cidade tem que realmente criar uma estrutura de suporte para que eles possam se estabelecer, principalmente porque eles provavelmente QUEREM se estabelecer;
. Os sem vergonha que não gostam de trabalhar (e ficam pedindo dinheiro na rua), ou os "crack-heads", como eles chamam aqui, que são os viciados com cara de zumbi que perambulam no centro da cidade. É chato alguém pedindo dinheiro, até é, mas se ficar nisso até vai. O problema mesmo são os crack-heads, que precisam arrumar dinheiro para satisfazer o seu vício. É por causa deles que existem assaltos no centro da cidade e é por causa deles que eu não gosto muito de andar por lá. É algo pequeno que não se compara à cracolândia em São Paulo, mas é bem chato de qualquer jeito.

Mas, terminando o que eu comecei a escrever uns parágrafos para cima, a vida nos ônibus e trens da cidade seria bem mais fácil se:

. Eles tomassem banho e lavassem a sua roupa com mais frequência;
. Eles jogassem aqueles malditos sacos de papel no McDonald's no LIXO e não no chão.

Mas faz parte.

Fui!

Filmes e umas notas de rodapé lá no fim

Eu adoro filmes. É uma das minhas formas de arte preferidas, dividindo a nobre lista de favoritas com músicas e quadrinhos (tirinhas ou humor, como Níquel Náusea, Calvin e Haroldo, Piratas do Tietê, Scrotinhos, e outras na mesma linha). Como na música o que importa mais é o ritmo do que o conteúdo (a não ser que eu esteja ouvindo Chico Buarque) e como quadrinhos geralmente não são muito "profundos" (às vezes Calvin e Haroldo são mais filosóficos), a única forma que eu tenho para poder absorver histórias (e temas) que me façam pensar, refletir, chorar, rir ou pensar "com que m* que eu fui gastar o meu dinheiro" são os filmes.

Por isso que eu falo tanto de filmes aqui - eu não leio livros! E é engraçado porque como eu OUÇO mais do que eu LEIO, toda vez que eu escrevo eu "leio" mentalmente o que eu estou escrevendo, dando uma entonação diferente para as partes que eu acho mais ou menos interessantes, ou quando eu quero que alguma passagem seja mais irônica ou debochada. Óbvio que quem está lendo não percebe isso.

Eu resolvi escrever sobre filmes porque agora passou na TV o final do Vanilla Sky. É um filme que vale a pena ver só pelo final.



... Se você não viu o filme e acha que saber final inutiliza o filme (o que eu acho que é besteira já que eu não sou muito chegado em surpresas mesmo), então não leia os parágrafos a seguir...

No final do filme, o protagonista do filme percebe que todo o pesadelo irreal que a sua vida se tornou nada mais é do que realmente um pesadelo irreal, protagonizado pelo seu subconsciente. Quando ainda vivia a sua vida "real" o pesadelo que ele vivia era outro, solitário, depressivo, com um rosto devastado por um acidente e escolhas erradas. Foi então que ele encontrou uma empresa que prometia congelar o seu corpo no evento de sua morte e, quando a tecnologia estivesse disponível, devolver o corpo à um estado de letargia, em que a realidade que o consciente estivesse vivendo fosse escolhida pelo dono do corpo quando ainda em vida. Como no filme À Espera de um Milagre, em que um dos prisioneiros imagina como seria o paraíso:

Do you think if a man sincerely
repents on what he done wrong...
...that he might get to go back to
the time that was happiest for him...
...and live there forever?

Could that be what heaven's like?

(o personagem de Tom Hanks respondendo) - I just about believe that very thing.

Had me a young wife when i was 18.
...spent our first summer in the mountains.

Made love every night.

And she'd lie there after...
...bare-breasted in the firelight.

And we'd talk sometimes
till the sun come up.

That was my best time.

Vou tentar traduzir:
Você acha que se um homem realmente
se arrepender do que ele fez de errado...
...que talvez ele possa voltar para a época
em que ele era mais feliz...
...e viver lá para sempre?

Será que este poderia ser o paraíso?

(o personagem de Tom Hanks respondendo) - É justamente nisto que eu acredito.

Eu tive uma esposa quando eu tinha 18 anos
...passamos nosso primeiro verão nas montanhas.

Fazíamos amor todas as noites.

E ela deitava lá depois...
...com seus seios iluminados pela lareira.

E algumas vezes nós conversávamos...
...até que o sol nascesse.

Aquela foi a minha melhor época.

O protagonista do filme (Vanilla Sky) também escolhe a melhor época da sua vida e a partir do momento escolhido por ele o sonho será iniciado. Tudo que aconteceu com ele a partir do momento em questão será apagado e toda a realidade criada a partir daquele momento será simulada com base no que o protagonista pensa ser o melhor possível para a sua vida.

No momento em que ele percebe que a sua realidade está errada, o protagonista do filme finalmente descobre uma saída e chama pelo "suporte técnico". Uma pessoa vem até ele, uma imagem do funcionário da empresa que vendeu o "pacote" que faz o seu sonho vivo hoje, e explica como todas as coisas que estão à sua volta são apenas criações artificiais baseadas em um mundo perfeito imaginado por ele. A relação dele com seu protetor é como ele imaginava que a relação entre um filho e um pai deveria ser, o céu era sempre um céu de Monet, o amor era como um filme Francês e o cenário era uma capa de um disco. Tudo para que o seu sonho fosse o melhor possível. Mas o seu sonho se inverteu e virou um pesadelo - já corrigido pela empresa que cuida deste paraíso virtual. Depois do que para mim são alguns dos 10 melhores minutos do cinema, o personagem tem que fazer uma escolha:

Viver no sonho perfeito ou acordar para uma realidade incerta em um mundo imperfeito...

Para mim a escolha seria lógica. Eu com certeza acordaria para a realidade incerta. Prefiro uma incerteza real do que uma utopia irreal. E essa foi a escolha do protagonista do filme também. Acordar e tentar viver a sua vida "real" do que dormir para sempre em um paraíso criado por seu subconsciente e poderosos computadores. Eu imagino como seria para mim acordar em um futuro distante e só consigo lembrar de outro filme, em que um homem pré-histórico congelado acorda no futuro, 10000 anos no futuro, e não consegue entender o que aconteceu com a sua família ou porque está tudo tão diferente.

Será que existiria um luto maior do que uma pessoa acordar 100 anos no futuro sabendo que tudo e todos que ela conheceu fazem parte do passado? E será que existiria descoberta maior do que ver o que aconteceu com tudo e todos que faziam parte do seu passado?

E eu refleti demais. Mas o filme vale a pena. Nem que seja só por estes 10 minutos finais. Que engraçado, esta história toda de real ou irreal só me fez lembrar de outro filme, Matrix. Mas acho que deste eu vou falar outra hora.

...

PS: Hoje em uma festa de aniversário (do pequeno Lucas), conheci algumas pessoas novas e descobri que o meu blog é mais famoso do que eu pensava! E finalmente conheci a Andresa e o Márcio, que a gente tentava ver já há um tempão!

PS 2: A gente comprou um Nintendo Wii. Muito legal. E o Arthur realmente consegue jogar, e jogar bem! E eu estou ganhando da Soraya no golfe!!! Mas ela vai aprender a jogar golfe de verdade em breve, e aí eu vou estar frito. É legal o tal do Wii. E é bom para perceber a falta de forma física depois de ficar com dor nos braços jogando beisebol virtual (se bem que se o controle escapar da mão em uma tacada, mata um - por isso que eu aperto bem aquele negócio no pulso).

PS 3: A Soraya e o moleque vão para o Brasil!!! Dia 25 de Agosto! Sexta-feira um milagre aconteceu e meu querido, estimado e amado chefe, também conhecido como velhinho f.d.p., resolveu pagar uma boa parte dos atrasados e finalmente, depois de 1 ano de espera, eu pude comprar as passagens para os dois irem para o Brasil. Tomara que eu consiga comprar as passagens de volta...

Fui!

PS 4: Umas fotinhos: http://picasaweb.google.ca/sorayacw/20080803

Domingo, 10 de Agosto de 2008

Feliz dia dos pais!!!

Para o meu pai, para o pai da Soraya, para o Herbinho que é pai fresco, para todos os pais do Brasil que estão no Brasil ou no Canadá.

:-).

Falando em dia dos pais, recebi umas fotos de um amigo meu (Kb.Lo), que fez um churrasco na casa do pai dele - e tinha uma foto do irmão dele. Acho que ele deve ter uns 14 anos hoje em dia, algo assim. Acho que faz uns três anos, teve um outro churrasco na casa dele, e fazia um tempão que eu não via o irmão dele.

Ele devia ter uns 11 ou 12 anos na época.

Entro na festa, e dou de cara com um primo do Kb.Lo, namorada a tira-colo, fácil fácil uns 20 e poucos anos. Olho para o cara e digo:

"CARALHO, Pedrinho, como você cresceu!!!"

Nisso o Kb.Lo vira, gargalhando, e me diz "cara, esse é meu primo, o Pedrinho está ali no canto", e eu olho e vejo um moleque de doze anos.

E de micos caminha a humanidade. Só deu para virar e dizer "prazer, eu sou o Ravi", e ir preparar o churrasco que é o que eu sei fazer de melhor.

:-).

Quando eu fui para o Brasil, peguei carona com um amigo meu do ponto X até o ponto Y. Em um determinado momento, uma sócia da namorada entra no carro e senta no banco de trás comigo. Eu estou usando o cinto de segurança (no banco de trás), ela vira e me pergunta (meio que exclamando) - "você está com CINTO DE SEGURANÇA no banco de TRÁS!!!" (tipo "o" estranho). Eu viro e digo na maior naturalidade, sem pensar:

"É que eu sou civilizado"

O meu amigo que estava me dando carona, o Chuck, que chuta qualquer bola que fica quicando na área, emendou:

"É que ele é civilizado, sua índia"

Óbvio que isso rendeu assunto para todo o longo trajeto do ponto X para o ponto Y. Logo que eu fiquei morrendo de vergonha, pedi desculpas um zilhão de vezes, disse que era por causa da viagem (já que eu estava grogue), mas a vergonha ficou.

Até que para um ser civilizado eu sou bem sem noção.

É óbvio que depois eu tirei sarro e disse que era porque eles eram de São Vicente (piada interna - se você não entendeu, não ligue). Mas que é chato quando a gente fala algo que não devia, é. Foi que nem quando eu mandei uma mensagem falando de um cara no trabalho (falando mais ou menos mal) para O cara em si ao invés da pessoa para quem eu queria mandar a mensagem (coisa comum no MSN, você pensa em uma pessoa, vai mandar a mensagem para outra, no meio do caminho junta tudo e você manda para a pessoa errada). Depois que a gente fez as pazes, bem depois, quando ia ser a virada de ano, ele me disse "vê se não faz mais aquilo de novo, hein?!". E eu digo:

"Pode deixar, eu vou conferir direito para quem eu estou mandando a mensagem" (na maior naturalidade também), e ele me diz "cara, a idéia era que você não falasse mais mal de mim".

E de micos caminha a humanidade.

Fui!!!

Sexta-feira, 8 de Agosto de 2008

08/08/2008

Oito é o número da sorte Chinês. Diz que no Mandarim o som do "8" é bem similar aos das palavras saúde ou prosperidade. Bom, hoje é o dia 8/8/2008. Oito de Agosto. Será que é por isso que as aberturas dos Jogos Olímpicos serão realizadas hoje? Acho que sim, já que tudo vai começar às 8:00 PM, horário local da China.

E olha a propaganda no jornal de hoje:


(never again, never before - este pessoal anda meio poético...)

Depois que eu me toquei do porquê do número 8. Japonês é meio supersticioso também. Muita gente é. Tem muito prédio que não tem o andar número 13. Quer dizer, ter, tem, acaba sendo o 14, mas não tem o número 13 no elevador. Pula direto do 12 para o 14. Se não me engano os prédios do Centro Empresarial Nações Unidas, na Marginal Pinheiros (onde fica o Consulado Canadenses) são assim. Sem número 13. Mas os prédinhos são bonitos:


(era bonito. Do outro lado era feio, trânsito, um canal fedido, ônibus, calçadas pequenas, mas visto da Marginal as torres são bonitas)

Em uma destas torres, a Oeste, ficava o banco BCN, que foi adquirido e depois absorvido pelo Bradesco. Mas eu tive várias reuniões com os funcionários do BCN e era bonito ver a Marginal Pinheiros, o Rio Pinheiros (que mais parece um rio de petróleo vista lá de cima) e todo o Morumbi lá de cima. Já tive que passar alguns Domingos lá também, e isso não foi tão legal. O ruim destes prédios luxuosos é que os restaurantes próximos são caros, mas caaaaros. Depois eles mudaram para Alphaville, onde tinha um posto de gasolina por perto que tinha almoço barato, e só. Também era caaaaro que só. E longe. Longe pra burro.

Aqui em Calgary os únicos arranha-céus existentes ficam no centro da cidade. Tem um ou outro predinho de apartamentos mais alto perdido no meio da cidade, mas via de regra as "torres de vidro" ficam todas restritas à um espaço finito. E olha, fica bonito. Eu gosto mais à noite:



Eu só não gosto muito da tendência de ser tudo cor "creme", não sei o que dá neste povo para gostar tanto de terra. No hotel onde eu fiquei no primeiro mês, tudo era pintado de creme ou tons escuros, e o espelho do elevador era fumê. Coisa fina.

Agora, Sexta-feira, preciso ir trabalhar.

See you folks!

Fui!!!

Quinta-feira, 7 de Agosto de 2008

A recrutadora

Quando eu fiz a entrevista com a recrutadora, eu sabia que iam vir aquelas perguntas básicas de RH:

. Qual a sua paixão?
. Como você passa o seu tempo livre, quais são os seus hobbies?
. Se você fosse um animal, qual animal seria? (brincadeira, esta não teve)
. etc...

E ela perguntou se eu gostava de computadores, eu dizia que sim, desde criança, eu tive um computador que não existe mais, blá blá blá, e resolvi fazer o colegial técnico de informática industrial já que era algo que eu gostava.

A recrutadora então perguntou "que legal, e durante o colegial, como você desenvolveu o seu gosto por computadores, você participava de clubes, feiras, no tempo livre desenvolvia atividades?"...

E eu disse "olha, naquela época a gente estava mais preocupado em ir para a praia jogar bola e tentar aprender a tocar violão" (eu omiti a parte da cachaceira - um sucesso - e da parte de caçar mulher - um fracasso). Fiquei um pouco preocupado com a minha resposta mas achei que era mais negócio ser sincero. Foi bom que ela traçou o meu perfil mais como "comunicativo" do que como "isolado", o que acho que me define melhor mesmo.

No fim deu certo. Está dando... Espera, espera, e eu me sinto o Pedro Pedreiro...

Pedro Pedreiro - Chico Buarque

Pedro pedreiro penseiro esperando o trem
Manhã parece, carece de esperar também
Para o bem de quem tem bem de quem não tem vintém
Pedro pedreiro fica assim pensando

Assim pensando o tempo passa e a gente vai ficando prá trás
Esperando, esperando, esperando, esperando o sol esperando o trem, esperando aumento desde o ano passado para o mês que vem

Pedro pedreiro penseiro esperando o trem
Manhã parece, carece de esperar também
Para o bem de quem tem bem de quem não tem vintém
Pedro pedreiro espera o carnaval

E a sorte grande do bilhete pela federal todo mês
Esperando, esperando, esperando, esperando o sol
Esperando o trem, esperando aumento para o mês que vem
Esperando a festa, esperando a sorte
E a mulher de Pedro, esperando um filho prá esperar também

Pedro pedreiro penseiro esperando o trem
Manhã parece, carece de esperar também
Para o bem de quem tem bem de quem não tem vintém

Pedro pedreiro tá esperando a morte
Ou esperando o dia de voltar pro Norte
Pedro não sabe mas talvez no fundo espere alguma coisa mais linda que o mundo
Maior do que o mar, mas prá que sonhar se dá o desespero de esperar demais
Pedro pedreiro quer voltar atrás, quer ser pedreiro pobre e nada mais, sem ficar
Esperando, esperando, esperando, esperando o sol
Esperando o trem, esperando aumento para o mês que vem
Esperando um filho prá esperar também
Esperando a festa, esperando a sorte, esperando a morte, esperando o Norte
Esperando o dia de esperar ninguém, esperando enfim, nada mais além
Da esperança aflita, bendita, infinita do apito de um trem
Pedro pedreiro pedreiro esperando
Pedro pedreiro pedreiro esperando
Pedro pedreiro pedreiro esperando o trem
Que já vem...
Que já vem
Que já vem
Que já vem
Que já vem
Que já vem

Passando a bola

Recebi da Fernanda, do Conexão Vancouver. Este eu achei legal...

Quatro empregos que eu já tive:

. Office boy no sindicato dos trabalhadores rurais de Caraguatatuba;
. Vendedor de geladinho e pentelho que ficava atrás do balcão de bar achando que ajudava quando criança;
. Assistente técnico de automação industrial na COSIPA - em resumo eu tinha que pegar os computadores da área, desmontar, lavar, secar, montar de novo e torcer para não explodir na hora de ligar na tomada;
. Programador - até hoje.

Quatro filmes que eu assisto sempre que passam:

. À espera de um milagre;
. Matrix (qualquer um dos três);
. Sexto sentido (mesmo tendo uma cópia em DVD);
. Qualquer filme de ação com carros explodindo ou qualquer filme de zumbi.

Quatro lugares em que eu já morei:
(que eu tivesse idade para lembrar)

. Caraguatatuba, litoral de São Paulo, Brasil;
. Santos, também no litoral de São Paulo;
. Virei gente grande e fui morar em São Paulo, capital;
. Virei retirante e vim parar em Calgary, Canadá.

Quatro programas de TV que eu gosto (não necessariamente na mesma ordem):

. Lost;
. How it's Made e outros programas para o público nerd que passam no Discovery Channel;
. Programas de "polícia e ladrão" que passam nos canais de ação na TV a cabo;
. Os programas de reconstrução e redecoração que passam na TV. Foi meio que um gosto adquirido de tanto a Soraya ver (os que eu mais gosto são quando eles pegam uma casa má reformada e tem que fazer tudo de novo).

Quatro pessoas que me mandam E-Mail regularmente:

. Kb.Lo;
. Comentaristas do blog;
. Curtis (ex-colega de trabalho que não tem MSN no emprego novo);
. Cientistas malucos com fórmulas para aumentar o tamanho dos órgãos sexuais (como será que eles me descobriram?).

Quatro coisas que você faz todo dia sem falta:

. Apertar o botão snooze do relógio até expremer o último minuto possível para não perder o ônibus, e perder o ônibus todo dia;
. Tomar um café de manhã no Macs, cumprimentar os vendedores que já te conhecem, pegar um jornalzinho com a Chinesinha do lado da estação de trem, sentar na cabine de vidro olhando para o lado de onde o trem vai vir (para ver se é o trem certo), entrar no trem e sentar em um canto para poder apoiar a cabeça e tentar dormir nas últimas estações, colocar o café de lado e ler o jornal - manja "rotina"?
. Como a Fernanda, conferir E-Mail, Facebook, Feeds, Orkut, WTF, ...;
. Ultimamente, ir até a casa do vizinho que está viajando, dar um pouco de atenção para o gato, alimentar o gato, alimentar os peixes, e deixar o Arthur ficar lá por uns 10 minutos.

Quatro comidas favoritas:

. Qualquer pizza com Catupiry (que não tem aqui);
. Churrasco;
. Queijo "A Vaca que Ri";
. O "Decadent Cookie" que é vendido na SuperStore.

Quatro lugares que eu gostaria de estar (ou que gostaria de conhecer?):

. O resto do Canadá para ver como é que é;
. Barcelona com a Soraya e o Arthur, e ficar andando o dia inteiro de trem só para matar a vontade do moleque;
. Alguma cidade bem velha na Europa com uma arquitetura bem interessante;
. Algum restaurante de culinária avançada na Espanha.

Bom, já que tem que passar, eu vou passar para a Soraya, para a Cecília e para o Karlson e a Josy, que começaram o blog agora.

Quarta-feira, 6 de Agosto de 2008

O Brasileiro morto nos Estados Unidos

Eu estava lendo sobre um Brasileiro, André Martins, que foi morto pela polícia nos Estados Unidos após tentar furar uma barreira policial. Embora a namorada dele brade que ele não era bandido, ele tinha sim várias passagens pela polícia por agressão, destruição de propriedade privada, ameaças de matar a namorada e por dirigir sem carteira. Estão dizendo que ele foi morto por ser um imigrante ilegal, mas a polícia não sabia se ele era imigrante ilegal ou não quando atirou.

A própria namorada, que estava com ele no carro, disse que ele tentou fugir da polícia porque estava dirigindo sem carteira. No momento em que ele foi morto ele fumava um cigarro de maconha (o problema no caso nem é com a maconha em si, mas sim o DUI - Driver Under the Influence). Pelo que eu entendi até agora, ele bateu em um carro de polícia, fugiu para uma rua onde havia um bloqueio policial, tentou fugir novamente e foi quando o policial atirou. Eu sei que às vezes a polícia Americana tem o dedo leve no gatilho, mas depois de ver inúmeros vídeos policiais eu percebi que em 95% dos casos eles atiram quando:

. Alguém no carro atira primeiro;
. O motorista do carro tenta atropelar um policial.

E eu acho que o que aconteceu foi exatamente o segundo caso. Que talvez ele não quisesse atropelar o oficial, pode até ser. Que o oficial poderia até ter tentado desviar do carro ao invés de desviar, pode até ser também. Mas eu acho que é preciso baixar a guarda com o fato de ele ser imigrante ilegal (e de ficar dizendo que ele não era bandido - no mínimo criminoso ele era), e sim parar para pensar no que levou ele a ser morto. Uma séries de atitudes impensadas e irresponsáveis que culminaram no que aconteceu. Uma série de erros de julgamento. E, pesquisando na imprensa Americana, dá para perceber que a bala não atingiu ele, André, mas toda a comunidade Brasileira, que agora será vigiada um pouco mais de perto pelo "público" Americano.

Uma vez eu vi um filme sobre uma escola negra no Bronx. Era um filme muito bom, se não me engano era com o Denzel Washington. No começo do seu mandato como diretor, ele expulsou uns 30 alunos que eram traficantes, ou que eram uma extrema má influência para a sua escola. A sua atitude foi aplaudida por todos, mas uma das ativistas da comunidade protestou dizendo que ele estava "indo contra os negros", mas a escola sem dúvida melhorou depois que as maças podres foram cortadas. Eu acho que a falta de julgamento desta ativista, no filme, se compara à falta de julgamento das pessoas que acham que "ele só tentou fugir da polícia porque estava com a carteira vencida", ou então que um policial não deve agir em uma situação de mata ou morre - o que eu acho que foi o caso.

Prefiro esperar o resultado da investigação para acabar com os meus "achômetro". Mas até agora eu acho que a culpa do que aconteceu foi da vítima e não da polícia.

ADD:

http://www.wickedlocal.com/wareham/news/lifestyle/columnists/x1665952033/Insider-Perpetrator-or-victim

Os sensacionais e malfadados CURTAS

A lavandeira onde eu trabalho

Os Russos que trabalhavam aqui na empresa já se foram. Era o casal Rússia. A minha sala, antes com 11 pessoas, agora tem 4. Um está procurando emprego, o outro vai sair em Setembro quando voltarem as aulas na faculdade, e eu só estou esperando a carta do Papai Noel pelo correio. Só resta um. Parece nome de jogo. A gente brincou e disse que ele pode usar qualquer computador que ele quiser (ou todos ao mesmo tempo), ou então ele pode fazer uma barricada com as mesas ou fazer um labirinto na nossa sala vazia.

A carta de demissão do casal Rússia era fechada por um "we will not see you", e o velhinho pirata (ele estava com uma bandana em um dos olhos) ficou meio sem saber o que fazer. Ele realmente achava que o Russo estava trabalhando com construção civil (um desenvolvedor?!), e que a Russa ia voltar de férias. Ele até tirou sarro dizendo que o Russo não ia durar duas semanas levantando paredes. Ó coitado. A gente acha que é uma coisa psicológica. Ele é meio velhinho já, e se acha tanto o dono da razão que na cabeça dele está todo mundo feliz de trabalhar para um ser tão superior. Sei lá, deve ser algo assim. Segundo um dos colegas de trabalho, talvez agora ele saiba que ele fez uma bela de uma cagada. Tomara que ele consiga fazer mais pagamentos atrasados até chegar a minha hora. E vai ser um baque também, porque como eu estou aqui com uma permissão de trabalho, na cabeça dele eu sou "eterno". Tipo diamante. Tô fora. Minha validade já expirou, estou que nem pão velho, criando mofo verde pelas bordas.

O carro do vizinho

Estou cuidando da casa do vizinho. Ele me disse para usar o carro se a gente precisasse. Ontem a gente foi no mercado, e eu mandei um SMS dizendo que eu ia usar o carro para não precisar de um táxi depois. De consciência limpa (a resposta, um "go for it", só veio depois que a gente voltou do mercado), fui na garagem dele para escolher qual carro usar. Ou era uma van imensa (nova), ou era um Ford Fusion (novo). Fui no menor, o Ford Fusion. Não sei como o cara consegue deixar um carro tão limpinho com duas crianças na casa, mas o fato é o que o carro estava impecável. Eu dirigi na ponta dos dedos. O bom nem é voltar da SuperStore de carro (a única diferença para um táxi são os dez dólares e o fato de não ter que esperar), o bom é ir e não precisar andar os 1000 metros que separam a loja do ponto de ônibus.

O único problema que eu achei que eu fosse ter era na hora de estacionar o carro, já que o manobrista do meu vizinho entra de ré na garagem. E para saber a distância exata da parede em um carro com espelhos que tem a mensagem "objects in this mirror are closer than they appear" (objetos neste espelho estão mais próximos do que parece) que você nunca dirigiu antes? Pois é. Engato a ré e começa um beep-beep. Vou chegando mais perto da parede e o beep-beep fica mais rápido. Se deixar de ser beep-beep e virar um apito, é hora de parar. Sensacional, embora eu tivesse me sentindo em um andador para bebês. Nem precisou chegar no apito, eu regulei a frente pela van imensa e deu tudo certo. Óbvio que eu conferi se o pára-choque do carro não estava no caminho da porta da garagem, tem uma propaganda da Canadian Tire em que a porta da garagem decapita o pára-choque do carro e eu não queria passar pelo mesmo problema.

Na casa do vizinho tem uma gata de 13 anos. Meio temperamental. Quando está fora de casa, quer entrar. Quando está dentro, quer sair. Ontem, depois de voltar do mercado, ela resolveu dar uma saída, esfregas as costas no concreto por uns dez minutos e depois voltar. Voltar não, eu tive que carregar ela para dentro porque ela queria mais é dormir vendo as estrelas.

O peixe

A gente tem um peixe beta. Vermelho. E eu esqueci o nome dele. Não que ele vá ligar, mas é bom saber.

Superstore

A Superstore está com umas promoções boas. A Soraya comprou um cinto por 94 centavos e tem roupas bem baratas também, assim como um DVD player de 19 dólares. Pelo menos a do Signal Hill. Vale a pena.

Fim dos curtas...

Fui!