terça-feira, 6 de março de 2012

Ao meu amigo Raphael



Este aí acima é o Rapha. A gente chamava ele de Chuck no colegial e o apelido continuou por vários anos, mas de uns tempos para cá a gente só chamava ele de Rapha. Cara adulto, crescido, casado, separado, viajava toda hora, eu já não me sentia à vontade só chamando ele de Chuck. Acho que era meio-a-meio, metade do tempo era Rapha, metade era Chuck.

Em 2010 ele veio nos visitar e nós fomos juntos para Vancouver, Victoria, Portland, Seattle, vimos um vulcão, conversamos, bebemos, discutimos, conversamos mais, conversamos mais ainda, afinal passamos quase dez dias na estrada, dividindo o mesmo quarto de hotel (eu, a Soraya, o Arthur e o Rapha) ou dividindo os poucos metros cúbicos da minha valente van vermelha. Foi muito legal. Eu vou ter boas memórias desta viagem para sempre.

Assim como eu vou ter boas memórias deste querido amigo para sempre.

No dia 3 de Março de 2012, Sábado, às oito da noite, depois de um dia de risadas aqui em casa, o Rapha sofreu um acidente na estradinha que liga o condomínio onde eu moro à cidade de Jaguariúna, a menos de três minutos de casa. A estrada estava alagada por causa da chuva que caíra há algumas horas, e da qual todos tivemos que nos proteger por causa das goteiras que afligem a nossa casa. Ao tentar desviar de um trecho alagado, o Rapha jogou o carro para o lado oposto da pista, mas na direção contrária vinha um Pálio e ele jogou o carro de volta para o seu lado da pista, voltando para a água e aquaplanando, e atingindo um poste em cheio com a lateral do carro. Outros dois amigos que vinham atrás pararam para ajudar mas já não tinha muita coisa que pudesse ser feita. O resgate chegou, ele foi levado para o hospital, mas quando eu consegui chegar ao hospital, apavorado depois de ver o estado do carro que a polícia estava colocando no guincho, a notícia já estava lá - ele já havia falecido.

Nós estudamos juntos no colegial. 1994 foi quando eu e o Kb.Lo nos conhecemos. Acho que o Rapha foi estudar com a gente em 1995 e o Fabrício, em 1996. O colegial acabou em 1997, mas nós continuamos amigos desde então. Eu fui padrinho de casamento do Rapha e do Kb.Lo, e ele foi padrinho do nosso casamento. Nós chegamos tão atrasados no casamento dele, achei que não fosse dar tempo... O Rapha foi o primeiro a saber do nascimento do filho de todo mundo, foi o primeiro a ver a Bebela, foi o primeiro a receber a notícia do nascimento do Arthur. Ele estava ali em todos os momentos, em todos estes 17 anos.

Ficamos com saudades quando fomos para o Canadá, curtimos a viagem em 2010, sentimos quando a irmã dele faleceu no comecinho de 2010 mas ficamos felizes de saber que talvez nós tenhamos ajudado um pouco levando ele conosco. Agora, 2012, o Rapha tinha mudado fazia uma semana para uma casa perto da nossa, em Jundiaí. No Sábado ele estava nos contando como ele achava que tinha sido roubado pelo cara que instalou a máquina de secar a lavar que ele tinha comprado pela Internet, e como ele achava que talvez fosse rolar um curso intensivo de Inglês na Inglaterra pela empresa dele.

Tem uma época da vida que a gente está se preparando para viver... Foi quando o Cláudio morreu em 2002, com vinte e poucos anos. Ele ainda estava morando com os pais, não tinha acabado a faculdade, estava no segundo emprego, ainda estava se preparando para o que ia vir pela frente.

O Rapha já estava vivendo, já morava fora de caso fazia váris anos, tinha casado, tinha se separado, tinha viajado para Canadá, França, Praga, Dubai, Índia, e ultimamente passava tanto tempo em Vitória que a gente achava que uma hora ele não ia mais voltar.

A vida dele estava plena e foi assim que acabou. Com uma risada dada horas antes, com um encontro que estava marcado, com uma casa que estava comprada, com amigos que iam estar ali em todas as horas até o fim. É uma tristeza que tudo tenha acabado, e a gente espera que esta tristeza tenha um fim um dia. Agora eu quero ficar triste, eu não quero esquecer do meu grande amigo. Eu tenho a minha família para me ajudar a passar por esta hora triste, e tenho os meus amigos para me suportar e à quem eu também devo suportar.

Rapha, vamos sempre nos lembrar de você, no seu aniversário, no aniversário do Arthur que é dois dias depois do seu, sempre que nos reunirmos, sempre que pensarmos no Curintia ou no projeto Jundiaí, ou em Vitória, ou na Vila Cascatinha, na nossa amizade, em tudo que passamos e em tudo que vamos passar na nossa vida que vamos levando adiante.

Um abraço meu amigo, te amamos muito e vamos sempre lembrar de você.

Ravi.

4 comentários:

Rejane Lima disse...

Lindo triste texto, Ravi. Que Deus conforte o seu coração, da sua família e da família e amigos do Rapha

Roberta disse...

Oi Ravi, qto tempo. Vi que vc falou dia desses no facebook que tinha falecido um amigo seu, mas agora que vim ler seu texto. O Chuck, puta merda hein (nem sabia que ele se chamava Raphael).

Sinto muito, mesmo. Meus pesames. Que bosta de vida essa. A gente nao manda merda nenhuma nessa porra. Pardon my french.

Que vcs fiquem bem, meus sentimentos sinceros. Vou incluir o Chuck e a familia dele nos meus pensamentos.

Bjos,
Roberta.

Marisa Fialho disse...

Ravi... suas palavras são tocantes, vindas do fundo do seu coração, emocionantes... confesso que no domingo, quando estávamos juntos vivenciando tudo aquilo, atônitos, incrédulos, senti o quanto o mais puro amor fraternal entre todos vocês estava ajudando o nosso Rapha. Confesso também que diante de tanta dor, eu como mãe, como uma mulher mais madura senti também uma tristeza imensa a mais, em ver tantos jovens sofrendo com a perda de um amigoirmão ou de um irmãoamigo, quando vocês é que são os exemplos de alegria, de festa, de felicidade... Curta sua tristeza é seu direito sim!!! Mas sempre lembre que é a alegria, a irreverência, a descontração que seu amigoirmão Rapha mais gostava quando estava entre vocês. Se precisar e quiser desabafar estarei aqui para você, a Soraya e todos os seus amigos, os quais chamo também de meus amigos e até se me permitem de filhos. Bjos de luz em seus corações. Amo vocês!!!

Criska disse...

Poxa, Ravi! Meus sentimentos... Que que história triste, linda homenagem, boas lembranças... São os verdadeiros amigos que nos fazem lembrar tudo o que temos de bom!