segunda-feira, 4 de maio de 2009

Sangue Latino
Secos & Molhados

Jurei mentiras e sigo sozinho
Assumo os pecados
Os ventos do norte não movem moinhos
E o que me resta é só um gemido
Minha vida meus mortos meus caminhos tortos

Meu sangue latino
Minha alma cativa

Rompi tratados traí os mitos
Quebrei a lança lancei o espaço
Um grito um desabafo
O que me importa é não estar vencido
Minha vida meus mortos meus caminhos tortos

Meu sangue latino
Minha alma cativa

Estava ouvindo esta música agora. Nunca entendi muito bem a letra. Acho que é algo do gênero "fiz e aconteci", mas sei lá. A música é bonita de qualquer jeito e as palavras se encaixam com a música. Mas é meio que nem Djavan:
Oceano
Djavan

Assim
Que o dia amanheceu
Lá no mar alto da paixão,
Dava prá ver o tempo ruir
Cadê você?
Que solidão!
Esquecera de mim?

Enfim,
De tudo o que
Há na terra
Não há nada em lugar
Nenhum!
Que vá crescer
Sem você chegar
Longe de ti
Tudo parou
Ninguém sabe
O que eu sofri...

Amar é um deserto
E seus temores
Vida que vai na sela
Dessas dores
Não sabe voltar
Me dá teu calor...

Vem me fazer feliz
Porque eu te amo
Você deságua em mim
E eu oceano
E esqueço que amar
É quase uma dor...

Só sei viver
Se for por você!

Eu gosto de letras menos complexas, tipo:
Geni e o Zepelin
Chico Buarque

De tudo que é nego torto
Do mangue e do cais do porto
Ela já foi namorada
O seu corpo é dos errantes
Dos cegos, dos retirantes
É de quem não tem mais nada
Dá-se assim desde menina
Na garagem, na cantina
Atrás do tanque, no mato
É a rainha dos detentos
Das loucas, dos lazarentos
Dos moleques do internato
E também vai amiúde
Com os velhinhos sem saúde
E as viúvas sem porvir
Ela é um poço de bondade
E é por isso que a cidade
Vive sempre a repetir

Joga pedra na Geni
Joga pedra na Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni

Um dia surgiu, brilhante
Entre as nuvens, flutuante
Um enorme zepelim
Pairou sobre os edifícios
Abriu dois mil orifícios
Com dois mil canhões assim
A cidade apavorada
Se quedou paralisada
Pronta pra virar geléia
Mas do zepelim gigante
Desceu o seu comandante
Dizendo
- Mudei de idéia
- Quando vi nesta cidade
- Tanto horror e iniqüidade
- Resolvi tudo explodir
- Mas posso evitar o drama
- Se aquela formosa dama
- Esta noite me servir

Essa dama era Geni
Mas não pode ser Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni

Mas de fato, logo ela
Tão coitada e tão singela
Cativara o forasteiro
O guerreiro tão vistoso
Tão temido e poderoso
Era dela, prisioneiro
Acontece que a donzela
- e isso era segredo dela
Também tinha seus caprichos
E a deitar com homem tão nobre
Tão cheirando a brilho e a cobre
Preferia amar com os bichos
Ao ouvir tal heresia
A cidade em romaria
Foi beijar a sua mão
O prefeito de joelhos
O bispo de olhos vermelhos
E o banqueiro com um milhão

Vai com ele, vai Geni
Vai com ele, vai Geni
Você pode nos salvar
Você vai nos redimir
Você dá pra qualquer um
Bendita Geni

Foram tantos os pedidos
Tão sinceros, tão sentidos
Que ela dominou seu asco
Nessa noite lancinante
Entregou-se a tal amante
Como quem dá-se ao carrasco
Ele fez tanta sujeira
Lambuzou-se a noite inteira
Até ficar saciado
E nem bem amanhecia
Partiu numa nuvem fria
Com seu zepelim prateado
Num suspiro aliviado
Ela se virou de lado
E tentou até sorrir
Mas logo raiou o dia
E a cidade em cantoria
Não deixou ela dormir

Joga pedra na Geni
Joga bosta na Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni

Eu acho que é por isso que até hoje eu não consegui achar nenhum livro de filosofia que fosse assim, simples de ler. A Soraya bem que me fez tentar ver a realidade escondida naquelas palavras, mas não rola. Eu tentei, mas filosofia não é para mim. A não ser que um dia apareça um livro com letras garrafais em que se lê:

"FILOSOFIA PARA PESSOAS SIMPLES COMO VOCÊ...
... que não entendem nada direito"

É, eu sei, eu devia ler mais. Na verdade eu até que me considero relativamente inteligente, embora às vezes eu seja mais chucro do que eu gostaria. Mas a filosofia está além. Poesia, então, faz-me rir. No filme "O homem que copiava" o personagem do Lázaro Ramos não consegue entender uma poesia e pede ajuda para a personagem da Leandra Leal, que explica:


(o vídeo vai durar dois dias)

Cara, impressionante. Quando ela explica a poesia para ele é como se uma cortina se abrisse, a luz do sol entrasse e me iluminasse o rosto. É isso! É isso que ele queria dizer! PQP! E depois disso eu vi que poesia não era para mim mesmo.

Na escola deram um livrinho de poesias de algum poeta Brasileiro (um famoso, é quase uma vergonha eu não saber o nome dele). Me disseram que era o melhor livro de poesia de um autor Brasileiro, mas eu não conseguiria distinguir a qualidade de uma poesia deste livro para com algo que uma criança da quarta série escrevesse.

Vergonhoso.

O vídeo do youtube até que é interessante, eu deixei tocando enquanto eu escrevia os dois últimos parágrafos.

Eu gosto mesmo é de filme - e olha, o filme pode até ser mais complexo que não tem problema. Tirando aqueles filmes que se passam no Afeganistão onde ninguém fala nada por uma hora e meia, eu topo.

E agora é hora de ir almoçar.

...

BTW, preciso mudar a cara do blog. Agora já dá para colocar uma foto daqui, PARECE que não neva mais.

Fui!

9 comentários:

Soraya Cruz Wallau disse...

Rá!
Acho q vc tá meio sentimental...Tá tudo bem?
hahaha
Te amo, seu bobo!

Ravi disse...

Tô não!

É só porque este é o vídeo que me fez ver que eu não sei entender poesia mesmo...

Froid...

Pai dos trigemeos disse...

Bom, mas as letras que voce colocou ai sao bem poeticas. So letra da boa. Poesia eh meio pra sentir mais do que pra entender. Com musica fica mais facil e mais gostoso porque a musica vai levando os pensamentos junto com as palavras da letra.
O homem que copiava eh demais mesmo. E aLendra nem se fala, sou fa dela.
Abracos

Nê & Lelê disse...

Essas músicas é das antigas... A música dos secos e molhados eu lembro q eu eu pequena e minha tia escutava, até hj tem o bolachão aqui em casa com as cabeças dos caras do grupo em uma bandeja sobre mesa, eu tinha medo dessa capa quando era pequena... rsrs

Bjinhuss

Criska disse...

Boa tentativa, Ravi! rs

Taty disse...

Claro que não é um livro exatamente de filosofia mas, como uma introdução eu recomendaria ler "o mundo de sofia" não se assuste com o tamanho do livro.... ele é super gostoso de ler.... beijocas

TC Brazil disse...

Ravi-san, por uma destas coincidências cósmico-rá-shiva-emo-filosóficas, eu acabei de ler um livro ótimo sobre filosofia (também sou um inguinorânte filosófico buscando ajuda):

http://www.americanas.com.br/AcomProd/1472/46365

O bom é que parece bastante com revista em quadrinhos, assim não fica tão chato pra ler. E o texto do Osborne é fácil de ler, tem um tom mais "desleixado", nada daquele "peso" que eu sempre encontrei em textos sobre filosofia, e que me faziam correr e ganir que nem cachorro quando houve apito de alta frequência.

[]'s

Soraya Cruz Wallau disse...

Oi Taty, eu estava estudando esse livro com o Ravi e até q ele gostou, pena q a gente parou...
Bjos

walber disse...

Ravi qd vai sair o livro sobre esse blog? O legal é que não vai precisar digitar muita coisa né?! kkkkk

Gosto muito das suas filosofadas, muito autenticas e inspiradoras algumas vezes.