sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Ainda faz sentido fazer o blog? (e novas)

Acho que todo mundo que começa um blog se pergunta isso depois de um tempo, a não ser que seja um profissional (no sentido "qualitativo" e não "financeiro" da palavra) como o Octávio, dos trigêmeos. Já faz um tempo que eu parei de escrever no blog, e ultimamente eu virei um consumidor da internet, ao invés de continuar a gerar conteúdo que pode ser usado por outras pessoas.

Mas, bem, fazer o quê?

Vamos falar da vida então. Trabalhar de casa tem dado certo, já são 3 ou mais semanas nesta rotina, eu levo o Arthur para a escola, volto para casa, durmo um pouco já que o moleque entra na escola às sete da manhã, horário que eu considero desumano. Acordo, preparo uma garrafa térmica de café no estilo "Canadense" (fraco, perdi de vez o gosto por café forte, até joguei fora o resto de café Pilão que eu tinha e comprei Três Corações), e vou para o trabalho, duas portas para a esquerda.

Normalmente eu trabalho de portas fechadas para ajudar a concentração e também para eu me sentir em outro ambiente, importante para a concentração. Mas eu tento equilibrar bem as coisas... Agora, por exemplo, eu estou escrevendo no blog enquanto eu rodo um programa para extrair uma planinha Excel de uma base de dados de um cliente.

Eu não estou sentindo falta do escritório, mas eu falo com eles todo dia. É bom para manter o Inglês afiado. Na média acho que passo umas 3 horas no telefone por semana, às vezes mais tempo, às vezes menos. Estou usando o Skype porque o telefone do trabalho é uma b**ta aqui, eu assinei um plano que me dá ligações ilimitadas para o Canadá e os Estados Unidos pela bagatela de 15 dólares por mês.

...

Eu ainda estou tendo um pouco dificuldade de organizar meus documentos, carteira de motorista, etc... Eu preciso:

. Transferir e renovar minha habilitação;
. Pegar a segunda via do meu certificado de quitação com o serviço militar para poder renovar o passaporte;
. Quitar as minhas dívidas com o tribunal regional eleitoral;
. Colocar a minha PJ em dia;
. Abrir conta bancária.

Segunda-feira de manhã vou estar de folga resolvendo estas coisas... Serviço militar obrigatório é coisa da idade da pedra, tinha que acabar logo... Assim como o voto obrigatório.

Mas fazer o que?

Fui!

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

O povo aqui dirige estranho

Quer dizer, eles dirigem mal.

E dirigem de forma estranha... Sei lá, me acostumei com o Canadá. O estranho mesmo é que aqui não tem placa de Merge, o triângulo na estrada quer dizer "Merge", o Pare na rotatória é o triângulo do Canadá, e o Pare da esquina é o Pare do Canadá também, mas como o Pare quer dizer tanto "Dê a Preferência" quanto "Pare", tem muita gente que nem parar para.

É uma confusão. E o pessoal que vai entrar na estrada e nem acelera?

PS: O Arthur ganhou um cachorrinho e está feliz da vida, mas o cachorrinho vai ter que se esforçar para tirar o moleque de casa :-).

Fui!

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Cheguei

Ok, cheguei.

Oito caixas não foi fácil, mas chegou tudo inteiro. Nada quebrou. O que quebrou, quebrou aqui (uma garrafinha com areia dentro daquelas que eles vendem no Nordeste e uma bolacha de chopp chiquetosa). As caixas chegaram meio amassadas, deformadas, mas as alças chegaram quase todas inteiras (uma só que arrebentou), e nada abriu.

Onde o bicho quase pegou foi na hora de passar pela receita, já que eu não peguei o papel do consulado dizendo que eu morei fora e, com oito caixas, tive que passar pelo raio-x da alfândega. Não pegou nada, mas fica a lição - se você está voltando para o Brasil, arrume a tal da carta com o consulado.

O Felype, irmão da Soraya, foi me buscar numa Fiorino. Me acostumei mal com o meu carro velho com ar-condicionado. O dia foi de calor mas depois já esfriou um pouco, nada demais para os padrões de Calgary, mas aqui a casa realmente fica mais fria do que no Canadá e não tem água quente nas torneiras de casa.

A Hannah está uma figurinha e o Arthur está um figuraço. A Soraya estava tomando conta de tudo sozinha impecavelmente, e eu agora estou ajudando no que eu posso, fazendo as tarefas pesadas, arrastando as coisas de um lugar para outro, limpando quartinho de bagunça, tirando lixo do jardim, etc...

A casa aqui está em constante evolução e às vezes um retrocesso ou outro acontece, como o bonitão aqui que perdeu todas as chaves no Sábado. Ainda tem alguma coisa por fazer mas as maiorias das coisas já foram feitas, tem um forro ou outro por fazer, uma pintura ou outra para repintar, um chuveiro ou outro para trocar. A família da Soraya deu uma força tremenda arrumando a casa para a gente vir morar. A cachorrada apronta mas cuida bem da casa, e o Arthur de vez em quando não quer saber de ir pra fora, mas no geral ele está bem contente com as coisas, e feliz de ter o paizão dele de volta (e eu estou feliz em dobro por estar perto da família).

O que eu acho do Brasil até agora? Dá para dizer o que eu acho que Jaguariúna até agora... Aqui é cidade de campo, mais como uma cidade aos arredores de Calgary do que Calgary em si. A cidade é bonitinha, tem o seu lado feio e o seu lado mais bagunçado, mas no geral a impressão daqui é boa, o centro é tranquilo, tem o pastel (que só aceita dinheiro), o correio (que só aceita cartão de débito do Bradesco), tem a sorveteria (provavelmente só dinheiro também), tem a escola do Arthur, os bancos, tudo que um centro de cidade tem. O clima aqui é agradável, a estrada que vem até a nossa casinha é tranquila.

O home office tem funcionado bem, eu estou trabalhando de casa mesmo, vou ver se dá certo. Comprei um no-break (que nos Estados Unidos e Canadá é conhecido como UPS, ninguém sabe o que no-break quer dizer), tive que comprar um roteador wi-fi novo e um adaptador wi-fi para o computador, não sei se vai dar para cobrar por estas despesas mas não faz mal, se o computador queimar aí ferrou-se tudo. O Arthur fez o home-office dele no outro quarto e fez uma placa com o meu nome para eu pendurar na mesa, e me deu a estátua que ele fez de dia dos pais no Canadá.

Aqui no Brasil:

. Cinema é mais barato do que no Canadá (10 reais = 6 ou 7 dólares, no Canadá o ingresso custa uns 11 dólares);
. No mercado as coisas são caras mas não tão caras quanto eu pensei;
. Cerveja aqui é ridicularmente mais barato do que no Canadá;
. Motorista aqui é mais ou menos barbeiro mas o povo desta cidade gosta de dar ombrada quando anda;
. Eu queria que tivesse mais lugares que aceitassem cartão de débito aqui. Andar com dinheiro é quase obrigatório;
. Aqui realmente não tem waffle congelado, mas hoje eu comprei amendoim japonês e OPA (ou Mandix) no mercado, assim como queijo Catupiry, hmmmm;
. Ah, sim, a gente comeu pastel no outro dia.

O que eu acho cruel é o Arthur entrar na escola às sete da manhã e toda a logística envolvida em sair de casa sem que os cachorros fujam pelo portão. Agora o que a gente vai fazer em casa é:

. Forrar o teto, quer dizer, pagar para alguém forrar o teto;
. Aterrar um circuito ou outro na casa já que aqui tudo dá choque;
. Eu vou colocar uns quadros no meu "escritório" e vou trocar a tela horrível verde da janela por alguma coisa menos verde;
. Regramar a grama.

Mas é isso aí - estou feliz de estar de volta - é estranho não sair de casa para ir trabalhar mas eu acho que vou me acostumar.

Fui!

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

O fim e o recomeço

Terça-feira é o fim do meu tempo trabalhando em um escritório.

Quarta-feira é o fim do meu tempo de Canadá.

Quinta-feira é o recomeço do meu tempo de Brasil.

Segunda-feira é o começo da aventura de trabalhar em casa.

Pois é, o fim é próximo e o recomeço também. Depois de dois meses a Hannah já nem deve nem mais lembrar quem eu sou, mas Hannah, logo, logo eu estou chegando. Eu estou com saudades da família mas a minha situação agora é muito diferente do que era quando eu cheguei aqui, sozinho, sem dinheiro, em um hotel... Saber que as coisas estão caminhando e ter um número menor de incertezas tira a aflição da equação, e eu sofro muito menos quando eu tenho a certeza de que o que eu espero que vá acontecer vá de fato acontecer. A família está no Brasil mas eles estão bem, e eu tenho data para vê-los. A casa aqui já não mais existe mas a gente tem uma casa por lá. Este mês vai ser um pouco apertado financeiramente por conta de vários motivos, mas mês que vem o dinheiro vai chegar. E poraí vai.

O Paulo e a Eliane me ofereceram o basement deles para eu morar neste mês e meio depois que eu entreguei o meu apartamento, e foi uma ajuda e tanto, um favor que um dia quem sabe eu possa retribuir.

Ontem a gente desceu o Bow river de barco e eu fiquei pensando "porque a gente não fez isso antes?". O meu celular deu um mergulho, ele ainda funciona mas agora eu nem posso mais vendê-lo.

Para trás fica a experiência de viver em um país estrangeiro e os amigos que a gente fez aqui.

O resto a gente leva com a gente.

As cidades Canadenses são muito bonitas, as vizinhanças sempre são ajeitadas, as casas não costumam ter muros e a grama costuma ser cortada. Exceções à regra, as vizinhanças Canadenses são sempre mais ajeitadas que as Brasileiras. O setor público aqui é melhor do que o setor público do Brasil, mas eu acredito que quando você compara a saúde privada Brasileira com a saúde pública Canadense, a saúde privada Brasileira sai ganhando. As escolas públicas daqui são muito boas e nisso eu ainda não posso fazer comparação, com certeza são melhores do que as escolas públicas Brasileiras, mas eu preciso fazer a comparação com a escola privada do Arthur no Brasil.

A comparação de privado x público não é completamente furada porque quem imigra para o Canadá teria condições de pagar por serviços privados de qualidade no Brasil. Mas, de resto, o Canadá é melhor nos números do que o Brasil - aqui tem menos violência, menos corrupção, os filmes saem antes nos cinemas, e o país é muito mais rico. O clima aqui é frio, e o inverno é longo.

Mas aqui não é o Brasil. Não tem aquele lugar que você possa dizer "eu fui ali quando eu era criança", ninguém viu os mesmos programas que você na TV, ninguém sabe quem é a Xuxa. Quando alguém fala um nome de filme em Inglês você não sabe o que é porque você só lembra o título em Português. Aqui não tem a família, os amigos de longa data, o pessoal que foi no seu casamento ou que estava no hospital quando o primeiro filho nasceu. Aqui não tem a casa de alguém para ir passar o final de semana, não tem Vejinha para ver os programas de final de semana, não tem pastel à céu-aberto.

Todas estas coisas fazem parte de quem você é. A gente nunca quis mudar e ser Canadense. Eu nunca fui esquiar, e quando tentei patinar fui um fracasso. Eu não gosto nem um pouco de Hockey. Nunca entendi Curling.

Se você tiver a chance de ir morar fora, vá. Se for para o Canadá, melhor ainda. Este é um país maravilhoso com várias oportunidades, que no geral acolhe bem estrangeiros. Esteja preparado para passar necessidade e viver sem dinheiro por um tempo, e esteja preparado para voltar se for necessário. O Canadá é bom mas dinheiro aqui não dá em árvore. A imigração é difícil, e não por acaso o processo migratório é comparado à um processo de luto.

Preciso ir agora.

Fui!

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Heat Wave, Google + e viagens

Olá amigos da Rede Globo!

Eu vi a final da Copa do Mundo Feminina de Futebol em um bar nos Estados Unidos e posso garantir que tinha bastante gente torcendo para o time nacional! Não tinha ninguém chorando nem ninguém xingando as Japonesas, mas que a galera estava torcendo, isso eles estavam.

Eu estava em Connecticut, nordeste dos Estados Unidos, do dia 4 de Julho ao dia 20 de Julho. Aparentemente eu perdi todo o verão de Calgary (a gente fez uma piada com o pessoal de lá dizendo que íamos perder metade do verão, so para descobrir que a piada não era uma piada), já que hoje fez 12 graus Celsius e estava frio de verdade. Depois de ter que esperar o avião esfriar em Toronto (sério, ligaram o ar-condicionado do avião e dava para ver a "fumacinha" no ar na saída do ar frio), foi meio chocante chegar em Calgary no frio.

Mas lá estava em quente.

Conheci duas praias novas e algumas cidades novas. Misquamicut, New Port (Rhode Island), Rocky Neck (uma praia), e algumas cidades nos arredores de Hartford, a capital de lá. A viagem foi legal mas foi cansativa, ficar em reunião o dia inteiro por vários dias à fio é meio chato.

Mas a viagem acabou e eu voltei.

E...

Dia...

17 DE AGOSTO eu estou indo para o Brasil rever minha esposa amada, meu filho amado e minha filhinha amada! Agora falta menos tempo para o dia 17 do que faltava quando eu comecei a escrever esta frase. Vou lá ajudar a mulher a arrumar a casa, ajudar o filho a fazer bagunça e ver a Hannah aprender a andar. Sensacional. Dois meses é bastante tempo.

A casa lá está entrando em ordem mas eu preciso ver tudo com os meus próprios olhos para poder me situar melhor. A Soraya me conta tudo pelo telefone mas eu sou ruim de imaginar as coisas sem ver o que está acontecendo. Acho que é por isso que eu não gosto muito de livros mas adoro filmes.

Anyway. Dia 17 estou indo para lá. Sem entrar em muitos detalhes, vou continuar a trabalhar para a empresa daqui, e vou vir para o Canadá e os Estados Unidos mais ou menos regularmente se o pessoal da fronteira me deixar entrar.

E...

Eu tenho convites para o Google+. Eu nunca sei o que fazer com estas tais de redes sociais, mas se você estiver maluco para conhecer o Google+ coloque um comentário no blog que eu tento te adicionar.

E por hoje é só pessoal.

Fui!

PS: Estou fazendo um upgrade de uma base de dados (Oracle 11.2.0.1.0 para Oracle 11.2.0.2.3) e me parece que eu vou ficar aqui mais um tempinho.

Fui!!!

quarta-feira, 6 de julho de 2011

E a mala foi para o saco







Segunda-feira, 4 de Julho de 2011. Ao chegar em Hartford, do lado de lá do continente Norte-Americano, Ravi Wallau encontrou a mala do seu filho, Arthur, destruída na esteira de bagagem. A princípio Ravi achou que a mala não fosse sua mas, depois de inspecionar a etiqueta localizada na parte de trás da mala e reconhecer a letra de sua esposa, Ravi finalmente reconheceu que aquela mala amassada, queimada e rasgada era, de fato, dele.

Merdas acontecem. Mas esta merda foi federal. Eu falei para os caras que estavam viajando comigo que era para eles esperarem um pouco, eu não era chato mas aquela mala já era e eu precisava reclamar. Fui lá conversar com o cara da Air Canada, o cara gente boa, eu nem estressado estava porque eu sabia que cedo ou tarde eles iam ter que me dar uma mala nova, talvez quando eu voltasse para o Canadá, mas com sorte por estas bandas mesmo.

Aparentemente, malas não costumam ser atropeladas com muita frequência (a nossa teoria para a mala é que ela foi atropelada), e o cara nem sabia preencher o formulário. Uns dez minutos se passam, o cara aflito, e eu pergunto para ele "cara, as coisas dentro da mala estão inteiras. Não quebrou nada e o bolso da frente estava vazio. Se você tiver uma mala sobrando aí, eu fico feliz.".

Ele não tinha nenhuma mala de reserva, já que a Air Canada tem um vôo chinfrim em um avião em que cabem apenas 18 pessoas para Hartford. Aparentemente, não é a cidade com mais passageiros dos Estados Unidos. Mas aí o cara foi além e eu achei legal - ele ligou para a Delta, outra empresa aérea, e perguntou se a moça tinha uma mala sobrando. Ela disse "vem cá ver o meu estoque" para o atendente da Air Canada e lá fomos nós. O cara andava rápido que só, parecia o meu chefe, o Ian. Quando eu fui para Toronto com ela e uma mulher que trabalhava na empresa na época, a gente sofria para manter o ritmo do chefe e o fato dele ser chefe não ajudava, não dava para dizer "caralho, mano, calma aí". Anyway. Chegamos lá e a mulher deu uma mala novinha, marrom, de marca genérica mas melhor que a que eu tinha, sem papelada, sem formulário, off the books, off the hook, e eu saí de lá de mala nova. O cara me disse que algumas empresas aéreas não mantém um super inventário, e que por camaradagem eles ajudam um aos outros.

Melhor para mim :-).

PS: Está bem quente aqui em Connecticut. Fico aqui até o dia 20 de Julho.

PS: Comecei a assistir Dexter com o Paulão lá na casa da Eliane. A série é boa, copiei uns capítulos e tenho assistido no hotel, para meu desespero na hora de acordar no dia seguinte. Eu sempre penso "é hoje que eu durmo no trabalho e tomo um pé na bunda."

Fui!!!

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Os causo

Desde Domingo eu estou sendo um hóspede inoportuno do Paulo e da Eliane, que me deixaram ficar no basement da casa deles por este tempinho que falta até eu ir embora para o Brasil. Valeu Paulão, valeu Eliane, o Basement de vocês é sensacional e é muito bom ter um teto sobre a cabeça.

Eu trouxe 2.5 carros de tralha na mudança. Carreguei tudo sozinho. Eu sou meio desastrado, então eu me arranhei em dez lugares diferentes, chutei um parafuso que estava preso à uma mesa, furei o dedo com um prego em dois lugares diferentes, ou foram dois pregos ao mesmo tempo, ou algo assim. A minha mão está descamando por causa do produto que eu usei para limpar o fogão, e ontem eu ainda me espetei com a vaca maldita que a gente usa para segurar o milho.

Mas, faz parte. O pessoal do meu trabalho falou para eu tomar cuidado e sobreviver ao final de semana.

Na garage sale, teve um cara das Filipinas que comprou a cama de casal, a escrivaninha da Soraya, uma cadeira, duas mesas de colocar do lado da cama, uns livros, e eu dei os dois sofás para ele porque eu percebi que eu ia morrer com estes sofás na casa. Ele me disse "ok, Sábado que vem eu passo aí para pegar as coisas", e eu disse "ok, venha de carro".

Sábado ele veio. Com isso:



Aqui a gente chama de "dolly", sabe Deus porquê. Não sei qual o nome no Brasil. Quando ele chegou em casa eu tinha saído para almoçar, o telefone toca e é o cara que veio buscar as coisas. Peço para a mulher que me atendeu embalar o lanche, e quando chego em casa encontro o cara no jardim com a dolly do lado.

- Cara, você vai carregar dois sofás, uma cama, um colchão, um outro colchão e uma escrivaninh em cima disso?

Se ele me dissesse "mas é uma coisa de cada vez" eu ia trancar o cara do lado de fora e falar para ele voltar depois de uma semana. Mas eu sou um bom samaritano e tentei colocar o sofá no carro, e é óbvio que o sofá não passou no porta-mala. Liguei para a Cecília e envergonhado pedi o carro deles emprestado... Cê, brigadão. Duas viagens depois a bronca estava resolvida. Devolvi o carro (Cê, brigadão) e voltei pra casa e fiquei a contemplar a sala vazia.

O Brian (dono da casa) passou lá Terça-feira durante o dia para medir uma janela, e depois de ver o estado lastimável da casa, achou que eu nunca fosse conseguir acabar a limpeza/ mudança.

Mas eu acabei! A casa ficou limpa, eu ainda fui no dia seguinte limpar umas coisas que sobraram, mas a casa ficou limpa! Exceto por uma pia quebrada e uma janela que nós vamos rachar meio-a-meio, vou receber o depósito inteiro de segurança, assim o acho.

Maravilha.

Segunda-feira, 4 de Julho, nós vamos para os Estados Unidos passar duas semanas e meia fazendo reunião. Vai ser uma beleza.

Fui!

domingo, 26 de junho de 2011

Checklist da mudança

* Paredes repintadas - yep;
* Carpete "lavado" com o Rug Doctor - afirmativo (comecei à limpar 0:30 e acabei às duas da manhã);
* O que é para jogar fora do lado de fora, o que eu vou levar do lado de dentro - má ou menos, ainda deve ter um lixo ou outro dentro de casa;
* Um andar inteiro pronto - quase, ainda falta limpar a privada do banheiro lá de cima mas é só;
* Esquadrias das janelas limpas - sim e deu um trabalhão;
* Geladeira limpa - é um processo, a parte que não sai de dentro está limpa mas a parte que sai está na pia;
* Banho - é um brincalhão;
* Janelas limpas - os vidros das janelas estão mais ou menos;
* Tomando cerveja vencida - yep, tava na geladeira, eu fiquei com pena de jogar fora.

Caramba, estou cansado. A sala da minha casa parece que saiu daquele programa onde mostram as pessoas que não conseguem jogar nada fora e acumulam um monte de tralha.

Planos para amanhã:

* Acordar babando da cama porque agora já é 2:30 da manhã;
* Achar uma toalha limpa;
* Tomar um banho frio para acordar;
* Me arrastar até o 7-11 e comprar alguma coisa com cafeína;
* Tirar TODA a tralha de dentro de casa;
* Mudar;
* Limpar os banheiros;
* Limpar o chão de madeira da sala;
* Fazer a mudança de facto;
* Levar o lixo da casa para o lixão da cidade;
* Talvez, bem talvez, cortar a grama;
* Fazer a inspeção da casa.

Fui!

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Reflexões

Voltar para o Brasil é um processo. É uma decisão complicada de ser feita já que existem muitas coisas que devem ser levadas em conta - O Brasil é o Brasil e achar que não é assim é tapar o sol com a peneira. Várias decisões tomadas para a nossa volta foram feitas com isso em mente:

- Estamos indo para uma cidade onde a qualidade de vida, até onde sabemos, é muito boa;
- O Arthur e a Hannah vão estudar em escola particular;
- Eu vou fazer um plano de saúde familiar - eu já vi quanto custa, não é barato, mas faz parte do pacote;
- Eu vou trabalhar para o mesmo lugar onde eu trabalhava antes, e eu vou tentar manter um horário de trabalho similar ao que eu fazia aqui. Parte da qualidade de vida é chegar em casa no horário e curtir um tempo com os filhos.

A gente morava em Santos e em São Paulo antes de vir para o Canadá. As duas cidades foram cortadas da lista de potenciais "moradias" por motivos similares - Santos é abarrotada de gente e, talvez por ser cidade de praia, sofre com um número de furtos e assaltos que é exageradamente grande. São Paulo é São Paulo. Grande, divertida, estressante, poluída. Jaguariúna pode até ser meio monótona (é uma cidade de campo no fim das contas), mas é a nossa aposta para o futuro.

Eu achava que eu nunca ia morar no interior, mas depois de morar 4 anos aqui no Canadá, você passa a priorizar outras coisas na vida. Ter a oportunidade de morar em Jaguariúna removeu um dos grandes empecilhos da nossa volta ao Brasil. Eu estou ansioso para voltar logo e ver como é que vai ser.

...

A garage sale (ou moving out sale) acabou. Final de semana que vem ainda vem um cara buscar a cama e os dois sofás da sala. Hoje eu vou comprar uns pincéis para retocar a pintura da casa, e vou começar a complicada e demorada "operação limpeza". Ah é. Vou jogar fora o que é para ser jogado fora, organizar o que eu vou levar, arrumar o que vai ser dado. Vai ser uma beleza. Uma maravilha. Sim, sim... Eu preciso me organizar e colocar um calendário de metas para cada dia da semana, senão eu vou deixar para fazer tudo no sábado e isso não vai ser legal.

...

Bom, preciso ir-me.

Fui!

sexta-feira, 17 de junho de 2011

The plan

Hoje a Soraya foi para o Brasil com 200 e poucos quilos de bagagem, um carrinho de bebê, um bebê e um bebezão crescido. O bebezão maior ficou para trás. Amanhã de manhã eles chegam no Brasil. O Octávio foi para casa me ajudar a levar a tralha para o aeroporto, e olha, foi essencial e nós seremos eternamente gratos. Eram seis caixas grandes, duas malas, e um monte de silver tape para segurar tudo no lugar. Fazendo as contas, foi um rolo de silver tape por caixa. A mulher da Air Canada ficou feliz com o meu empacotamento, ainda bem, já que o check-in levou uns 45 minutos.

Mas...

Embora do Canadá para sempre? A gente acha que não, e eu vou explicar o porquê. A empresa em que eu trabalho aqui no Canadá ofereceu a possibilidade de eu trabalhar remotamente do Brasil, e eu aceitei. Conversando com a Soraya, nós decidimos que vamos aplicar para a residência permanente no Canadá (eu tenho direito à aplicar depois de viver aqui por tanto tempo). Quando o processo for concluído, nós teremos de um à dois anos para visitar o Canadá, e depois, nós próximos 5 anos, nós teremos que viver aqui por 2 anos para poder renovar a residência permanente.

É assim:

a. Chegou no Brasil - 1 ano para aplicar;
b. 11 meses depois a aplicação fica pronta;
c. X meses depois a gente tem que visitar o Canadá;
1. Nós próximos 5 anos depois da primeira entrada no Canadá, nós temos que viver 2 anos aqui para manter o "status" de imigrante Canadense;
2. Volte para o passo 1 (a cada 5 anos, viver 2 no Canadá).

Complicado? Nem tanto. Nada é para sempre e nenhuma decisão é final. Se a gente fizer isso, a gente dá ao Arthur a possibilidade de viver no Canadá um dia se ele quiser, e ele poderá estudar aqui e no Brasil, aprendendo as duas línguas de forma igual.

Vai dar certo ou não? Vamos fazer isso mesmo? Não sei, é uma idéia. No momento estamos muito felizes de voltar para o Brasil e eu estou extremamente ansioso de poder voltar à viver entre as pessoas que nós deixamos para trás há quatro anos. O Arthur está maluco para viver em Jaguariúna (ele não gosta da neve e ele não gosta do frio), e todo mundo está doidinho para ver a Hannah.

O dia chegou!

Fui!!!