sexta-feira, 26 de junho de 2009

Escrevendo de verdade

Ontem foi um dia de vento em Calgary. Ventou como não venta do pedaço de Brasil que eu vento. Ventou de ouvir os barulhos nas folhas das árvores lá de longe. Ventou tanto, mas tanto, que o barulho do trator na construção do caminho de casa para o trabalho vinha em ondas. Ventou tanto que até o pessoal que mora aqui falou que ventou mesmo.

Ontem eu fui buscar a bicicleta da secretária aqui do trabalho com a Soraya e o moleque. Eu perguntei de uma bicicleta para vender, ela disse que tinha uma que não usava mais e que eu podia ficar com a bicicleta se eu quisesse. Três semanas depois fui lá eu resgatar a magrelinha do seu ócio, mas no fim das contas era uma bela de uma bicicleta que estava só largada em um canto, com pó por todos os cantos. Falei com alguém com quem eles (ela e o marido) dividiam a casa (coisa bem comum aqui, mesmo para casais), e fomos embora. Mas toda esta história foi só uma desculpa para contar outra coisa.

Mas que bairro bonito este que eu fui ontem! É perto de casa, se chama Strathcona, e eu acho que eu nunca prestei muita atenção de fato na geografia do lugar. Tudo muito arborizado, ladeiras, algumas vistas, o barulho do vento nas folhas das árvores (este é aquele tipo de barulho bonito mas que incomoda - eu prefiro barulho de mar), algumas construções mais antigas, ruas e casas que não são pasteurizadas. Bem interessante, embora seja uma vizinhança cara (acho que mais cara do que onde eu moro).

Bom!

Falando em ruas e afins, ontem ou uns dois dias atrás eu fui almoçar com os "chefes" - o almoço foi bom, mas eu falei tanto do Brasil que depois eu fiquei pensando que eu devo ser uma companhia chata para almoços, eu sempre falo das "diferenças de Brasil e Canadá", ou "como é imigrar e o que é que a gente sente", mas são as pessoas que perguntam e eu tenho que responder, ora pois! Não me pergunte "como é que você está?" porque eu vou contar e não simplesmente abanar a cabeça!

Mas... como é imigrar? (ou simplesmente morar em outro lugar por dois anos, já que imigrar mesmo, eu não imigrei)

É... estranho.

Em relação ao Brasil, por exemplo, é como estar longe, vendo tudo acontecer do alto, sem poder participar de verdade. É como se...

...a roda continuasse a girar por lá mesmo sem a gente para empurrar.
...os nossos pais continuassem a envelhecer mesmo sem a gente lá para ver.
...as crianças continuassem a nascer sem a gente lá para tentar chutar se é menino ou menina.
...a cidade continuasse a crescer sem a gente lá para se queixar do barulho da construção.

A gente sabe que a vida continua, mas a gente não está lá para ver.

Eu vi uma foto recente das minhas irmãs (por parte de pai) e pensei "quando é que estas meninas espicharam deste jeito?". Um dia falei com a Tatá, priminha do Arthur, de quem eu me lembro falando "gugú-dadá", e ela já sabia falar frases completas, com direito a "tio Ravi" e tudo! Pode?

Acho que eu preciso falar mais com os meus amigos e com a minha família. Ando meio "home sick" já que faz um tempinho já que eu não paro para conversar ao telefone por meia hora. A última vítima foi o Kb.Lo, que estava "cochilando" à uma da manhã. Quer saber? Acho que vou ver o mar! Estava falando com a Soraya e com um outro amigo meu, meu carro já andou trezentos e vinte e cinco mil quilômetros, acho que ele aguenta mais uns dois mil!

Fui!

3 comentários:

Soraya Wallau disse...

Rá, desculp e corrigir, mas acho q era padronizado no lugar de pasteurizado, né????!!!!
hahaha
Bjos.

Eliane disse...

Oi Ravi,
tava com saudades dessas reflexões.
Como a cidade fica bonita no verão, tudo florido, verde. Adoro a tua vizinhança é o meu sonho de consumo hehehe.
Quem sabe um dia.
Bjs e até breve.
Eliane

Pai dos trigemeos disse...

Pea quem diz que nao entende muito de poesia, este post esta bem poetico.
Esta com cheiro de viagem a Vancouver, nao ta nao?
Abracos.
Ah! Lucky wheels eh muito bom, faz sentido! Mas agora ja eram!