quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Shorts

O pessoal que fala Inglês desde criancinha não sabe o que é "gênero" nas palavras. Se você não sabe, é o "sexo" das palavras - ônibus é masculino, cadeira é feminino, e poraí vai. Como o Inglês deve ser uma das poucas línguas do mundo que não tem gênero nas palavras, dá-lhe dificuldade na hora de aprender a falar Francês, Espanhol, Português ou qualquer outra língua. Estava eu analfabeto de pai e mãe tentando explicar que, quando a palavra termina em "a" ela é feminina e, normalmente, se terminar com "e", "i", "o" ou "u" é masculina. Ledo engano - funciona com "leite", "foguete", "tapete", mas aí eu lembrei que tem "cidade", "parede", entre outras. Com "i", "o" e "u" acho que a grande maioria das palavras acaba sendo mesmo masculina.

Para eles é claro que é estranho esta história das palavras terem sexo. Onde já se viu? Assim como também deve ser estranho os quinze tempos verbais que o Português tem, mas paciência. Mas eu acho estranho quando vou contar uma história e falo "friend" - e aí eu tenho que especificar se é "male" ou "female" friend, já que os malditos não tem "amigo" e "amiga". As mulheres costumam se referir às suas amigas mulheres como "girlfriends", mas eu não sei se seria estranho um homem se referir à uma mulher que é sua amiga como "girlfriend" (eu acho que ficaria), e não chamo ninguém de "boyfriend" nem que eu esteja narrando a história da minha vida para a Rainha da Inglaterra na hora da minha morte. Outra coisa que eu acho meio estranha é o fato de "you" não ter plural. O resultado é que quando eu quero dizer alguma coisa para mais de uma pessoa, eu sempre falo "you all".

O bom de estar aqui é falar "NO WAY" como expressão do dia-a-dia e ser entendido sempre, ou então aumentar e falar "NO FUCKING WAY", "NO FUCKING FREAKING FUCKED WAY" e poraí vai. "Flying by the seats of the pants" é algo como "consertar o avião em pleno vôo", e a tradução seria "voar com os assentos das suas calças" (voar sentado nas calças), o que é meio estranho para quem não conhece o "ditado popular". Não achei nenhuma palavra para falar depois que alguém espirra, e eu sempre digo "god bless you" - se eu falar "health" (saúde) vão me olhar com cara de doido, pois não faz sentido nenhum.

Eu até que estou entendendo Inglês super bem agora, mas quando eu não entendo eu parto para o código universal da conversação em código. Sorrio, e se a pessoa ficar olhando com uma cara estranha sorrio mais ainda. Se ainda assim ficar um clima estranho eu digo "yeah, in fact, you know, i think that's right" ou qualquer outra coisa sem sentido. Eu sempre digo "so" (então) antes de interromper algum assunto (eu faço isso bastante, até aqui no blog"), e até comentaram comigo isso (você fala bastante "so", né?). Eu digo que eu falava bastante em Português e que "herdei" isso para o Inglês. A Chinesaiada fala "in fact". É "in fact" pra isso, "in fact" pra aquilo outro, e dá-lhe "de fato".

So...

> O menino tá com dor de garganta hoje. Está com um pouco de febre, 37.5, acho que vai ficar de molho amanhã. Pode ser por causa do Chinook, pode ser por causa de friagem, mas ele estava reclamando bastante. Agora está lá dormindo;
> Sexta-feira, 1:20, saio de Calgary para Toronto. Chego lá pelas seis ou sete da noite e pego o vôo para São Paulo umas dez da noite. Vou chegar em São Paulo dez da manhã do dia seguinte;
> Já tenho mais ou menos uma idéia das coisas que eu tenho para fazer por lá. Quero resolver pelo menos as coisas mais complicadas. O resto a gente deixa para mais tarde;
> Acho que depois quem vai é a Soraya, mais para o meio ou fim do ano. Eu só devo voltar em 2009 depois desta viagem, já gastei a minha "quota" (mas o dia de amanhã ninguém sabe);
> Estou fazendo o site da empresa que a Soraya está começando com duas amigas. Ou uma das amigas começando com a Soraya e outra amiga. Ou a ordem dos tratores não altera o viaduto (a ordem dos fatores não altera o produto, o que não faz um professor para a gente decorar alguma coisa). Vamos ver se eu consigo fazer alguma coisa bem biita;
> E é isso. O povo correndo no trabalho, eu sofrendo com uma dor de cabeça hoje (soma de falta de sono + chinook), o Arthur com dor de garganta, a Soraya com dor nas costas, pelo menos a casa anda em ordem.

Fui!!!

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Bobagens...

Coisas que a gente tem no Brasil que não existem aqui:

. Encanação com o número 24. Estava eu explicando que faz um tempo a Volkswagen (aqui tem um outro VW) lançou uma série especial de um carro (o Gol), numerada de 1 à 100, mas que não colocou à venda os números 13 (azar), 69 (...) e 24. No que eu falei "24", me perguntaram "porquê não o 24?". Aí eu expliquei que era o "número do veado" - e dá-lhe aula de cultura popular depois disso - "então, tem um jogo que é o jogo do bicho - o número 24 é o deer, o Bambi, que é meio afetado, e por isso virou o número do veado, que ninguém gosta";
. Cachorro e gato na rua - os coitados iam virar picolé de pelo se ficam do lado de fora no meio do inverno;
. Aliás, comércio de rua aqui quase não existe (deve ter umas três barraquinhas de cachorro-quente na cidade), e no inverno o pouco que tem fica entocado;
. Criança de rua - tem muito adulto de rua, mas criança de rua a gente não vê. Na Espanha, eu vi uma mulher pedindo dinheiro com o bebê no colo, igualzinho ao Brasil, mas aqui, nunca vi. Tanto é que o pessoal do Canadá ficou super espantado e chocado com aquilo, aí tive eu, cidadão do Terceiro Mundo, explicar que ela só faz aquilo para ganhar mais dinheiro, e que ela não fica chorando o tempo inteiro, só quando passa alguém por perto;
. Carros da Fiat, Renault, Peugeot, Citroen - já escrevi sobre isso antes e não mudou nada até hoje - quando alguém vai trazer o UNINHO para cá?;
. Não tem churros. Nem mandioca. Mas para quem quer, tem pepino;
. Tem massa de pastel para vender, mas não tem pastel pronto na feira;
. Aliás, não tem feira;
. Mas tem um zilhão de mercados;
. Tem doce-de-leite na Superstore; Tem até castanha-do-Pará;
. Dizem que tem fanta-laranja, mas eu nunca vi. Não tem fanta-uva, mas em compensação tem uma infinidade de outros sabores que eu nunca vou ter coragem de provar;
. Tem McDonalds, mas não tem Cheddar McMelt - para que serve, então?
. Não tem Dipirona Sódica;
. As farmácias aqui são mais controladas do que no Brasil e a venda dos remédios é fracionada, só vem o que o médico mandar;
. Tem muito campo de futebol mas jornal no jornal, só de vez em quando;
. Futebol do Brasil, vi uma vez só no jornal - na TV, nunca.

Mas aqui também tem chefe bravo. Vou voltar para o trabalho. Fui!!!

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Divagações

Nem sempre a gente consegue realizar tudo que quer na vida. Nem sempre as pequenas batalhas são vencidas aos pares, e é comum que para conseguir uma coisa seja necessário sacrificar outras. Acho que é assim para todo mundo. Agora, Sexta-feira, estou indo para o Brasil tentar matar uns três leões, colocar uns macacos de volta aos seus galhos e debulhar uma plantação de abobrinhas. Infelizmente a verba não dava para todo mundo e eu estou indo sozinho, com um aperto no coração de deixar a Soraya e o Arthur sozinhos em casa de novo. Pelo menos desta vez, quando eu voltar, vou trazer uma boa parte das coisas que foram deixadas para trás na promessa de que esta viagem seria apenas temporária. Livros, filmes, roupas, brinquedos e algumas outros objetos materiais que são parte da nossa identidade.

Estou também bastante ansioso para rever os amigos e família, embora não pareça tanto tempo assim quando a gente pára para pensar. Algumas coisas que eu sei que eu vou fazer incluem uma visita à casa da Regina para conhecer o futuro baby e também um churrasco com a molecada - e visitar o Kb.Lo para ver a sua casa mobiliada. Minha mãe deve ir para Santos me visitar porque não vou ter tempo para ir até Caraguá, o que é uma pena, e com certeza vou dar um pulo na casa do meu pai conhecer a sua cozinha nova :-). E vou ter que aportar na casa nova do sogrão, já que o apartamento que eu conhecia já é passado. É, a vida continua :-).

Voltando ao passado, eu saí do Brasil há oito meses, mais ou menos. Naquele dia eu dirigi até o aeroporto (já antecipando o fato de que eu ficaria sem dirigir por um bom tempo), e me lembro bem de olhar para a estrada com calma (estava um dia muito bonito), e meio que "me despedir" da Rodovia dos Imigrantes, estrada por onde eu sempre dirigia - e eu nunca cansava de admirar a paisagem em alguns pontos da viagem. É, eu sou estranho, eu sei. Se eu um dia for morar na Espanha e pegar um trem que passa ao lado do mar, como o do vídeo que eu publiquei faz uns dias, vou ficar admirado com o "big blue" todos os dias. Bom, voltando ao dia da viagem, eu também lembro do menino não se tocando que ia ficar sem me ver por um tempo e me dando um tchau meio desencanado :-). Depois, na volta para Santos, ele chorou um pouco e dormiu. Um mês longe da família é muito tempo, e é por isso que eu também vou ficar no Brasil o menor tempo possível (dez dias apenas).

Em uma das viagens que eu fiz pela empresa eu conheci uma garota Brasileira que havia se mudado para Seattle fazia um ano, eu acho. Ela era casada com um Americano e já tinha um belo de um sotaque para falar Português. Em um ano, acho que ela tinha ido visitar o Brasil cinco vezes. Essa aí tem um número alto de milhas aéreas (e um salário idem). Acho que a única coisa com o que eu realmente me preocupava antes de deixar o Brasil era "sumir" de lá, sem perspectiva para voltar e visitar. Eu estou indo agora em Fevereiro, a Soraya deve ir lá para o meio do ano (Agosto, Setembro, Outubro), já que o menino andava com saudades nestes dias. Mas nada que uma brincadeira com outras crianças (Brasileiras, especialmente) não resolva.

Bom, isso aí. Sábado estou chegando nas terras verde-amarelas. Só contar uma...

...Historinha peculiar

... faz um tempo, eu escrevi sobre os povos estranhos daqui do Canadá. Uma das peculariedades era o fato como o povo Indiano se veste (cores berrantes em profusão) - é como se eles fossem imunes à combinação verde-perereca com rosa-choque. Pois bem, estes dias fui na mesa de um colega da Índia, que havia pedido a minha ajuda para resolver um problema, e notei que os comentários no seu código estavam verde-perereca. Para quem não é da área, um comentário no código é como se fosse uma nota no meio de um texto importante. A nota em si adiciona algo para o texto, mas não é algo que deva ter a mesma importância do mesmo. Por isso, as pessoas normalmente adotam cores mais neutras para os comentários. Eu uso um cinza claro.

Pois bem:

eu sou o código fonte, e devo estar bem legível...
comentário verde-perereca
... mais código...
comentário cinza-claro
... mais código...

Agora olhem o texto acima. Parece que passaram aquela caneta marca-texto na linha verde-perereca, como se fosse para dar destaque, certo? É como se o verde-perereca pulasse aos seus olhos e o cinza ficasse com menos destaque. Pelo menos é assim que EU vejo. Mas não é assim que ELE vê. Na hora em que eu abri os comentários eu até me ofusquei com o brilho da tela, e perguntei "why are you using LIME as comment color?" e ele me disse que para ele é como se fosse uma cor mais neutra, mais clara, que não se destacava tanto quanto o resto do texto.

Verde-perereca é cor neutra? Ok, minha teoria de que eles enxergam as cores de forma diferente está provada :-).

domingo, 24 de fevereiro de 2008

The man says "SMILE"

Canadian party

No Sábado a gente foi na festa de noivado do Curtis e da (agora) noiva dela, a Krista. Chegamos lá um pouco antes da festa começar. O sapato fica na porta, como em toda casa no Canadá - e os casacos ficam no armário, que já estava quase lotado na hora em que eu cheguei. No começo a gente se sentiu um pouco estranho - algumas coisas são tão diferentes do Brasil que você acha que eles só estão fingindo que é daquele jeito. Que estranho, todo mundo falando Inglês :-). Mas no fim a gente adorou. O pai da noiva fez um discurso que fez a noiva chorar, teve gente que gostou do nosso sotaque, tinha cerveja gelada, e eles tinham uma maneira bem interessante de ganhar dinheiro - um CASSINO! É isso mesmo. Eles tinham vários jogos pela casa, Pôquer, 21, dardos no andar de baixo e provavelmente uma ou outra coisa que a gente nem viu. Eu nem ia jogar os dardos com medo de furar a parede, mas quando eu vi que ela já estava (bem) furada, nem encanei - e olha que no fim eu só acertei mesmo foi o tabuleiro (é esta a palavra?) do dardo.

Eu joguei duas rodadas de Pôquer. Na primeira, saí no meio zerado. Na segunda, zerei todo mundo. Como a festa era de noivado, e não uma noite em um cassino de verdade, não fiquei com os duzentos dólares que sobraram no fim do jogo :-). Mas a intenção essa era mesmo, a gente foi com alguns dólares para deixar na casa como nosso presente de casamento. As principais diferenças mesmo no fim de tudo foram:

. O fato de que tinha um XBOX no basement onde o pessoal ficava jogando Guitar Hero;
. A informalidade das pessoas (o povo aqui é MUITO informal, mais do que no Brasil);
. A comida ficar na cosinha e você ir lá buscar;
. Levar a própria cerveja na festa de noivado (no fim até que eles tinham BASTANTE cerveja por lá, mas sendo o bom beberrão que sou, achei que era melhor dar uma mão);
. Por mais estranho que pareça, o fato de todo mundo falar Inglês - parecia festa do CCAA - até que eu me acostumei com a idéia de que aquela realmente é a linguagem deles :-)...
. E acho que foi só. De resto, a festa foi ótima.

Falando em coisas que são estranhas, parece meio forçado para alguém que é do Brasil, acostumado com futebol 24 horas ao dia, ver como o povo aqui é fascinado por Hockey. Parece até forçado, mas é assim mesmo que eles são. Adoram Hockey. Aqui as Olimpiadas de inverno também são coisa séria. Se você só falar Jogos Olímpicos, alguém vai ter perguntar se é de verão ou de inverno. E quando você diz "é lógico que é de verão", dnado de ombros para os jogos de Inverno, eles fazem cara de surpresa - aí você explica que não tem inverno no Brasil e eles entendem porque isso não é tão importante por lá.

Foi bom ir para a Espanha e ver manchetes relacionadas ao futebol no jornal :-).

Vou voltar para o Oscar agora. Fui!!!

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

The man says "WRITE"

E a gente escreve...

(auto-flagelação)

. Até o pessoal do trabalho fala que eu sou cabeçudo. Ninguém merece. Não bastassem os anos de sofrimento no colegial com o clube cabecildes (eu, Kb.Lo, Akira), o clube da cabeça quadrada (cujo sócio exclusivo era o Fabrício) e por último o clube do careca ao contrário (Chuck, que nunca vai ser careca na vida), ainda tenho que ouvir do meu chefe que meu ponto de equilíbrio é alterado;
. No trabalho antigo tinha um Japonês que me chamava de Cabireca (cabeludo careca, porque eu sou meio careca mas estava cabeludo);
. O maior sofrimento no vôo de Barcelona para Nova Iorque foi perceber que eu ia peidar o vôo inteiro (nesta vida tudo tem um preço - comida barata ou velha se paga depois). O maior alívio foi perceber que eles eram do tipo inodoro;
. Depois de 20 horas de pé, suando, dormindo, babando, vendo filme, comendo na bandejinha e espalhando migalha por todos os cantos do avião, só se recupera a dignidade quando se chega em casa e se toma um banho;
. Eu devo ser o único ser que gosta de ficar vendo a asa balançar quando o avião encara uma turbulência;
. Neste tempo que eu fiquei fora o Arthur ficou meio chateadinho com a minha ausência. Estou tentando compensar brincando bastante com ele nesta semana, mas Sexta-feira já caio na estrada de novo, desta vez indo para o Brasil - depois disso eu quero ficar em casa por uns bons meses. Bendita hora em que vai vencer o meu visto de entrada no Canadá (é uma ÓTIMA desculpa para não poder sair do país);
. Fui para a Espanha e não comi Paella;
. Nem chamei ninguém de "CABRÓN";
. É legal a maneira como o "de nada" é falado em Espanhol. Parece o pessoal do sul falando;
. Sabe quando você vê uma palavra desconhecida em Inglês e não sabe como se pronuncia, e fala tudo errado? Vingança poética, o pessoal do trabalho não tem a menor idéia de como se pronuncia as palavras em Espanhol (que é quase igual ao Português). Era um tal de "R" enrolado e "A" com som de "EI" que foi uma beleza. Em algum canto escuro da minha cabeça podiam se ouvir risadinhas de vilão de filme infantil;
. Aliás aqui dá vergonha de ficar cantarolando a música que você está ouvindo no fone de ouvido? No Brasil você pode enganar e cantar errado em Inglês, aqui alguém vai te perguntar "WTF you're talking about?".

Amanhã vou no primeiro casamento no Canadá. Não considero casamento de verdade porque a festa é na casa de alguém e é para umas 30 pessoas - mas eles dizem que é - no convite está escrito "engagement party" e tem que ir vestido de preto e branco. Eu pensei em ir fantasiado de pinguim, mas eu acho que ia ser sacanagem.

A...

...acabou o que eu tinha para escrever. Até mais tarde, crianças.

Obrigado à todos pelos comentários no meu blog! Não são muitos, mas tem conteúdo!

The man says "MUSIC"...

... e a gente compra um CD de música Espanhola (mais especificamente, serenata Espanhola):

(isso foi no parque do Gaudi - parque Guell - depois disso o tiozinho tocou alguma música Brasileira cujo nome eu não me lembro mais)
Link para a página do Gaudi no Artsy: https://www.artsy.net/artist/antoni-gaudi

The man says "JUMP"


(e a gente "JUMP")

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Immigrants

Quando eu estava na Espanha eu sentia que meu Espanhol não ia muito bem quando eu perguntava (ou respondia) alguma coisa em Espanhol, e a resposta era uma cara fechada (que diz "como você não fala a minha língua?") ou então era falada em Inglês, o que aconteceu inúmeras vezes devido à minha cara de gringo e ao fato de eu estar com meu bronzeado de inverno Canadense. Teve um taxista que pareceu particularmente irritado quando eu tentei ensinar o caminho para a casa onde a gente estava com o meu Portunhol meia boca. O seu grunhido significou "como assim você quer me ensinar o caminho na MINHA cidade, no MEU taxi (um belo de um Audi), falando este Espanhol FAJUTO?". Pois é.

Mas também teve um senhor e uma senhora no trem que foram super simpáticos comigo. Um cara do trabalho que estava comigo ficou boiando na conversa, mas fazer o que? Voltando à Espanholada, eles me disseram que o meu Espanhol era totalmente excelente, que o trem era de graça (a propósito, o trem era de graça) por conta de umas obras de melhoria que estavam causando transtornos para a população. Para o povo não ficar descontente, fizeram o trem grátis. A gente também conversou sobre mais uma dúzia de coisas, o senhor explicou para a senhora sobre como era frio no Canadá e como era uma terra bem despovoada, que existiam territórios imensos sem uma alma, e poraí vai. Perguntei se tinha muito Brasileiro na Espanha, e eles fizeram a mesma cara que alguém faria se eu perguntasse se tinha muita água em um Oceano. Pois é. Tem mesmo.

Os dois primeiros Brasileiros que eu encontrei estavam com maquiagem de zumbi em um supermercado no centro da cidade (Carrefour). Acostumado à escassez de compatriotas de Calgary, fui todo feliz falar "ehhh, eu também sou Brasileiro, que legal", e eles fizeram uma cara de "legal - mas e daí?". Depois de andar mais um pouco pela cidade e ver que a segunda ou terceira língua mais falada é o Português, percebi que eu devo é ter feito um belo de um papel de bobo comemorando ter encontrado outros Brasileiros. É o que mais tem por lá mesmo depois dos povos que falam Espanhol (porque tem muita gente da América do Sul em Barcelona).

Mas a impressão que eu tive mesmo é que o Canadá "adota" mais os imigrantes do que a Espanha. Pode ser uma impressão, pode ser verdadeira ou não, mas pelo menos em relação à língua o pessoal daqui parece ser muito mais relaxado do que o Espanhol. Até porque o Canadá é mesmo uma terra de imigrantes, um lugar novo formado e mantido por pessoas de todo o mundo, em ondas de imigração diferentes em épocas diferentes.

Ixe, estou divagando. Sinal de que é hora de ir dormir. A gente está vendo "Across the Universe" agora e tem um zilhão de músicas dos Beatles. Da hora. Agora eu vou para o meu canto. Ave Canadá, Ave Espanha, Ave Brasil.

Fui!!!

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Barcelona y otras cosas

Volver!

Voltei! Ainda estou meio zonzo por causa da diferença de fuso-horário entre Calgary e Barcelona (oito horas), fica tudo meio "invertido" no nosso relógio biológico. Ontem liguei para a minha mãe, para o meu pai e para o Kb.Lo, mas eu só consegui falar mesmo foi com a véia, já que o véio anda trabalhando até mais tarde e o mano devia estar na vida boêmia com sua digníssima namorida.

A viagem de Barcelona para Calgary foi tranquila, mas demorada. A cada parada (foram três vôos, duas paradas) o povo do meu trabalho tomava umas três cervejas - e quando chegava no avião ainda emendava mais alguma coisa. Eu fico só no meu suco de laranja e café (toda vez que a aeromoça passa e pergunta se eu quero alguma coisa eu respondo "orange juice and coffee - milk and sugar"). Bode no avião, tô fora. E eu também não preciso de nenhum artifício para me fazer dormir, é só me encostar em algum lugar que eu apago no instante seguinte.

Viagem

Barcelona é sensacional. Em alguns lugares a cidade parece um museu ao ar livre, já que todos os prédios tem uma característica peculiar em sua arquitetura. A semana de trabalho foi de trabalheira mesmo, mas nas folgas eu pude conhecer uma parte grande da cidade. No último dia eu e mais um cara do trabalho fizemos um tour rápido pela cidade usando o metrô, trens, ônibus e street cars. Alguns lugares interessantes:

Sagrada Família (não cheguei a entrar lá porque tinha MUITA gente lá dentro e tinha que pagar):


Parque do Gaudi - Parque Guell (eu sou o cidadão mal-vestido no meio da foto):

(tem um cowboy dourado à esquerda e uma múmia branca à direita na foto acima - assim como no Brasil, são estátuas vivas que se mexem quando a gente coloca dinheiro)

Mais uma (o cara que está comemorando lá em cima é o Jerry):


Banheiro do lugar:


Torre Agbar (o dildo gigante):


Um dia antes a gente tinha ido para uma cidade ao norte de Barcelona chamada Figueres, onde nasceu Salvador Dalí. A cidade fica na última cidade da Espanha antes da divisa com a França, a gente até cogitou de ir lá só para ganhar um carimbo no passaporte. Até imagino o diálogo:

. Motivo de viagem à França, senhor?
. Nada não, só quero ir e voltar para dizer que eu já fui na França. Só quero mais um carimbo no meu passaporte :-)

Infelizmente não fomos. Se eu for de novo para Barcelona um dia com certeza eu vou fazer um tour pela primeira ou segunda cidade no sul da França. Voltando para Figueres, lá tem o Teatre-Museu Dali, que a gente foi visitar. Algumas fotos:

Eggs:


Pessoas assistindo à descrição em Francês dada por um guia:


Retrato:


Teto do lugar:


Estátua (se eu fosse mais letrado eu colocaria outras informações além do óbvio):


Eu também fiz uns vídeos de alguns objetos em movimento:

(esse é o mais legal. Também tem este e este, que são legais, mas não são TÃÃÃO legais)

Falando em vídeos, este é um que eu fiz que eu achei BEM louco, é o trem de Sitges para Barcelona, na hora em que ele passa do lado do mar. Quando ele entra dentro do túnel fica um pouco chato, mas vale a pena ver mesmo assim (pelo menos é o que eu acho):


Fiz também dois vídeos em que aparece algúem tocando música, este aqui no parque Guell e este outro em uma estação de trem. Por último, tem este vídeo aqui no edifício Agbar, no museu da água.

Outros lugares que eu visitei no último dia que eu achei bem interessantes:

Arco do triunfo:


No parque onde fica este arco tinha uma pombinha bem fdp:


E haja foto. São quatro álbuns:

Barcelona


Barcelona from Facebook


Barcelona Part #2


Barcelona - Part #3


Isso aí. Viajar é bom, voltar é melhor. A expressão que o pessoal do meu trabalho usa para "saudades de casa" é "homesick", é meio como eu estava me sentindo nos últimos dias. Mas a viagem em si foi sensacional, vi os lugares que eu queria ver, trabalhei bastante, descansei pouco, pratiquei o Espanhol, voei bastante (eu meio que gosto de avião), em resumo valeu a pena.

Vou trabalhar agora. Tenho umas reflexões a fazer sobre o povo de lá, diferenças em relação ao Canadá, etc, mas agora estou muito sonolento para pensar.

Fui!!!