quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Os causo

De vez em quando eu fico sem escrever.

De vez em quando eu escrevo besteiras, que nem um filme de ação vazio e barulhento com umas cenas legais, orçamento caro e umas moças bonitas, que é legal por meia hora mas que depois fica meio monótono.

De vez em quando eu filosofo.

É engraçado a capacidade que eu tenho para não ter medo de bicho nenhum, mas para morrer de medo de subir a escada do porão depois de ver um filme de terror com criancinhas que dão risadas macabras. Acho que de alguma maneira isso deve ser conectado à minha infância - eu praticamente cresci na selva (mãe, estou exagerando um pouco), mas a casa da minha mãe era grande, bem grande, e os pinheiros que a gente tinha no jardim batiam no telhado quando ventava e a casa inteira ressonava. Literalmente, parecia que tinha umas dez pessoas no andar de cima da casa, quando eu sabia que eu era a única alma (viva) ali. Mas eu acho que o meu medo de escadas vem de um dia em que eu desci a escada e juro de pé junto que ouvi uns passos atrás de mim, descendo a escada rápido, como se fosse uma alma (viva?) com mais pressa do que eu.

Lembra do filme Sexto Sentido, em que o menino corre até o quarto e se enfia embaixo do lençol, como se o lençol fosse um campo de força que não deixasse nada entrar? Eu era igual, mas eu nunca vi "dead people". O meu ceticismo em relação aos assuntos relacionados ao que eu não posso ver de certa maneira se chocam com as minhas lembranças de infância.

Se você está arrepiado, bata palmas.

Pode ser também que a minha memória valorize um pouco as coisas - e, em relação às coisas que eu já ouvi, não duvido nada disso. Quando eu era criança, e mesmo hoje, eu não consigo dormir de jeito nenhum com relógio de corda - ou qualquer coisa que faça Tic-Tac. Em casa tinha um relógio de Quartzo que fazia um barulhinho ridículo com o ponteiro dos segundos. Um "tic, tic, tic", bem baixinho, mas que depois de 5 minutos virava o barulho de um serrote - e pronto, eu achava que tinha alguém serrando a porta da minha casa. Junte com isso o "nhec, nhec" dos galhos dos pinheiros no telhado de casa, o estalo dos móveis em uma noite fria depois de um dia de calor, os gatos no cio chorando do lado de fora, os sapos coachando, os grilos grilando, os cachorros latindo e as vacas mugindo (brincadeira, não dava para ouvir as vacas), e dá para ter uma idéia de como uma imaginação fértil ganha milhagem grátis.

Eu acho que eu já escrevi o "kit prevenção de sustos não intencionais após ver filme de terror", mas aqui vai - depois de ver um filme de terror, eu:

. Memorizo se todas as portas estão abertas ou fechadas;
. Abro a cortina do box rápido e deixo ela aberta depois;
. Não fecho o olho no banho - a não ser que o shampoo seja ardido demais;
. Pulo na cama e deixo todos os meus membros (sem trocadilhos aqui) para dentro da cama - ou seja, eu não durmo com o braço para fora e a mão raspando no chão.

A não ser que seja um filme de zumbi - neste caso, eu cumpro só uma ou outra TOC da lista acima.

Semana passada, o Fabrício estava aqui conosco. O Fabrício é um amigo nosso da época do colegial - parte da "tchurma" (que gíria brega). O Fabrício tinha uma namorada cuja família tinha uma casa de campo em Amparo - tudo no passado, o namoro acabou e a casa foi vendida. A casa era linda de dia e apavorante à noite. A história aconteceu com o Fabrício e não comigo. Vamos tentar contar o causo:

"
Depois de usar o banheiro, Fabrício não apagou a luz e nem fechou a porta, já que o corredor até os quartos era escuro e sem janelas - a luz da lua cheia ficava restrita à cozinha, à sala e à uns poucos quartos. De peito estufado, pés descalços e pernas trêmulas, ele se dirigiu ao seu objetivo, o quarto da porta que ficava à esquerda. Em segundos que mais pareciam horas, metros foram vencidos e o objetivo conquistado... Será?

De algum lugar na direção da cama vem um "hihihi" em uma voz infantil, uma risada inocente e ao mesmo tempo apavorante. O nosso protagonista, inabalado com o estranho som, exclama:

- Quem está aí? APAREÇA!!!

No que o criado mudo começa a se mexer. Nosso protagonista, desta vez mais abalado do que antes, seus olhos em terror diante do inexplicável acontecimento, se prepara para correr em direção à qualquer lugar em que risadas macabras não venham de baixo da cama e onde criados mudos não tenham vontade própria, quando aparece uma criatura saída de debaixo da cama.

Não uma, mas duas! Duas crianças, sobrinhas de alguém na casa, que foram brincar embaixo da cama e que quase mataram o tio Fabrício do coração. Eu tiro sarro dele, mas eu teria que voltar para o banheiro depois dessa.

O Fabrício protagonizou outra história em Itatiba, quando ele e um outro amigo resolveram assustar umas meninas fazendo a brincadeira da "noiva da meia-noite" (uma mulher de vestido de noiva aparece à meia noite atrás da igreja), usando uns lençóis brancos e uma ou outra improvisação sem vergonha - mal sabiam eles que, enquanto eles bolavam o plano deles, uma das meninas pediu para a mãe colocar um vestido de noiva de verdade e ir dar um susto nas "noivas" no momento em que eles estivessem atrás da igreja.

Eu sempre penso que quem está tentando dar um susto é também quem está mais propenso a se assustar. Imagina você, à meia noite, atrás de uma igreja com todos os seus símbolos, pedras escuras e afins, adrenalina a mil esperando a vítima inocente aparecer, quando surge uma noiva de verdade fazendo "bú!". Eu, hein!

Tudo isso foi para dizer que a Soraya está indo para o Brasil e eu vou passar quase dois meses sozinho (eu vou em Janeiro, então é como se fosse só umas semanas).

Dois meses sem ver filme de terror e mudando de canal toda vez que aparecer a propaganda de um.

Fui!

8 comentários:

Gilberto Carmona disse...

Ravi, o caso de "alguém" descendo as escadas correndo atrás da gente já ocorreu comigo e o trauma foi tão grande que só um professor de física que eu tive uns anos após o incidente pôde me ajudar. Ele explicou que dependendo do material do teto e se estiver quieto (para aumentar o terror), nós podemos escutar os nossos próprios passos, como um eco mesmo. Só que o formato do teto pode nos pregar uma peça ainda mais cruel, se for variando a altura entre o chão e o teto, a impressão que o eco terá é que os passos vão ficvando cada vez mais rápidos (pois a distãncia que o som tem que percorrer é cada vez menor, assim, o som vai e volta em menos tempo). A explicação me convenceu mas, em todo caso, costumo dizer que casei exatamente para não ter que dormir sozinho...
Abraço,
Gilberto.

Soraya Wallau disse...

Rá, rolei de rir e pra vc não achar q eu não penso em vc, eu te digo, já tinha pensado no medo q vc vai ter enqnt eu estiver fora. Se te ajudar, eu deixo vc pegar a tv do basement e por na sala por esses dias.
Bjos seu medroso!

César, Valéria, Lara e Anaclara disse...

Essa história do seu amigo foi o máximo. Hahahaha. Dá pra ficar traumatizado.

E a vida segue...

Ana disse...

HAHHAHA!!!! #euriMUITO Eu tenho medo de filme de terror mesmo. Não assito, não adianta.

Anônimo disse...

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Beatriz disse...

Muito hilário, Ravi.Adorei, dando boas risadas. Desculpe.Bjo da mãe.

Beatriz disse...

Muito hilário, Ravi, adorei. Bjos da mãe.

Fabricio F. Cunha Luiz disse...

HAHAHAHA. Raw, esse post está sensacional !! Nem eu lembrava direito da história da igreja. So faltou dizer que depois que a "noiva"gritou bú, eu sai correndo que nem um louco e dei de cara numa poça de lama !!! hahaha....acho que minha perna ficou tremendo até o dia seguinte :)
abs