terça-feira, 6 de março de 2012

Ao meu amigo Raphael



Este aí acima é o Rapha. A gente chamava ele de Chuck no colegial e o apelido continuou por vários anos, mas de uns tempos para cá a gente só chamava ele de Rapha. Cara adulto, crescido, casado, separado, viajava toda hora, eu já não me sentia à vontade só chamando ele de Chuck. Acho que era meio-a-meio, metade do tempo era Rapha, metade era Chuck.

Em 2010 ele veio nos visitar e nós fomos juntos para Vancouver, Victoria, Portland, Seattle, vimos um vulcão, conversamos, bebemos, discutimos, conversamos mais, conversamos mais ainda, afinal passamos quase dez dias na estrada, dividindo o mesmo quarto de hotel (eu, a Soraya, o Arthur e o Rapha) ou dividindo os poucos metros cúbicos da minha valente van vermelha. Foi muito legal. Eu vou ter boas memórias desta viagem para sempre.

Assim como eu vou ter boas memórias deste querido amigo para sempre.

No dia 3 de Março de 2012, Sábado, às oito da noite, depois de um dia de risadas aqui em casa, o Rapha sofreu um acidente na estradinha que liga o condomínio onde eu moro à cidade de Jaguariúna, a menos de três minutos de casa. A estrada estava alagada por causa da chuva que caíra há algumas horas, e da qual todos tivemos que nos proteger por causa das goteiras que afligem a nossa casa. Ao tentar desviar de um trecho alagado, o Rapha jogou o carro para o lado oposto da pista, mas na direção contrária vinha um Pálio e ele jogou o carro de volta para o seu lado da pista, voltando para a água e aquaplanando, e atingindo um poste em cheio com a lateral do carro. Outros dois amigos que vinham atrás pararam para ajudar mas já não tinha muita coisa que pudesse ser feita. O resgate chegou, ele foi levado para o hospital, mas quando eu consegui chegar ao hospital, apavorado depois de ver o estado do carro que a polícia estava colocando no guincho, a notícia já estava lá - ele já havia falecido.

Nós estudamos juntos no colegial. 1994 foi quando eu e o Kb.Lo nos conhecemos. Acho que o Rapha foi estudar com a gente em 1995 e o Fabrício, em 1996. O colegial acabou em 1997, mas nós continuamos amigos desde então. Eu fui padrinho de casamento do Rapha e do Kb.Lo, e ele foi padrinho do nosso casamento. Nós chegamos tão atrasados no casamento dele, achei que não fosse dar tempo... O Rapha foi o primeiro a saber do nascimento do filho de todo mundo, foi o primeiro a ver a Bebela, foi o primeiro a receber a notícia do nascimento do Arthur. Ele estava ali em todos os momentos, em todos estes 17 anos.

Ficamos com saudades quando fomos para o Canadá, curtimos a viagem em 2010, sentimos quando a irmã dele faleceu no comecinho de 2010 mas ficamos felizes de saber que talvez nós tenhamos ajudado um pouco levando ele conosco. Agora, 2012, o Rapha tinha mudado fazia uma semana para uma casa perto da nossa, em Jundiaí. No Sábado ele estava nos contando como ele achava que tinha sido roubado pelo cara que instalou a máquina de secar a lavar que ele tinha comprado pela Internet, e como ele achava que talvez fosse rolar um curso intensivo de Inglês na Inglaterra pela empresa dele.

Tem uma época da vida que a gente está se preparando para viver... Foi quando o Cláudio morreu em 2002, com vinte e poucos anos. Ele ainda estava morando com os pais, não tinha acabado a faculdade, estava no segundo emprego, ainda estava se preparando para o que ia vir pela frente.

O Rapha já estava vivendo, já morava fora de caso fazia váris anos, tinha casado, tinha se separado, tinha viajado para Canadá, França, Praga, Dubai, Índia, e ultimamente passava tanto tempo em Vitória que a gente achava que uma hora ele não ia mais voltar.

A vida dele estava plena e foi assim que acabou. Com uma risada dada horas antes, com um encontro que estava marcado, com uma casa que estava comprada, com amigos que iam estar ali em todas as horas até o fim. É uma tristeza que tudo tenha acabado, e a gente espera que esta tristeza tenha um fim um dia. Agora eu quero ficar triste, eu não quero esquecer do meu grande amigo. Eu tenho a minha família para me ajudar a passar por esta hora triste, e tenho os meus amigos para me suportar e à quem eu também devo suportar.

Rapha, vamos sempre nos lembrar de você, no seu aniversário, no aniversário do Arthur que é dois dias depois do seu, sempre que nos reunirmos, sempre que pensarmos no Curintia ou no projeto Jundiaí, ou em Vitória, ou na Vila Cascatinha, na nossa amizade, em tudo que passamos e em tudo que vamos passar na nossa vida que vamos levando adiante.

Um abraço meu amigo, te amamos muito e vamos sempre lembrar de você.

Ravi.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

2012

Um próspero 2012 para todos!!!


(é uma foto de aniversário mas está todo mundo aí)

Acho que não vou ter muito o que escrever no futuro próximo. A vida aqui está boa e eu estou feliz de ter voltado. Não sinto falta do Inverno e sinceramente nem muito da cidade, mas sentimos falta dos amigos que fizemos no Canadá.

O interior é lindo, o carrinho tem levado a gente para cima e para baixo, os cachorros vão fazendo as suas cachorradas (o Bolt infelizmente morreu após fugir para rua, não sei se foi briga de cachorro ou se ele foi atropelado, só sei que filhote a gente só vai ter depois que trocar o portão, melhorar a tela na frente casa e colocar uma cerca em volta da piscina). A Hannah está começando a andar e o Arthur vai começar a quarta séria no fim do mês.

Sensacional!!!

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

O Bolt (nosso Beagle) não vai ser mais tão briguento

Ontem à noite os cachorros perdidos que habitam a vizinhança vieram aqui do lado de fora de casa acordar todo mundo. Latido pra lá, latido pra cá, e a gente houve um latido mais alto, um ganido, e continuamos tentando dormir/ por a Hannah prá dormir/ dar água para o Arthur (ele resolve tomar toda a água do mundo antes de dormir), quando eu percebo que o Bolt está latindo nos fundos da casa.

Vou lá e vejo o Bolt latindo para a porta. Achei que fosse um sapo. Estes bichos tem alguma coisa com sapos. Outro dia eu vi a Leona amassando um sapo na boca dela e (se você tem coração fraco vá até o próximo parágrafo) deu para ouvir os ossos do sapo quebrando. Isso, associado com a baba branca que a Leona soltava por causa do muco na pele do sapo, fez com que isso se tornasse algo que eu provavelmente nunca vou esquecer. Dia seguinte lá fui eu recolher o sapo. Nem comer o coitado eles comeram.

Voltando ao Bolt. Latindo. Passo a mão nele e está molhado. Não é água, é um pouco de sangue... O Bolt enfiou a cabeça pelo único lugar da cerca por onde ele consegue enviar a cabeça, e tomou uma bela de uma mordida (ou mais de uma mordida) em ambas as orelhas, uma bem pior do que a outra. Ele não estava mais sangrando mas estava assustado que só. Se ele tem boa memória ele nunca mais vai chegar perto do muro com outros cachorros por perto.

Hoje fomos no veterinário e ele tomou uma injeção de antibiótico. A gente vai ter que limpar a orelha dele duas vezes ao dia, pingar remédio no canal do ouvido duas vezes ao dia, e dar remédio para dor nos próximos dois dias, período no qual ele vai ficar separado dos outros bichos.

Laiá laiá.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

It is a gorgeous day in Sao Paulo's country

É um dia lindo no interior de São Paulo



Antes da temporada de 4 anos no Canadá eu torcia o nariz para o interior. Achava que todo mundo era meio caipira e que o interior era feio e que não dava para viver longe do mar.

Que nada.

Eu estava completa e absolutamente errado. O interior de São Paulo é bão. É bonito. É rico. É mais vazio do que a praia. As temperaturas são mais amenas do que na praia. É verde, verde que só. Como incoveniência fica aquela terra vermelha que dá um jeito de entrar em todos os lugares.

No último final de semana ficamos em casa e demos uma esticada até Serra Negra, andamos pelas estradinhas que levam às fazendas aqui perto de casa, um lugar mais bonito que o outro. Nestes últimos dias choveu bastante e estava tudo meio cheio de vida. A estrada está meio judiada e precisava de um pouco de TLC (tender love care), mas tirando isso foi um passeio e tanto.

Eu estou feliz com a vida aqui. Feliz de estar de volta.

Antes de voltar eu achava que eu não ligava para o frio do Canadá, mas na verdade acho que eu ligo sim. Estou aliviado de saber que aqui não vai nevar nem ficar extremamente frio, achando ótimo que o tempo vai continuar como está e que pior não vai ficar. Agora começou o horário de verão, mas mesmo no inverno do ano que vem a sensação ainda vai ser diferente.

A Hannah faz um ano no mês que vem e o Arthur faz nove anos no próximo final de semana. A molecada está crescendo e está crescendo bem rápido, a gente nem percebe mas a molecada vai que vai.

Fui!!!

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Ainda faz sentido fazer o blog? (e novas)

Acho que todo mundo que começa um blog se pergunta isso depois de um tempo, a não ser que seja um profissional (no sentido "qualitativo" e não "financeiro" da palavra) como o Octávio, dos trigêmeos. Já faz um tempo que eu parei de escrever no blog, e ultimamente eu virei um consumidor da internet, ao invés de continuar a gerar conteúdo que pode ser usado por outras pessoas.

Mas, bem, fazer o quê?

Vamos falar da vida então. Trabalhar de casa tem dado certo, já são 3 ou mais semanas nesta rotina, eu levo o Arthur para a escola, volto para casa, durmo um pouco já que o moleque entra na escola às sete da manhã, horário que eu considero desumano. Acordo, preparo uma garrafa térmica de café no estilo "Canadense" (fraco, perdi de vez o gosto por café forte, até joguei fora o resto de café Pilão que eu tinha e comprei Três Corações), e vou para o trabalho, duas portas para a esquerda.

Normalmente eu trabalho de portas fechadas para ajudar a concentração e também para eu me sentir em outro ambiente, importante para a concentração. Mas eu tento equilibrar bem as coisas... Agora, por exemplo, eu estou escrevendo no blog enquanto eu rodo um programa para extrair uma planinha Excel de uma base de dados de um cliente.

Eu não estou sentindo falta do escritório, mas eu falo com eles todo dia. É bom para manter o Inglês afiado. Na média acho que passo umas 3 horas no telefone por semana, às vezes mais tempo, às vezes menos. Estou usando o Skype porque o telefone do trabalho é uma b**ta aqui, eu assinei um plano que me dá ligações ilimitadas para o Canadá e os Estados Unidos pela bagatela de 15 dólares por mês.

...

Eu ainda estou tendo um pouco dificuldade de organizar meus documentos, carteira de motorista, etc... Eu preciso:

. Transferir e renovar minha habilitação;
. Pegar a segunda via do meu certificado de quitação com o serviço militar para poder renovar o passaporte;
. Quitar as minhas dívidas com o tribunal regional eleitoral;
. Colocar a minha PJ em dia;
. Abrir conta bancária.

Segunda-feira de manhã vou estar de folga resolvendo estas coisas... Serviço militar obrigatório é coisa da idade da pedra, tinha que acabar logo... Assim como o voto obrigatório.

Mas fazer o que?

Fui!

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

O povo aqui dirige estranho

Quer dizer, eles dirigem mal.

E dirigem de forma estranha... Sei lá, me acostumei com o Canadá. O estranho mesmo é que aqui não tem placa de Merge, o triângulo na estrada quer dizer "Merge", o Pare na rotatória é o triângulo do Canadá, e o Pare da esquina é o Pare do Canadá também, mas como o Pare quer dizer tanto "Dê a Preferência" quanto "Pare", tem muita gente que nem parar para.

É uma confusão. E o pessoal que vai entrar na estrada e nem acelera?

PS: O Arthur ganhou um cachorrinho e está feliz da vida, mas o cachorrinho vai ter que se esforçar para tirar o moleque de casa :-).

Fui!

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Cheguei

Ok, cheguei.

Oito caixas não foi fácil, mas chegou tudo inteiro. Nada quebrou. O que quebrou, quebrou aqui (uma garrafinha com areia dentro daquelas que eles vendem no Nordeste e uma bolacha de chopp chiquetosa). As caixas chegaram meio amassadas, deformadas, mas as alças chegaram quase todas inteiras (uma só que arrebentou), e nada abriu.

Onde o bicho quase pegou foi na hora de passar pela receita, já que eu não peguei o papel do consulado dizendo que eu morei fora e, com oito caixas, tive que passar pelo raio-x da alfândega. Não pegou nada, mas fica a lição - se você está voltando para o Brasil, arrume a tal da carta com o consulado.

O Felype, irmão da Soraya, foi me buscar numa Fiorino. Me acostumei mal com o meu carro velho com ar-condicionado. O dia foi de calor mas depois já esfriou um pouco, nada demais para os padrões de Calgary, mas aqui a casa realmente fica mais fria do que no Canadá e não tem água quente nas torneiras de casa.

A Hannah está uma figurinha e o Arthur está um figuraço. A Soraya estava tomando conta de tudo sozinha impecavelmente, e eu agora estou ajudando no que eu posso, fazendo as tarefas pesadas, arrastando as coisas de um lugar para outro, limpando quartinho de bagunça, tirando lixo do jardim, etc...

A casa aqui está em constante evolução e às vezes um retrocesso ou outro acontece, como o bonitão aqui que perdeu todas as chaves no Sábado. Ainda tem alguma coisa por fazer mas as maiorias das coisas já foram feitas, tem um forro ou outro por fazer, uma pintura ou outra para repintar, um chuveiro ou outro para trocar. A família da Soraya deu uma força tremenda arrumando a casa para a gente vir morar. A cachorrada apronta mas cuida bem da casa, e o Arthur de vez em quando não quer saber de ir pra fora, mas no geral ele está bem contente com as coisas, e feliz de ter o paizão dele de volta (e eu estou feliz em dobro por estar perto da família).

O que eu acho do Brasil até agora? Dá para dizer o que eu acho que Jaguariúna até agora... Aqui é cidade de campo, mais como uma cidade aos arredores de Calgary do que Calgary em si. A cidade é bonitinha, tem o seu lado feio e o seu lado mais bagunçado, mas no geral a impressão daqui é boa, o centro é tranquilo, tem o pastel (que só aceita dinheiro), o correio (que só aceita cartão de débito do Bradesco), tem a sorveteria (provavelmente só dinheiro também), tem a escola do Arthur, os bancos, tudo que um centro de cidade tem. O clima aqui é agradável, a estrada que vem até a nossa casinha é tranquila.

O home office tem funcionado bem, eu estou trabalhando de casa mesmo, vou ver se dá certo. Comprei um no-break (que nos Estados Unidos e Canadá é conhecido como UPS, ninguém sabe o que no-break quer dizer), tive que comprar um roteador wi-fi novo e um adaptador wi-fi para o computador, não sei se vai dar para cobrar por estas despesas mas não faz mal, se o computador queimar aí ferrou-se tudo. O Arthur fez o home-office dele no outro quarto e fez uma placa com o meu nome para eu pendurar na mesa, e me deu a estátua que ele fez de dia dos pais no Canadá.

Aqui no Brasil:

. Cinema é mais barato do que no Canadá (10 reais = 6 ou 7 dólares, no Canadá o ingresso custa uns 11 dólares);
. No mercado as coisas são caras mas não tão caras quanto eu pensei;
. Cerveja aqui é ridicularmente mais barato do que no Canadá;
. Motorista aqui é mais ou menos barbeiro mas o povo desta cidade gosta de dar ombrada quando anda;
. Eu queria que tivesse mais lugares que aceitassem cartão de débito aqui. Andar com dinheiro é quase obrigatório;
. Aqui realmente não tem waffle congelado, mas hoje eu comprei amendoim japonês e OPA (ou Mandix) no mercado, assim como queijo Catupiry, hmmmm;
. Ah, sim, a gente comeu pastel no outro dia.

O que eu acho cruel é o Arthur entrar na escola às sete da manhã e toda a logística envolvida em sair de casa sem que os cachorros fujam pelo portão. Agora o que a gente vai fazer em casa é:

. Forrar o teto, quer dizer, pagar para alguém forrar o teto;
. Aterrar um circuito ou outro na casa já que aqui tudo dá choque;
. Eu vou colocar uns quadros no meu "escritório" e vou trocar a tela horrível verde da janela por alguma coisa menos verde;
. Regramar a grama.

Mas é isso aí - estou feliz de estar de volta - é estranho não sair de casa para ir trabalhar mas eu acho que vou me acostumar.

Fui!

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

O fim e o recomeço

Terça-feira é o fim do meu tempo trabalhando em um escritório.

Quarta-feira é o fim do meu tempo de Canadá.

Quinta-feira é o recomeço do meu tempo de Brasil.

Segunda-feira é o começo da aventura de trabalhar em casa.

Pois é, o fim é próximo e o recomeço também. Depois de dois meses a Hannah já nem deve nem mais lembrar quem eu sou, mas Hannah, logo, logo eu estou chegando. Eu estou com saudades da família mas a minha situação agora é muito diferente do que era quando eu cheguei aqui, sozinho, sem dinheiro, em um hotel... Saber que as coisas estão caminhando e ter um número menor de incertezas tira a aflição da equação, e eu sofro muito menos quando eu tenho a certeza de que o que eu espero que vá acontecer vá de fato acontecer. A família está no Brasil mas eles estão bem, e eu tenho data para vê-los. A casa aqui já não mais existe mas a gente tem uma casa por lá. Este mês vai ser um pouco apertado financeiramente por conta de vários motivos, mas mês que vem o dinheiro vai chegar. E poraí vai.

O Paulo e a Eliane me ofereceram o basement deles para eu morar neste mês e meio depois que eu entreguei o meu apartamento, e foi uma ajuda e tanto, um favor que um dia quem sabe eu possa retribuir.

Ontem a gente desceu o Bow river de barco e eu fiquei pensando "porque a gente não fez isso antes?". O meu celular deu um mergulho, ele ainda funciona mas agora eu nem posso mais vendê-lo.

Para trás fica a experiência de viver em um país estrangeiro e os amigos que a gente fez aqui.

O resto a gente leva com a gente.

As cidades Canadenses são muito bonitas, as vizinhanças sempre são ajeitadas, as casas não costumam ter muros e a grama costuma ser cortada. Exceções à regra, as vizinhanças Canadenses são sempre mais ajeitadas que as Brasileiras. O setor público aqui é melhor do que o setor público do Brasil, mas eu acredito que quando você compara a saúde privada Brasileira com a saúde pública Canadense, a saúde privada Brasileira sai ganhando. As escolas públicas daqui são muito boas e nisso eu ainda não posso fazer comparação, com certeza são melhores do que as escolas públicas Brasileiras, mas eu preciso fazer a comparação com a escola privada do Arthur no Brasil.

A comparação de privado x público não é completamente furada porque quem imigra para o Canadá teria condições de pagar por serviços privados de qualidade no Brasil. Mas, de resto, o Canadá é melhor nos números do que o Brasil - aqui tem menos violência, menos corrupção, os filmes saem antes nos cinemas, e o país é muito mais rico. O clima aqui é frio, e o inverno é longo.

Mas aqui não é o Brasil. Não tem aquele lugar que você possa dizer "eu fui ali quando eu era criança", ninguém viu os mesmos programas que você na TV, ninguém sabe quem é a Xuxa. Quando alguém fala um nome de filme em Inglês você não sabe o que é porque você só lembra o título em Português. Aqui não tem a família, os amigos de longa data, o pessoal que foi no seu casamento ou que estava no hospital quando o primeiro filho nasceu. Aqui não tem a casa de alguém para ir passar o final de semana, não tem Vejinha para ver os programas de final de semana, não tem pastel à céu-aberto.

Todas estas coisas fazem parte de quem você é. A gente nunca quis mudar e ser Canadense. Eu nunca fui esquiar, e quando tentei patinar fui um fracasso. Eu não gosto nem um pouco de Hockey. Nunca entendi Curling.

Se você tiver a chance de ir morar fora, vá. Se for para o Canadá, melhor ainda. Este é um país maravilhoso com várias oportunidades, que no geral acolhe bem estrangeiros. Esteja preparado para passar necessidade e viver sem dinheiro por um tempo, e esteja preparado para voltar se for necessário. O Canadá é bom mas dinheiro aqui não dá em árvore. A imigração é difícil, e não por acaso o processo migratório é comparado à um processo de luto.

Preciso ir agora.

Fui!

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Heat Wave, Google + e viagens

Olá amigos da Rede Globo!

Eu vi a final da Copa do Mundo Feminina de Futebol em um bar nos Estados Unidos e posso garantir que tinha bastante gente torcendo para o time nacional! Não tinha ninguém chorando nem ninguém xingando as Japonesas, mas que a galera estava torcendo, isso eles estavam.

Eu estava em Connecticut, nordeste dos Estados Unidos, do dia 4 de Julho ao dia 20 de Julho. Aparentemente eu perdi todo o verão de Calgary (a gente fez uma piada com o pessoal de lá dizendo que íamos perder metade do verão, so para descobrir que a piada não era uma piada), já que hoje fez 12 graus Celsius e estava frio de verdade. Depois de ter que esperar o avião esfriar em Toronto (sério, ligaram o ar-condicionado do avião e dava para ver a "fumacinha" no ar na saída do ar frio), foi meio chocante chegar em Calgary no frio.

Mas lá estava em quente.

Conheci duas praias novas e algumas cidades novas. Misquamicut, New Port (Rhode Island), Rocky Neck (uma praia), e algumas cidades nos arredores de Hartford, a capital de lá. A viagem foi legal mas foi cansativa, ficar em reunião o dia inteiro por vários dias à fio é meio chato.

Mas a viagem acabou e eu voltei.

E...

Dia...

17 DE AGOSTO eu estou indo para o Brasil rever minha esposa amada, meu filho amado e minha filhinha amada! Agora falta menos tempo para o dia 17 do que faltava quando eu comecei a escrever esta frase. Vou lá ajudar a mulher a arrumar a casa, ajudar o filho a fazer bagunça e ver a Hannah aprender a andar. Sensacional. Dois meses é bastante tempo.

A casa lá está entrando em ordem mas eu preciso ver tudo com os meus próprios olhos para poder me situar melhor. A Soraya me conta tudo pelo telefone mas eu sou ruim de imaginar as coisas sem ver o que está acontecendo. Acho que é por isso que eu não gosto muito de livros mas adoro filmes.

Anyway. Dia 17 estou indo para lá. Sem entrar em muitos detalhes, vou continuar a trabalhar para a empresa daqui, e vou vir para o Canadá e os Estados Unidos mais ou menos regularmente se o pessoal da fronteira me deixar entrar.

E...

Eu tenho convites para o Google+. Eu nunca sei o que fazer com estas tais de redes sociais, mas se você estiver maluco para conhecer o Google+ coloque um comentário no blog que eu tento te adicionar.

E por hoje é só pessoal.

Fui!

PS: Estou fazendo um upgrade de uma base de dados (Oracle 11.2.0.1.0 para Oracle 11.2.0.2.3) e me parece que eu vou ficar aqui mais um tempinho.

Fui!!!

quarta-feira, 6 de julho de 2011

E a mala foi para o saco







Segunda-feira, 4 de Julho de 2011. Ao chegar em Hartford, do lado de lá do continente Norte-Americano, Ravi Wallau encontrou a mala do seu filho, Arthur, destruída na esteira de bagagem. A princípio Ravi achou que a mala não fosse sua mas, depois de inspecionar a etiqueta localizada na parte de trás da mala e reconhecer a letra de sua esposa, Ravi finalmente reconheceu que aquela mala amassada, queimada e rasgada era, de fato, dele.

Merdas acontecem. Mas esta merda foi federal. Eu falei para os caras que estavam viajando comigo que era para eles esperarem um pouco, eu não era chato mas aquela mala já era e eu precisava reclamar. Fui lá conversar com o cara da Air Canada, o cara gente boa, eu nem estressado estava porque eu sabia que cedo ou tarde eles iam ter que me dar uma mala nova, talvez quando eu voltasse para o Canadá, mas com sorte por estas bandas mesmo.

Aparentemente, malas não costumam ser atropeladas com muita frequência (a nossa teoria para a mala é que ela foi atropelada), e o cara nem sabia preencher o formulário. Uns dez minutos se passam, o cara aflito, e eu pergunto para ele "cara, as coisas dentro da mala estão inteiras. Não quebrou nada e o bolso da frente estava vazio. Se você tiver uma mala sobrando aí, eu fico feliz.".

Ele não tinha nenhuma mala de reserva, já que a Air Canada tem um vôo chinfrim em um avião em que cabem apenas 18 pessoas para Hartford. Aparentemente, não é a cidade com mais passageiros dos Estados Unidos. Mas aí o cara foi além e eu achei legal - ele ligou para a Delta, outra empresa aérea, e perguntou se a moça tinha uma mala sobrando. Ela disse "vem cá ver o meu estoque" para o atendente da Air Canada e lá fomos nós. O cara andava rápido que só, parecia o meu chefe, o Ian. Quando eu fui para Toronto com ela e uma mulher que trabalhava na empresa na época, a gente sofria para manter o ritmo do chefe e o fato dele ser chefe não ajudava, não dava para dizer "caralho, mano, calma aí". Anyway. Chegamos lá e a mulher deu uma mala novinha, marrom, de marca genérica mas melhor que a que eu tinha, sem papelada, sem formulário, off the books, off the hook, e eu saí de lá de mala nova. O cara me disse que algumas empresas aéreas não mantém um super inventário, e que por camaradagem eles ajudam um aos outros.

Melhor para mim :-).

PS: Está bem quente aqui em Connecticut. Fico aqui até o dia 20 de Julho.

PS: Comecei a assistir Dexter com o Paulão lá na casa da Eliane. A série é boa, copiei uns capítulos e tenho assistido no hotel, para meu desespero na hora de acordar no dia seguinte. Eu sempre penso "é hoje que eu durmo no trabalho e tomo um pé na bunda."

Fui!!!